Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 24

Obrigam-se os israelitas a guardar a aliança ajustada com o Senhor. Moisés torna a subir ao monte, e nêle fica quarenta dias.

1Disse também Deus a Moisés: Sobe ao Senhor, tu e Aarão, e Nadab, e Abiu, e setenta anciãos de Israel, e adorareis de longe.

2Só Moisés subirá onde está o Senhor: os outros não se lhe chegarão, nem o povo subirá com êle.

3Veio pois Moisés referir ao povo tôdas as palavras, e tôdas as ordenações do Senhor: e todo o povo respondeu a uma voz: Nós faremos tudo o que o Senhor disse.

4Escreveu Moisés tôdas as ordenações do Senhor: e tendo-se levantado de manhã, erigiu um altar ao sopé do monte, e doze padrões, conforme era o número das doze tribos de Israel.

5E tendo enviado alguns mancebos dentre os filhos de Israel, êstes ofereceram seus holocaustos, e imolaram suas vítimas pacíficas, que foram touros.

6Moisés tomou metade do sangue, e lançou-a numas taças: e derramou a outra sôbre o altar.

7Depois pegou no livro, onde estava escrito o concêrto, e leu-o diante do povo, o qual, depois de o ter ouvido, disse: Tudo o que o Senhor disse faremos, e em tudo lhe seremos obedientes.

8Então tomando o sangue, êle o derramou sôbre o povo, e disse: Eis-aqui o sangue do concêrto, que o Senhor celebrou convosco, debaixo das condições, que eu vos propus.

9Moisés, Aarão, Nadab, Abiu, e os setenta anciãos de Israel, tendo subido,

10viram o Senhor de Israel, e debaixo dos seus pés uma obra feita de safira, que se parecia com o céu quando está sereno.[1]QUE SE PARECIA COM O CÉUIsto é, azul claro.

11O Senhor não estendeu a sua mão para ferir êstes príncipes dos filhos de Israel, que se tinham adiantado até ficarem longe do campo; e, depois de terem visto a Deus, comeram, e beberam.[2]COMERAM E BEBERAMEra opinião comum entre os antigos hebreus que se não podia ver Deus sem morrer no mesmo instante, e o texto quer dizer que, apesar da vista do Senhor, continuaram como até ali.

12E o Senhor disse a Moisés: Sobe ao alto do monte onde eu estou, e ficarás aí. Eu te darei umas tábuas de pedra, e a lei, e os mandamentos, que eu escrevi, para que instruas nêles o povo.

13Depois se levantou Moisés, e com êle Josué seu ministro; e subindo ao monte de Deus, disse Moisés aos anciãos:

14Esperai-nos aqui até que nós venhamos, vós tendes convosco a Aarão, e a Hur: se sobrevier alguma dificuldade, dar-lhe-eis conta dela.

15Tendo subido Moisés, cobriu a nuvem o monte;

16e a glória do Senhor descansou sôbre o Sinai, e cobriu-o de uma nuvem seis dias: e ao sétimo dia chamou Deus a Moisés do meio desta escuridade.

17O que aparecia desta glória do Senhor era como um fogo ardente no mais alto do monte, que se deixava ver de todos os filhos de Israel.

18E Moisés, atravessando a nuvem, subiu ao monte e ficou quarenta dias, e quarenta noites.

O Êxodo, em hebreu chamado veelle semoth, eis-aqui os nomes, em grego êxodos, saída, é o segundo livro do Pentateuco, escrito por Moisés; conta-nos o cativeiro dos israelitas no Egito, o jugo dos Faraós, e a libertação pela Providência Divina, que suscitou, no meio do povo escolhido, Moisés; narram-se os milagres que acompanharam o têrmo da escravidão; a promulgação da lei no Sinai e a construção do tabernáculo. O Êxodo divide-se em três partes: PRIMEIRA PARTE a) Os acontecimentos que precedem e preparam a saída do Egito: Compreende os doze primeiros capítulos e subdivide-se assim: 1.° Quadro da opressão de Israel, 1 — 2.° História dos primeiros quarenta anos da vida de Moisés, 2 — 3.° Vocação de Moisés e sua volta para o Egito, 3; 4. — 4.° Tentativas inúteis empregadas junto de Faraó para obter a liberdade de Israel, 5; 6 — 5.° Descrição das nove primeiras pragas que não comovem o Faraó, 7-10 — 6.° A décima praga, instituição da Páscoa, morte dos primogénitos e partida precipitada de Israel, 11; 12, 36. SEGUNDA PARTE b) Saída do Egito 12, 37; 18. Contém cinco subdivisões: 1.° Primeiros acampamentos dos hebreus; prescrições para a Páscoa; santificação dos primogênitos; aparição da coluna de nuvens, 12, 37; 13 — 2.° Passagem do Mar Vermelho, 14; 15, 21 — 3.° Viagem dos israelitas e primeiras estações no deserto; o maná: a água milagrosa, 15, 22; 17, 7 — 4.° Vitória alcançada sôbre os Amalecitas, 17, 8-16 — 5.° Visita de Jetro, 18. TERCEIRA PARTE c) Promulgação da lei no Monte Sinai e construção do tabernáculo: Abrange os capítulos 19-40. Subdivide-se: 1.° Conclusão da aliança entre Deus e os hebreus; chegada ao Sinai e preparativos para a promulgação da lei, 19 — 2.° Decálogo, 20 — 3.° Primeiras leis, 21-23, 19 — 4.° Advertências sôbre o ingresso na terra do Canaã, 23, 20; 24, 11 — 5.° Prescrições relativas à construção da Arca e do Tabernáculo, 24, 12; 27 — 6.° Prescrições referentes ao sacerdócio, 28-30 — 7.° Vocação de Belezeel, 31, 1-12 — 8.° A lei de sábado, 31, 12-18 — 9.° A apostasia do povo, adorando o bezerro de ouro; o arrependimento e a oração de Moisés, 32-35. — 10.° Construção do Tabernáculo 35-40. Por aqui se vê que êste livro é a continuação da história da formação da nacionalidade hebraica, e nêle encontramos bem traçada a figura do próprio autor, o grande legislador dos hebreus — Moisés — seu caráter, e a sua obra, obra importantíssima, que seria inexplicável se não recorrermos à intervenção da Providência, como o faz sinceramente o autor sagrado, que coloca sob os nossos olhos a ação de Deus manifestada em favor do seu povo, por tantas, tão variadas e tão evidentes formas.
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