Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 1

Declara o Apóstolo os trabalhos, que tem padecido na Asia. Mostra que todos êles contribuem para utilidade e consolação dos Coríntios. Desculpa-se de os não ter ido visitar. A palavra de Deus é invariável.

1Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus, e Timóteo, seu irmão, à Igreja de Deus, que está em Corinto, e a todos os Santos, que há por tôda a Acaia.

2Graças vos seja dada, e paz da parte de Deus nosso Pai e da do Senhor Jesus Cristo.

3Bendito seja o Deus, e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Pai de misericórdias e Deus de tôda a consolação:

4O qual nos consola em tôda a nossa tribulação para que possamos também nós mesmos consolar aos que estão em tôda a angústia, pelo confôrto com que também nós somos confortados de Deus.

5Porque à medida que em nós crescem as penas de Cristo: Crescem também por Cristo as nossas consolações.

6Porque se somos atribulados, para vossa exortação é, e salvação; se somos consolados para vossa consolação é; se somos confortados, para vosso confôrto é, e salvação, a qual se realiza pelo sofrimento das mesmas aflições, que nós também sofremos.

7Para que seja firme a nossa esperança por vós; estando certos, que assim como sois companheiros nas aflições, assim o sereis também na consolação.

8Porque não queremos, irmãos, que vós ignoreis a nossa tribulação, que se excitou na Ásia, porque fomos maltratados desmedidamente sôbre as nossas fôrças, de sorte que até a mesma vida nos causava tédio.[1]PORQUE FOMOS MALTRATADOS DESMEDIDAMENTEO que o Apóstolo aqui diz que experimentara em Éfeso, não se opõe ao que êle tinha escrito na primeira aos mesmos Coríntios, 10. 13. Que Deus é fiel para não permitir que os seus servos sejam tentados, mais do que podem as suas fôrças. Porque o que o Apóstolo quer significar no presente lugar, é, que a atribulação, que lhe fizeram, fôra tão grande, que excedia o modo comum, e as forças ordinárias de um homem ainda justo, e constituido em graça de Deus; a qual êle contudo vencera, sendo fortificado de mais poderosos socorros da graça.

9Mas nós dentro de nós mesmos tivemos resposta de morte, para não pormos a nossa confiança em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos:[2]MAS NÓSEsta narração visa a comover os discípulos, manifestando-lhes a estima que lhes consagrava, e a confiança nos seus bons ofícios, agradecendo-lhes as orações e os cuidados prodigalizados na hora da aflição.

10O qual nos livrou de tão grandes perigos, e livra ainda: Como esperamos que ainda igualmente nos livrará,

11se vós nos ajudardes também orando por nós: Para que pelo dom, que se nos tem concedido em atenção de muitas pessoas, por intervenção de muitos sejam dadas graças por nós outros.

12Porque a nossa glória é esta, o testemunho da nossa consciência, de que em simplicidade de coração e em sinceridade de Deus: E não em sabedoria carnal, mas pela graça de Deus temos vivido neste mundo: E maiormente convosco.

13Porque não vos escrevemos outra coisa, senão o que haveis lido, e conhecido. E espero que conhecereis até ao fim.

14E como também nos haveis conhecido em parte, que somos a vossa glória, assim como também vós sereis a nossa, no dia de nosso Senhor Jesus Cristo.

15E nessa confiança tinha resolvido primeiro ir ver-vos, para que vós recebêsseis uma dobrada graça:

16E passar por vós a Macedônia, e de Macedônia ir outra vez ter convosco, e ser acompanhado de vós outros até à Judéia.

17Tendo eu pois por então formado êste desígnio, foi acaso por inconstância não o executar eu? Ou quando eu tomo uma resolução, é esta uma resolução, que não passa de humana, de sorte que venha a se adiar em mim SIM e NÃO?

18Mas Deus é fiel testemunha, de que não há SIM e NÃO naquela fala que tive convosco.

19Porque o Filho de Deus Jesus Cristo, que tem sido por nossa intervenção pregado entre vós, por mim, e por Silvano e Timóteo, não foi tal que se achasse nele SIM e NÃO, mas sempre houve SIM.[3]HOUVE SIMIsto é, foi sempre firme e verdadeiro, como com efeito verteram no corpo os de Mons, e como nas notas explicou Amelote.

20Porque tôdas as promessas de Deus são SIM em seu Filho: E por êle também é o Amém, que se diz a Deus para nossa glória.[4]EM SEU FILHOPois que não há em Jesus Cristo senão verdade pura, a Êle devemos sempre dizer Amém, pois Êle realiza todas as suas promessas, e é em virtude da realização dessas promessas que nós logramos o resgate pela obra da Redenção.

21E o que nos confirma em Cristo convosco, e o que nos ungiu, é Deus:

22O qual também nos selou, e deu em nossos corações a prenda do espírito.

23Mas eu chamo a Deus por testemunha sôbre a minha alma, de que por perdoar-vos não tenho ido mais a Corinto: Não porque tenhamos domínio sôbre a vossa fé, mas porque somos cooperadores do vosso gôzo: Pois pela fé estais em pé.

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Data e lugar em que foi escrita. — Concordam os críticos em que esta Epístola foi escrita pouco depois das precedentes, no ano 57, segundo o maior número. S. Paulo estava na Macedônia, talvez em Filipos, para onde veio depois a perseguição que o obrigou a deixar Éfeso, e ali se encontra com Tito, por quem tem conhecimento do que se passava em Corinto. Em vista das informações prestadas, que eram desfavoráveis, pois que davam conta de inimizades, rixas freqüentes, vaidades mal reprimidas, ambições criminosas, escreveu, pelo muito afeto que consagrava a esta cristandade, a sua segunda Epístola, encarregando o seu próprio discípulo de ser o portador dela para Corinto.

Objeto. — Nesta carta nota-se uma apologia da sua conduta e do seu ministério; apologia moderada, depois franca, e no fim acerada e veemente.

Divisão. — Compreende um prólogo, 1, 14, em que descreve os seus sofrimentos.

Três seções: 1.ª, 1, 15; c. 7, Apologia calma.

2.ª — Digressão sôbre a esmola e mútuo auxílio, cc. 8 e 9.

3.ª — Apologia animada e veemente, cc. 10 e 12.

Nesta Epístola revela S. Paulo o seu judicioso critério e procura: 1.º dissipar qualquer prevenção contra a sua pessoa; 2.º reformar os abusos; 3.º confundir os falsos mestres.

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