Capítulo 1
1Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado Apóstolo, escolhido para o Evangelho de Deus.[1]CHAMADO APÓSTOLO — Entende-se por Deus, segundo o que já vimos nos At 9, 15, e 13, 2. - Pereira.
2O qual Evangelho tinha êle antes prometido pelos seus profetas nas Santas Escrituras
3sôbre seu Filho Jesus Cristo Senhor nosso, que lhe foi feito da linhagem de David, segundo a carne.
4Que foi predestinado Filho de Deus com poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dentre os mortos:[2]QUE FOI PREDESTINADO FILHO DE DEUS — Como homem, Jesus Cristo era predestinado para ser Filho de Deus. Provam a sua divindade os milagres que operou, a sua ressurreição e a voz do Espírito Santo. Hic est Filius meus dilectus...
5Pelo qual havemos recebido a graça, e o Apostolado para que se obedeça à Fé em tôdas as gentes pelo seu Nome.
6Entre os quais também vós sois chamados de Jesus Cristo:
7A todos os que estão em Roma; queridos de Deus, chamados Santos, graça vos seja dada, e paz da parte de Deus nosso Pai, e da de Jesus Cristo nosso Senhor.[3]CHAMADOS SANTOS — Já vimos nos Atos dos Apóstolos, 9, 13. 32. 41, e 26, 10. 18, e o tornaremos a ver nos capítulos oitavo, duodécimo e décimo quinto desta mesma Epístola, que êste nome de Santos era, na primitiva Igreja, um nome comum a todos os fiéis. E isto não porque todos fôssem Santos, mas porque tanto na igreja Universal, como na igreja Particular, são os Santos os melhores e mais principais membros dela, até para a sua abonação. - Éstio.
8Primeiramente dou na verdade graças ao meu Deus por Jesus Cristo na consideração de todos vós: Porque em todo o mundo é divulgada a vossa fé.
9Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito no Evangelho do seu Filho, me é testemunha que incessantemente faço menção de vós,
10sempre nas minhas orações: Rogando-lhe que me abra enfim nalguma ocasião de qualquer modo algum caminho favorável, sendo esta a vontade dêle, Deus, para ir a vós.
11Porque vos desejo ver: Para vos comunicar alguma graça espiritual com que sejais confirmados:
12Isto é, para me consolar juntamente convosco, por aquela vossa e minha fé que uns e outros professamos.
13Mas não quero que vós, irmãos, ignoreis isto: Que muitas vêzes tenho proposto ir ver-vos, (e tenho sido impedido até agora) para lograr também algum fruto entre vós como ainda entre as outras nações.
14Eu sou devedor a gregos, e a bárbaros, a sábios e a ignorantes:
15Assim (quanto é em mim) estou pronto para vos anunciar também o Evangelho, a vós que viveis em Roma.
16Porque eu não me envergonho do Evangelho. Porquanto a virtude de Deus é para dar a salvação a todo o que crê, ao judeu primeiro, e ao grego.
17Porque a Justiça de Deus se descobre nêle de fé em fé, como está escrito: O justo porém vive da fé.
18Porque a ira de Deus se manifesta do Céu contra tôda a impiedade, e injustiça daqueles homens, que retêm na injustiça a verdade de Deus.
19Porque o que se pode conhecer de Deus lhe é manifesto a êles: Porque Deus lho manifestou.
20Na verdade as suas perfeições invisíveis, tornadas compreensíveis depois da criação do mundo, consideradas pelas obras que foram feitas, e que passaram a ser tão visíveis como a virtude sempiterna e a sua divindade, de tal sorte que são inescusáveis.
21Porquanto depois de terem reconhecido a Deus, não o glorificaram como a Deus, ou deram graças: Antes se desvaneceram nos seus pensamentos, e se obscureceu o seu coração insensato.[4]PORQUANTO DEPOIS DE TEREM RECONHECIDO A DEUS — Dá o Apóstolo a razão de serem inescusáveis os filósofos gentios. E a razão é, porque tendo conhecido pelo lume do entendimento, que um só Deus era o Criador conservador do mundo, não o glorificaram, nem lhe deram graças, como o Criador e conservador, antes o culto de reconhecimento, e de sujeição, que deviam tributar a êste Deus, e que deviam ensinar ao povo ignorante, êles o tributaram aos ídolos, e ensinaram o povo a que lho tributasse. Erradamente se pretende concluir daqui contra as imagens, pois o Apóstolo refere-se aos ídolos do paganismo.
22Porque atribuindo-se o nome de sábios, se tornaram estultos,
23e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança de figura de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de serpentes.
24Pelo que os entregou Deus aos desejos dos seus corações, à imundícia: De modo que desonraram os seus corpos em si mesmos.
25Os quais mudaram a verdade de Deus em mentira, e adoraram, e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito por todos os séculos. Amém.
26Por isso os entregou Deus a paixões de ignomínia. Porque as suas mulheres mudaram o natural uso em outro uso, que é contra a natureza.
27E assim mesmo também os homens, deixado o natural uso das mulheres, arderam nos seus desejos mutuamente, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em si mesmos a paga que era devida ao seu pecado.
28E assim como êles não deram provas de que tivessem o conhecimento de Deus, assim os entregou Deus a um sentimento depravado, para que fizessem coisas que não convém,
29cheios de tôda a iniquidade, de malícia, de desonestidade, de avareza, de maldade, cheios de inveja, de homicídios, de contendas, de engano, de malignidade, mexeriqueiros,
30murmuradores, aborrecidos de Deus, contumeliosos, soberbos, altivos, inventores de males, desobedientes a seus pais,
31insipientes, imodestos, sem benevolência, sem palavra, sem misericórdia.
32Os quais tendo conhecido a justiça de Deus, não compreenderam que os que fazem semelhantes coisas, são dignos de morte: Não somente os que estas coisas fazem, senão também os que consentem aos que as fazem.