Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 38

Construção do altar dos holocaustos, da bacia de metal, e do átrio. Importância do ouro, prata e bronze, que se empregaram na fábrica do tabernáculo.

1Fêz também Beseleel o altar dos holocaustos de pau de cetim, que tinha cinco côvados em quadro, e três de alto:

2e dos seus quatro cantos saíam quatro cornos, e êle o cobriu de lâminas de metal.

3Fêz de metal muitos, e diversos instrumentos, que haviam de servir neste altar; caldeiras, tenazes, pinças, croques, braseiros;

4uma grelha de metal em forma de rede, e por baixo um fogão no meio do altar.

5Fundiu quatro argolas, que pôs aos quatro cantos desta grelha, pelas quais passassem os varais, que pudessem servir para levantar o altar.

6Os quais varais êle também fêz de pau de cetim, e os cobriu de lâminas de metal,

7e os meteu nas argolas, que estavam aos lados do altar. Ora êste altar feito de tábuas não era maciço mas oco, e vazio por dentro.

8Fêz outrossim uma bacia de metal com sua base; obra, para que deram a matéria os espelhos das mulheres, que velavam à porta do tabernáculo.[1]OS ESPELHOS DAS MULHERESOs espelhos então usados eram de metal, a maior parte de bronze polido.

9Fêz mais o átrio, a cujo lado meridional estavam umas cortinas de linho fino retorcido da altura de cem côvados;

10e vinte colunas com suas bases de metal, e os capitéis com todos os seus ornatos de prata.

11Ao lado setentrional cortinas, colunas, bases, e capitéis da mesma medida, do mesmo metal, e do mesmo feitio.

12Mas ao lado, que olhava para o ocidente, não se estendiam as cortinas senão ao espaço de cinquenta côvados; e as colunas eram somente dez com suas bases de metal; e os capitéis das colunas com todos os seus ornatos eram de prata.

13Ao lado oriental pôs êle da mesma sorte cortinas, que ocupavam o espaço de cinquenta côvados de comprido,

14do qual espaço havia quinze côvados duma parte com três colunas, e suas bases;

15e quinze da outra com três colunas, e suas bases: Porque no meio entre as duas ordens de colunas fêz êle a entrada do tabernáculo.

16Tôdas estas cortinas do átrio eram tecidas de linho fino retorcido.

17As bases das colunas eram de metal; os capitéis com todos os seus ornatos eram de prata; e êle vestiu de prata as mesmas colunas.

18Fêz também o grande véu, que estava à entrada do átrio, obra de bordadura de jacinto, de púrpura, de escarlata, e de linho fino retorcido. E êle tinha vinte côvados de comprido, e cinco de alto, segundo a medida, que tinham tôdas as cortinas do átrio.[2]O GRANDE VÉUÊste véu é distinto dos dois véus do Tabernáculo pròpriamente dito. Antes de chegar ao Santo dos Santos encontravam-se três cortinas; a primeira, de que se trata aqui, estava à entrada do átrio; a segunda (Êx 36, 37) à entrada do Tabernáculo e a terceira (Êx 36, 35) à entrada do santuário. Cfr. Vigouroux, La Sainte Bible Polyglotte.

19Havia à entrada quatro colunas com suas bases de metal, seus capitéis, e seus ornatos de prata.

20Fêz também de metal umas estacas, que se haviam de pôr ao redor do tabernáculo, e do átrio.

21Estas são as partes, que compunham o tabernáculo do testemunho, que foram dadas por conta aos levitas por Itamar, filho do sumo sacerdote Aarão, em consequência do que Moisés tinha mandado.

22Tudo acabou Beseleel, filho de Uri, que era filho de Hur da tribo de Judá, segundo a ordem, que o Senhor lhe dera por bôca de Moisés.

23Êle teve por companheiro a Ooliab, filho de Aquisamec da tribo de Dan, que também sabia trabalhar primorosamente em pau, em panos tecidos de fios de diversas côres, e em bordaduras de jacinto, de púrpura, de escarlata, e de linho fino.

24Todo o ouro, que se empregou nas obras do santuário, e que foi voluntàriamente oferecido pelo povo, fazia vinte e nove talentos, e setecentos e trinta siclos, segundo a medida do santuário.[3]VINTE E NOVE TALENTOS E SETECENTOS E TRINTA SICLOSCorrespondiam ao pêso de 1.244 quilogramas de ouro, que valeriam mais de sete mil contos.

