Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 2

Com receio de que não se afligissem os fiéis desta Igreja, não foi Paulo a Corinto. Perdoa ao incestuoso. Deseja que volte Tito, por saber novas dêles. Frutos que Paulo colheu. Alguns todavia mudaram o cheiro de vida em cheiro de morte. Êstes são os falsos doutores.

1Eu porém assentei isto mesmo comigo, não ir outra vez ter convosco por não vos causar tristeza.

2Porque se eu vos entristeço: Quem é também o que me alegrará, senão o que por via de mim é entristecido?

3E isto mesmo vos escrevi, para que quando passar a ver-vos, não tenha tristeza sôbre tristeza, dos que me devera alegrar: Confiando em todos vós que a minha alegria é a de todos vós.

4Porque pela muita tribulação, e angústia de coração, com muitas lágrimas vos escrevi: Não porque fôsseis contristados: Mas para que soubesseis quanto maior amor tenho para convosco.

5E se algum me contristou, não me contristou, senão em parte, por não carregar-vos a todos vós.

6Basta-lhe ao que é tal, esta repreensão, que é dada por muitos.

7De sorte que, pelo contrário, deveis agora usar com êle de indulgência, e consolá-lo, para que não aconteça que seja consumido de demasiada tristeza quem se acha em tais circunstâncias.

8Por conta do que vos rogo, que lhe deis efetivas provas da vossa caridade.

9E por isso também vos escrevi, para ver por esta prova, se sois obedientes em tôdas as coisas.

10E ao que perdoastes em alguma coisa, também eu: Pois eu também a indulgência de que usei, se de alguma tenho usado, foi por amor de vós em pessoa de Cristo.[1]EM PESSOA DE CRISTOQuer dizer, em nome e pela autoridade de Jesus Cristo, cuja pessoa fazem os prelados eclesiásticos no infligir ou absolver das censuras, conforme o dito do mesmo Senhor por Mt 18, 18: "Tudo o que vós atardes sôbre a terra, será também atado no Céu, e tudo o que vós desatardes sôbre a terra, será também desatado no Céu".

11Para não sermos surpreendidos de satanás: Pois que não ignoramos as suas maquinações.

12Mas quando passei à Tróade, pelo Evangelho de Cristo, e me foi aberta a porta do Senhor,

13não tive repouso no meu espírito, porque não achei a meu irmão Tito, mas despedindo-me dêles, parti para Macedônia.

14Mas graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Jesus Cristo, e que por nosso meio difunde o cheiro do conhecimento de si mesmo em todo o lugar:

15Porque nós somos diante de Deus o bom cheiro de Cristo, nos que se salvam, e nos que perecem:

16Para uns na verdade cheiro de morte para morte: E para outros cheiro de vida para vida. E para estas coisas quem é tão idôneo?

17Porque não somos falsificadores da palavra de Deus, como muitos, mas falamos em Cristo com sinceridade, e como da parte de Deus diante de Deus.

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Data e lugar em que foi escrita. — Concordam os críticos em que esta Epístola foi escrita pouco depois das precedentes, no ano 57, segundo o maior número. S. Paulo estava na Macedônia, talvez em Filipos, para onde veio depois a perseguição que o obrigou a deixar Éfeso, e ali se encontra com Tito, por quem tem conhecimento do que se passava em Corinto. Em vista das informações prestadas, que eram desfavoráveis, pois que davam conta de inimizades, rixas freqüentes, vaidades mal reprimidas, ambições criminosas, escreveu, pelo muito afeto que consagrava a esta cristandade, a sua segunda Epístola, encarregando o seu próprio discípulo de ser o portador dela para Corinto.

Objeto. — Nesta carta nota-se uma apologia da sua conduta e do seu ministério; apologia moderada, depois franca, e no fim acerada e veemente.

Divisão. — Compreende um prólogo, 1, 14, em que descreve os seus sofrimentos.

Três seções: 1.ª, 1, 15; c. 7, Apologia calma.

2.ª — Digressão sôbre a esmola e mútuo auxílio, cc. 8 e 9.

3.ª — Apologia animada e veemente, cc. 10 e 12.

Nesta Epístola revela S. Paulo o seu judicioso critério e procura: 1.º dissipar qualquer prevenção contra a sua pessoa; 2.º reformar os abusos; 3.º confundir os falsos mestres.

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