Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 8

Excita Paulo os Coríntios a fazerem esmola aos pobres de Jerusalém. Para isso lhes alega o exemplo dos Macedônios, e o de Jesus Cristo mesmo. Louva os coletores, que envia a este fim.

1Assim mesmo vos fazemos saber, irmãos, a graça de Deus, que foi dada nas igrejas de Macedônia.

2Como em grande prova de tribulação, tiveram êles abundância de gôsto, e a sua abatidíssima pobreza abundou em riquezas da sua beneficência.

3Porque eu lhes dou testemunho, que segundo as suas fôrças, e ainda sôbre as suas fôrças têm sido voluntários.

4Rogando-nos com muito encarecimento que comunicássemos a graça, e serviço, que se faz para os Santos.

5E não só o fizeram como nós o esperávamos, mas ainda se deram a si mesmos, primeiro ao Senhor, depois a nós pela vontade de Deus.

6De maneira que rogamos a Tito: Que assim como começou, assim também acabe em vós ainda esta graça.

7Para que como em tudo abundais em fé, e em palavra, e em ciência, e em tôda a diligência, e além disso no afeto que nos tendes, assim também abundeis nesta graça.

8Não o digo como quem manda: Mas pelo cuidado acêrca dos outros; e ainda para experimentar a boa índole da vossa caridade.

9Porque sabeis que a graça não foi a de nosso Senhor Jesus Cristo, que sendo rico, se fêz pobre por vosso amor, a fim de que vós fôsseis ricos pela sua pobreza.

10E neste particular vos dou um conselho: Porque isto é o que vos cumpre, se bem não só o começastes a fazer, mas já tivestes o desígnio disso mesmo desde o ano passado.[1]VOS DOU UM CONSELHONão fala assim o Apóstolo, porque o dar esmolas do supérfluo não seja preceito divino, e ainda natural, (que certamente o é, e as Escrituras o ensinam expressamente) mas chama o conselho, o que podia ser preceito, porque quis levar os coríntios mais pela brandura do que pelo rigor, e também porque os coríntios, ainda por preceito de Deus, não estavam obrigados a dar tanto, como deram os macedônios, e nem todos talvez tinham que dar. - Éstio.

11Agora pois cumpri-o já de fato: Para que assim como a vontade está pronta para querê-lo, assim também o esteja para o cumprir, segundo as posses que tendes.

12Porque se a vontade está pronta para dar, segundo aquilo que tem, é aceita, não segundo aquilo que não tem.

13Não é porém minha intenção que os outros hajam de ter alívio, e vós fiqueis em apêrto, mas sim que haja igualdade.

14Ao presente a vossa abundância supra a indigência daqueles: Para que também a abundância dos tais sirva de suplemento à vossa indigência, de maneira que haja igualdade como está escrito.

15Ao que dêle colheu muito, não lhe sobejou: E ao que pouco, não lhe faltou.

16E graças a Deus, que pôs no coração de Tito o mesmo cuidado por vós.

17Porque na verdade recebeu a exortação: Mas indo êle estando mais solícito, por sua vontade partiu a visitar-vos.

18Enviamos também com êle a um irmão, cujo louvor é célebre pelo Evangelho em tôdas as igrejas:

19E não sòmente isto, senão que pelas igrejas foi também escolhido por companheiro da nossa peregrinação; para esta graça, que por nós é ministrada para a glória do Senhor, e para mostrar a nossa pronta vontade:

20Evitando isto, que ninguém nos possa censurar nesta abundância, que por nós é ministrada.

21Porque procuramos fazer o bem não só diante de Deus, senão também diante dos homens.

22E com êles enviamos também a outro nosso irmão, o qual várias vezes temos em muitas coisas experimentado ser diligente: E agora será muito mais pela grande confiança que há de vós.

23Ou seja por causa de Tito, que é meu companheiro, e coadjutor para convosco, ou por causa dos nossos irmãos, que são Legados das Igrejas, glória de Cristo.[2]LEGADOS DAS IGREJASChama «Legados das Igrejas» aos que elas enviaram, para diferença dos Apóstolos, que enviou Jesus Cristo.

24Portanto dai para com êles ante a face das igrejas mostras do vosso amor, e de que sois a nossa glória.

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Data e lugar em que foi escrita. — Concordam os críticos em que esta Epístola foi escrita pouco depois das precedentes, no ano 57, segundo o maior número. S. Paulo estava na Macedônia, talvez em Filipos, para onde veio depois a perseguição que o obrigou a deixar Éfeso, e ali se encontra com Tito, por quem tem conhecimento do que se passava em Corinto. Em vista das informações prestadas, que eram desfavoráveis, pois que davam conta de inimizades, rixas freqüentes, vaidades mal reprimidas, ambições criminosas, escreveu, pelo muito afeto que consagrava a esta cristandade, a sua segunda Epístola, encarregando o seu próprio discípulo de ser o portador dela para Corinto.

Objeto. — Nesta carta nota-se uma apologia da sua conduta e do seu ministério; apologia moderada, depois franca, e no fim acerada e veemente.

Divisão. — Compreende um prólogo, 1, 14, em que descreve os seus sofrimentos.

Três seções: 1.ª, 1, 15; c. 7, Apologia calma.

2.ª — Digressão sôbre a esmola e mútuo auxílio, cc. 8 e 9.

3.ª — Apologia animada e veemente, cc. 10 e 12.

Nesta Epístola revela S. Paulo o seu judicioso critério e procura: 1.º dissipar qualquer prevenção contra a sua pessoa; 2.º reformar os abusos; 3.º confundir os falsos mestres.

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