25Estas oblações foram feitas pelos que entraram no arrolamento, tendo vinte anos, e daí para cima, que chegaram a seiscentos e três mil quinhentos e cinquenta homens de armas.

26Houve mais além disto cem talentos de prata, de que foram feitas as bases do santuário, e da entrada, onde estava pendurado o véu.[4]CEM TALENTOS DE PRATAO talento de prata equivalia a 1:700$000 rs. aproximadamente, quantia que se deve juntar à soma precedente.

27De cem talentos foram feitas cem bases, levando cada base um talento.

28De mil setecentos e setenta e cinco talentos de prata fêz êle os capitéis das colunas, as quais também cobriu de prata.

29De metal ofereceram-se também setenta e dois mil talentos, e quatrocentos siclos,

30de que se fundiram as bases, que estavam à entrada do tabernáculo do testemunho: e o altar de metal com a sua grelha, e todos os vasos do seu uso;

31e as bases do átrio, que estavam em tôrno dêle, e à sua entrada com as estacas, que se puseram ao redor do tabernáculo, e do átrio.

O Êxodo, em hebreu chamado veelle semoth, eis-aqui os nomes, em grego êxodos, saída, é o segundo livro do Pentateuco, escrito por Moisés; conta-nos o cativeiro dos israelitas no Egito, o jugo dos Faraós, e a libertação pela Providência Divina, que suscitou, no meio do povo escolhido, Moisés; narram-se os milagres que acompanharam o têrmo da escravidão; a promulgação da lei no Sinai e a construção do tabernáculo. O Êxodo divide-se em três partes: PRIMEIRA PARTE a) Os acontecimentos que precedem e preparam a saída do Egito: Compreende os doze primeiros capítulos e subdivide-se assim: 1.° Quadro da opressão de Israel, 1 — 2.° História dos primeiros quarenta anos da vida de Moisés, 2 — 3.° Vocação de Moisés e sua volta para o Egito, 3; 4. — 4.° Tentativas inúteis empregadas junto de Faraó para obter a liberdade de Israel, 5; 6 — 5.° Descrição das nove primeiras pragas que não comovem o Faraó, 7-10 — 6.° A décima praga, instituição da Páscoa, morte dos primogénitos e partida precipitada de Israel, 11; 12, 36. SEGUNDA PARTE b) Saída do Egito 12, 37; 18. Contém cinco subdivisões: 1.° Primeiros acampamentos dos hebreus; prescrições para a Páscoa; santificação dos primogênitos; aparição da coluna de nuvens, 12, 37; 13 — 2.° Passagem do Mar Vermelho, 14; 15, 21 — 3.° Viagem dos israelitas e primeiras estações no deserto; o maná: a água milagrosa, 15, 22; 17, 7 — 4.° Vitória alcançada sôbre os Amalecitas, 17, 8-16 — 5.° Visita de Jetro, 18. TERCEIRA PARTE c) Promulgação da lei no Monte Sinai e construção do tabernáculo: Abrange os capítulos 19-40. Subdivide-se: 1.° Conclusão da aliança entre Deus e os hebreus; chegada ao Sinai e preparativos para a promulgação da lei, 19 — 2.° Decálogo, 20 — 3.° Primeiras leis, 21-23, 19 — 4.° Advertências sôbre o ingresso na terra do Canaã, 23, 20; 24, 11 — 5.° Prescrições relativas à construção da Arca e do Tabernáculo, 24, 12; 27 — 6.° Prescrições referentes ao sacerdócio, 28-30 — 7.° Vocação de Belezeel, 31, 1-12 — 8.° A lei de sábado, 31, 12-18 — 9.° A apostasia do povo, adorando o bezerro de ouro; o arrependimento e a oração de Moisés, 32-35. — 10.° Construção do Tabernáculo 35-40. Por aqui se vê que êste livro é a continuação da história da formação da nacionalidade hebraica, e nêle encontramos bem traçada a figura do próprio autor, o grande legislador dos hebreus — Moisés — seu caráter, e a sua obra, obra importantíssima, que seria inexplicável se não recorrermos à intervenção da Providência, como o faz sinceramente o autor sagrado, que coloca sob os nossos olhos a ação de Deus manifestada em favor do seu povo, por tantas, tão variadas e tão evidentes formas.
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