Capítulo 1
1Eis-aqui os nomes dos filhos de Israel, que vieram para o Egito com Jacó, e que nêle entraram cada um com a sua família.
2Rúben, Simeão, Levi, Judá,
3Issacar, Zabulon, Benjamim,
4Dan, Neftali, Gad, e Aser.
5Todos os que tinham saído de Jacó faziam o número de setenta pessoas: José porém estava no Egito.
6Depois da morte de José, e da de todos seus irmãos, e de tôda esta parentela,
7cresceram os filhos de Israel, e como uns renovos se multiplicaram, e feitos em extremo fortes, encheram todo o país.
8Entretanto se levantou no Egito um novo rei, que não conhecia a José,[1]UM NOVO REI — Êste rei pertencia à XIX dinastia. A perseguição, ao que parece começou no reinado de Seti 1.°; continuou com violências sob as ordens de Ramsés 2.°, o Sesóstris dos gregos, e um dos faraós de maior celebridade. A múmia dêste notável monarca foi descoberta no ano de 1881, em Deir-el-Bahari, e conserva-se no museu de Gisé, perto do Cairo.
9e que disse ao seu povo: Vós bem vedes que o povo dos filhos de Israel está muito numeroso, e que é mais forte do que nós.
10Oprimamo-lo pois com manha, para que não suceda, que êle se multiplique ainda mais; e se sobrevier alguma guerra, se una com os nossos inimigos, e depois de nos vencerem, saiam do Egito.
11Constituiu pois o rei sôbre êles certos intendentes de obras, a fim de os afligir com carregos: e os israelitas edificaram a Faraó as cidades das Tendas, Fitom, e Ramessés.[2]FITOM — Hoje é Tell-el-Maskuta. Esta povoação foi rodeada por um muro de tijolos compreendendo quatro hectares de terreno. A superfície era ocupada por armazéns, tabernáculo da vulgata. As investigações modernas descobriram importantes vestígios de Fitom. Ramessés devia estar próximo, pois que aí estava o arsenal da terra de Gessen.
12Mas quanto êle mais os oprimia, tanto os israelitas mais se multiplicavam, e cresciam.
13Pelo que os egípcios aborreciam os filhos de Israel, e os afligiam com insultos.
14Faziam-lhes amargosa a vida, ocupando-os no penoso trabalho de acarretarem cal traçada, e tijolo, e constrangendo-os a cultivar-lhes seus campos.
15Ora o rei do Egito falou às parteiras dos hebreus, das quais uma se chamava Séfora, outra Fua,
16e lhes deu esta ordem: Quando vós partejardes as mulheres dos hebreus, tanto que a criança nascer, se fôr macho, matai-a; se fôr fêmea, deixai-a viver.
17Mas as parteiras temeram a Deus, e não fizeram o que o rei do Egito lhes tinha mandado, antes pelo contrário conservaram os meninos machos.
18O rei, tendo-as mandado vir à sua presença, lhes disse: Que é isto que vós quisestes fazer, perdoando aos meninos machos?
19Elas lhe responderam: As mulheres dos hebreus não são como as dos egípcios: Porque elas mesmas se sabem partejar, e, antes de nós chegarmos, parem.
20Galardoou Deus pois estas parteiras, e o povo foi crescendo, e fortificando-se extraordinariamente.
21E porque as parteiras temeram a Deus, êle lhes estabeleceu as suas casas.[3]LHES ESTABELECEU AS SUAS CASAS — S. Agostinho interpreta êste lugar da seguinte forma: Deus concedeu-lhe a prosperidade e uma numerosa família. S. Agostinho, Contra mendacium, 15, ss.
22Então pôs Faraó a todo o povo êste preceito: Lançai no rio todo o que nascer macho, e não reserveis senão as fêmeas.