Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 13

Ameaça Paulo os que pecaram. Diz que executará nêles o poder, que tem de Jesus Cristo. Exorta-os à paz, e sauda-os.

1Eu me disponho a vos ir ver pela terceira vez. Na bôca de duas, ou três testemunhas estará tôda a palavra.[1]NA BOCAÉ um preceito judicial do Deuteronômio 19, 15. o qual alegou o Apóstolo, ou para significar aos Coríntios, que os havia de julgar, não precipitadamente, mas conforme o prescrevia a lei de Deus, que era valendo-se de duas, ou três testemunhas, ou porque debaixo da alusão das duas, ou três testemunhas, que a lei do Deuteronômio requeria nos juízos quis significar a sua segunda, ou terceira vinda a Corinto, como quem só falava de pecados notórios, que para se castigarem não necessitavam de mais depoimentos, que os da sua publicidade. Êste segundo sentido, que é o dos expositores gregos, parece o mais provável, e o mais conforme o contexto que se segue.

2Assim como já o disse dantes achando-me presente, assim o digo também agora estando ausente, que se eu fôr outra vez, não perdoarei aos que antes pecaram, nem a todos os demais.

3Porventura buscais prova daquele que fala em mim, Cristo, o qual não é fraco em vós, mas sim poderoso em vós?[2]MAS SIM PODEROSO EM VÓSNão só pelos seus estupendos milagres, mas também pelos seus espantosos castigos, quais constam da primeira Epístola. — Éstio.

4Porque ainda que foi crucificado por enfermidade: Vive todavia pelo poder de Deus. Porque também nós somos enfermos nele: Mas viveremos com êle, pela virtude de Deus em vós.

5Examinai-vos a vós mesmos, se estais firmes na fé: Provai-vos a vós mesmos. Acaso não vos conheceis a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se é que porventura não sois reprovados.

6Mas espero que conhecereis que nós não somos reprovados.

7E rogamos a Deus que não façais mal nenhum, não porque nós pareçamos aprovados, mas a fim de que vós façais o que é bem: Ainda que nós sejamos como reprovados.

8Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade.

9Porque nos alegramos de ser fracos, enquanto vós sois fortes. E ainda rogamos pela vossa perfeição.

10Portanto, eu vos escrevo isto ausente, para que estando presente não empregue com rigor a autoridade, que Deus me deu para edificação, não para destruição.

11Quanto ao mais, irmãos, alegrai-vos, sede perfeitos, admoestai-vos, senti uma e a mesma coisa, tende paz, e o Deus da paz e da dileção será convosco.

12Saudai-vos uns aos outros em ósculo santo. Todos os santos vos saudam.

13A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, e a caridade de Deus, e a comunicação do Espírito Santo seja com todos vós. Amém.

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Data e lugar em que foi escrita. — Concordam os críticos em que esta Epístola foi escrita pouco depois das precedentes, no ano 57, segundo o maior número. S. Paulo estava na Macedônia, talvez em Filipos, para onde veio depois a perseguição que o obrigou a deixar Éfeso, e ali se encontra com Tito, por quem tem conhecimento do que se passava em Corinto. Em vista das informações prestadas, que eram desfavoráveis, pois que davam conta de inimizades, rixas freqüentes, vaidades mal reprimidas, ambições criminosas, escreveu, pelo muito afeto que consagrava a esta cristandade, a sua segunda Epístola, encarregando o seu próprio discípulo de ser o portador dela para Corinto.

Objeto. — Nesta carta nota-se uma apologia da sua conduta e do seu ministério; apologia moderada, depois franca, e no fim acerada e veemente.

Divisão. — Compreende um prólogo, 1, 14, em que descreve os seus sofrimentos.

Três seções: 1.ª, 1, 15; c. 7, Apologia calma.

2.ª — Digressão sôbre a esmola e mútuo auxílio, cc. 8 e 9.

3.ª — Apologia animada e veemente, cc. 10 e 12.

Nesta Epístola revela S. Paulo o seu judicioso critério e procura: 1.º dissipar qualquer prevenção contra a sua pessoa; 2.º reformar os abusos; 3.º confundir os falsos mestres.

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