Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 13

Todos devem obedecer aos príncipes. O seu poder vem de Deus. O que lhes resiste, condena-se. Éles não são para temer senão os maus. Deus lhes deu a espada para castigar. A consciência nos obriga a estarmos-lhes sujeitos. Os tributos são devidos aos príncipes por serem ministros de Deus. Não se lhes devem negar os seus direitos. O amor do próximo é o complemento da lei. O tempo da graça nos obriga particularmente a êste amor. Éste tempo é o tempo da luz, tempo inimigo do vício, e destinado às virtudes e à imitação de Jesus Cristo.

1Todo o homem esteja sujeito aos poderes superiores: Porque não há poder que não venha de Deus: E os que há êsses foram por Deus ordenados.[1]TODO O HOMEM ESTEJA SUJEITO AOS PODERES SUPERIORESTodo o homem, sem exceção alguma de estados ou condições, esteja sujeito às potestades superiores, isto é, aos príncipes do século e aos seus magistrados, ainda que seja um profeta, ainda que seja um Apóstolo, ainda que seja um Evangelista, porque esta sujeição não destrói a piedade. E se S. Paulo assim o mandou, quando os príncipes eram infiéis, com quanto maior razão se lhes deve agora render esta obediência, quando êles são fiéis? - S. João Crisóstomo e Teodoreto. Entende-se porém quando poderes legítimos.

2Aquele pois que resiste à potestade, resiste à ordenação de Deus: E os que lhe resistem, a si mesmos trazem a condenação:

3Porque os príncipes não são para temer quando se faz o que é bom, mas quando se faz o que é mau. Queres tu pois não temer a potestade? Obra bem: E terás louvor dela mesma:

4Porque o príncipe é o ministro de Deus para bem teu. Mas se obrares mal, teme: Porque não é debalde que êle traz a espada. Porquanto êle é ministro de Deus; vingador em ira contra aquele que obra mal.

5É logo necessário que lhe estejais sujeitos, não somente pelo temor do castigo, mas também por obrigação de consciência.[2]MAS TAMBÉM POR OBRIGAÇÃO DE CONSCIÊNCIADêste lugar se segue manifestamente, que tôda a lei e todo o preceito que emana do poder legítimo dos homens, ou seja política, (que é a que aqui trata o Apóstolo) ou seja eclesiástica, obriga os súbditos em consciência, isto é, diante de Deus e não só no fôro exterior. E na verdade a doutrina contrária não sòmente é falsa e alheia do sentido das Escrituras, mas também nociva e inimiga da piedade, porque torna hipócritas os homens, enquanto só servem à vista e não de coração, o que o Apóstolo vitupera escrevendo aos Efésios. - Éstio. Mas esta obrigação de consciência refere-se ao poder legítimo e que virá ao bem dos homens, inspirado no bem e na justiça.

6Porque por esta causa pagais também tributos: Pois são ministros de Deus, servindo-os nisto mesmo.

7Pagai pois a todos o que lhes é devido: A quem tributo, tributo: A quem imposto, imposto: A quem temor, temor: A quem honra, honra.

8A ninguém devais coisa alguma, senão ao amor com que vos ameis uns aos outros: Porque aquele que ama o próximo, tem cumprido com a lei.[3]A NINGUÉM DEVAIS COISA ALGUMA SENÃO AO AMORTôdas as outras dívidas se extinguem pagando-se, só a dívida do amor recíproco nunca se extingue porque sempre nos devemos amar uns aos outros. - Amelote.

9Porque êstes mandamentos de Deus: Não cometerás adultério: Não matarás: Não furtarás: Não dirás falso testemunho: Não cobiçarás: E se há algum outro mandamento, todos êles vêm a resumir-se nestas palavras: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

10O amor do próximo não obra mal. Logo a caridade é o complemento da lei.

11E pratiquemos isto sabendo que é chegado o tempo, que é já hora de nos levantarmos do sono. Porquanto agora está mais perto a nossa salvação, que quando recebemos a fé.

12A noite passou e o dia vem chegando. Deixemos pois as obras das trevas, e vistamo-nos das armas da luz.

13Caminhemos como de dia, honestamente: Não em glotonarias e borracheiras, não em desonestidades e dissoluções, não em contendas e emulações:

14Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo: E não façais caso da carne em seus apetites.

↑ topo reporte um problema
📄 PDF
📄 Original