Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 27

Ordenações acêrca do altar dos holocaustos, do átrio do tabernáculo, dos vasos sagrados, do azeite, e das lâmpadas.

1Farás também um altar de pau de cetim, que terá cinco côvados de comprido, e outros tantos de largo, isto é, que será quadrado, e terá três côvados de alto.[1]UM ALTARTrata-se aqui do altar dos holocaustos. Pelos dados que a narração bíblica nos fornece, pode descrever-se assim: era uma espécie de cofre sem fundo (Êx 27, 8), de forma quadrangular, tendo 3 côvados de altura, ou seja 1 metro e meio, 5 de comprimento e largura, aproximadamente 2m,50. Era feito de madeira de acácia, guarnecido de bronze; a parte côncava enchia-se de terra e de pedras, em cuja superfície revestida de metal, se queimavam as vítimas destinadas ao sacrifício, e se conservava o fogo sagrado. Cfr. Vigouroux, La Sainte Bible polyglotte.

2Das quatro hastes do altar levantar-se-ão quatro hastes, e tu o cobrirás de bronze.

3Farás para o uso do altar umas caldeiras, que servirão para se receberem as cinzas: farás tenazes, forquilhas, e braseiros: tôdas as quais coisas serão de metal.

4Farás também uma grelha de metal em forma de rêde, em cujos quatro cantos haverá quatro argolas de metal,

5as quais tu porás debaixo do fogão do altar; e a grelha descerá até o meio da sua altura.

6Farás outrossim para o altar dois varais de pau de cetim, os quais chapearás de metal,

7e fá-los-ás passar pelas argolas duma, e outra banda do altar, para servirem a levá-lo.

8Não farás o altar maciço, mas oco, e côncavo por dentro, segundo o modêlo que te foi mostrado no monte.

9Farás também o átrio do tabernáculo. Êle terá da banda do meio-dia umas cortinas de linho fino retorcido, êste lado terá cem côvados de comprido.[2]O ÁTRIOComeça a descrição do átrio, em hebreu hatsar, atrium, vestibulum, onde os fiéis se deviam reunir, e onde se ofereciam os sacrifícios cruentos sôbre o altar dos holocaustos.

10Porás nêle vinte colunas com outras tantas bases de metal: os capitéis, e ornatos das colunas serão de prata.

11Da mesma sorte haverá no lado do Aquilão cortinas de cem côvados de comprido, e vinte colunas cada uma com suas bases de metal, seus capitéis, e seus ornatos de prata.

12A largura do átrio, que olha para o poente, terá cinquenta côvados, ao longo da qual porás umas cortinas, e dez colunas com outras tantas bases.

13A largura do átrio, que olha para o nascente, terá também cinquenta côvados.

14Aqui a um lado porás cortinas pelo espaço de quinze côvados, e três colunas com outras tantas bases.

15Ao outro lado porás cortinas pelo mesmo espaço de quinze côvados, três colunas, e outras tantas bases.

16À entrada do átrio pelo espaço de vinte côvados, porás cortinas de jacinto, de púrpura, de escarlata tingida duas vêzes, e de linho fino retorcido, que serão brincadas de vários bordados. Esta entrada terá quatro colunas com outras tantas bases.

17Tôdas as colunas postas à roda do átrio serão forradas de lâminas de prata. Terão capitéis de prata, e bases de metal.

18O átrio terá cem côvados de comprido, cinquenta de largo, e cinco de alto. As suas cortinas far-se-ão de linho fino retorcido, e as bases serão de metal.

19Todos os vasos, que houverem de servir para qualquer uso, e para qualquer cerimónia do tabernáculo, como também tôdas as estacas, que se empregarem, tanto no tabernáculo, como no átrio, serão de metal.

20Ordena aos filhos de Israel, que te tragam do mais puro azeite de oliveira, espremido no gral, para que as lâmpadas luzam sempre[3]PARA QUE AS LÂMPADAS LUZAM SEMPREEsta disposição era religiosamente cumprida. Samuel dormia no templo para cuidar da lâmpada que ardia diante da Arca do Senhor (Veja-se o v. 3, c. 3 dos 1 Rs).

21no tabernáculo do testemunho fora do véu, que está suspenso diante da arca. Aarão, e seus filhos porão as lâmpadas, para que elas luzam até pela manhã diante do Senhor. Êste culto se continuará sempre, e passará de geração em geração entre os filhos de Israel.

O Êxodo, em hebreu chamado veelle semoth, eis-aqui os nomes, em grego êxodos, saída, é o segundo livro do Pentateuco, escrito por Moisés; conta-nos o cativeiro dos israelitas no Egito, o jugo dos Faraós, e a libertação pela Providência Divina, que suscitou, no meio do povo escolhido, Moisés; narram-se os milagres que acompanharam o têrmo da escravidão; a promulgação da lei no Sinai e a construção do tabernáculo. O Êxodo divide-se em três partes: PRIMEIRA PARTE a) Os acontecimentos que precedem e preparam a saída do Egito: Compreende os doze primeiros capítulos e subdivide-se assim: 1.° Quadro da opressão de Israel, 1 — 2.° História dos primeiros quarenta anos da vida de Moisés, 2 — 3.° Vocação de Moisés e sua volta para o Egito, 3; 4. — 4.° Tentativas inúteis empregadas junto de Faraó para obter a liberdade de Israel, 5; 6 — 5.° Descrição das nove primeiras pragas que não comovem o Faraó, 7-10 — 6.° A décima praga, instituição da Páscoa, morte dos primogénitos e partida precipitada de Israel, 11; 12, 36. SEGUNDA PARTE b) Saída do Egito 12, 37; 18. Contém cinco subdivisões: 1.° Primeiros acampamentos dos hebreus; prescrições para a Páscoa; santificação dos primogênitos; aparição da coluna de nuvens, 12, 37; 13 — 2.° Passagem do Mar Vermelho, 14; 15, 21 — 3.° Viagem dos israelitas e primeiras estações no deserto; o maná: a água milagrosa, 15, 22; 17, 7 — 4.° Vitória alcançada sôbre os Amalecitas, 17, 8-16 — 5.° Visita de Jetro, 18. TERCEIRA PARTE c) Promulgação da lei no Monte Sinai e construção do tabernáculo: Abrange os capítulos 19-40. Subdivide-se: 1.° Conclusão da aliança entre Deus e os hebreus; chegada ao Sinai e preparativos para a promulgação da lei, 19 — 2.° Decálogo, 20 — 3.° Primeiras leis, 21-23, 19 — 4.° Advertências sôbre o ingresso na terra do Canaã, 23, 20; 24, 11 — 5.° Prescrições relativas à construção da Arca e do Tabernáculo, 24, 12; 27 — 6.° Prescrições referentes ao sacerdócio, 28-30 — 7.° Vocação de Belezeel, 31, 1-12 — 8.° A lei de sábado, 31, 12-18 — 9.° A apostasia do povo, adorando o bezerro de ouro; o arrependimento e a oração de Moisés, 32-35. — 10.° Construção do Tabernáculo 35-40. Por aqui se vê que êste livro é a continuação da história da formação da nacionalidade hebraica, e nêle encontramos bem traçada a figura do próprio autor, o grande legislador dos hebreus — Moisés — seu caráter, e a sua obra, obra importantíssima, que seria inexplicável se não recorrermos à intervenção da Providência, como o faz sinceramente o autor sagrado, que coloca sob os nossos olhos a ação de Deus manifestada em favor do seu povo, por tantas, tão variadas e tão evidentes formas.
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