Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 9

Instruções sobre o modo de dar a esmola. Que ela se deve dar com alegria. Que não devemos recear que fiquemos pobres. Diversos frutos da esmola.

1Já quanto à administração que se faz a benefício dos santos, coisa supérflua é o eu escrever-vos.

2Porque conheço a prontidão do vosso ânimo pela qual eu de vós me glorio diante dos macedônios. Porquanto Acaia também está pronta desde o ano passado, e o vosso zêlo tem alentado a muitíssimos.

3Enviei porém êstes irmãos: Para que o de que nos gloriamos acêrca de vós, não deixe de ter fundamento nesta parte, para que (como o tenho dito) estejais prevenidos:

4Por não suceder que quando vierem comigo os macedônios, e se vos acharem desapercebidos, tenhamos nós de que nos envergonhar, (por não dizer vós outros) neste ponto.

5Portanto julguei que era necessário rogar aos irmãos, que vão antes de vós, e que preparem a bênção já prometida, que ela esteja pronta, assim como bênção, não como avareza.

6E digo isto: Que aquêle que semeia pouco também segará pouco: E que aquêle que semeia em abundância, também segará em abundância.[1]QUE AQUÊLE QUE SEMEIA POUCOÊste texto destrói duas heresias: a de Joviniano, que ensinava que a glória dos Santos havia de ser igual para todos, e a dos modernos sectários, que negam as nossas boas obras à razão de merecimentos. — Éstio.

7Cada um como propôs o seu coração, não com tristeza, nem como por fôrça: Porque Deus ama ao que dá com alegria.[2]PORQUE DEUS AMASe deste o pão com tristeza, perdeste o pão e perdeste o merecimento. S. Agostinho sobre o Sl 42.

8E poderoso é Deus para fazer abundar em vós tôda a graça: Para que estando sempre abastados de tudo, abundeis para tôda a obra boa.

9Assim como está escrito: Espalhou, deu aos pobres: A sua justiça dura para sempre dos sempres.

10E o que subministra semente ao semeador: Dará também pão para comer, e multiplicará a vossa semente, e aumentará os acrescentamentos dos frutos da vossa justiça,

11para que enriquecidos em tôdas as coisas, abundeis em tôda sinceridade, a qual faz que por nós sejam dadas graças a Deus.

12Porque a administração desta oferenda não sòmente supre o que aos Santos falta, senão que abunda também em muitas ações de graças ao Senhor,

13pela experiência dêste serviço, dando êles glória a Deus pela submissão que vós mostrais ao Evangelho de Cristo, e pela sinceridade da vossa comunicação com êles e com todos.

14E testemunhando na oração, que êles fazem por vós, o amor que vos têm, por causa da iminente graça de Deus, que há em vós.

15Graças a Deus pelo seu dom inefável.

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Data e lugar em que foi escrita. — Concordam os críticos em que esta Epístola foi escrita pouco depois das precedentes, no ano 57, segundo o maior número. S. Paulo estava na Macedônia, talvez em Filipos, para onde veio depois a perseguição que o obrigou a deixar Éfeso, e ali se encontra com Tito, por quem tem conhecimento do que se passava em Corinto. Em vista das informações prestadas, que eram desfavoráveis, pois que davam conta de inimizades, rixas freqüentes, vaidades mal reprimidas, ambições criminosas, escreveu, pelo muito afeto que consagrava a esta cristandade, a sua segunda Epístola, encarregando o seu próprio discípulo de ser o portador dela para Corinto.

Objeto. — Nesta carta nota-se uma apologia da sua conduta e do seu ministério; apologia moderada, depois franca, e no fim acerada e veemente.

Divisão. — Compreende um prólogo, 1, 14, em que descreve os seus sofrimentos.

Três seções: 1.ª, 1, 15; c. 7, Apologia calma.

2.ª — Digressão sôbre a esmola e mútuo auxílio, cc. 8 e 9.

3.ª — Apologia animada e veemente, cc. 10 e 12.

Nesta Epístola revela S. Paulo o seu judicioso critério e procura: 1.º dissipar qualquer prevenção contra a sua pessoa; 2.º reformar os abusos; 3.º confundir os falsos mestres.

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