Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 31

Beseleel, e Ooliab destinados por Deus para trabalharem o tabernáculo. Leis tocantes ao sábado. As duas tábuas da lei dadas a Moisés.

1Falou mais o Senhor a Moisés, e lhe disse:

2Eu chamei nomeadamente a Beseleel filho de Uri, filho de Hur da tribo de Judá,

3e eu o enchi do espírito de Deus, eu o enchi de sabedoria, de inteligência, e de ciência para tôda a casta de obras,

4para inventar tudo o que a arte pode fazer de ouro, de prata, de bronze,

5de mármores, de pedras preciosas, e de tôda a diversidade de paus.

6Eu lhe dei por companheiro Ooliab, filho de Aquisamec da tribo de Dan. E eu pus a sabedoria no coração de todos os artífices hábeis, para fazerem tudo o que te tenho ordenado que se faça.

7O tabernáculo da aliança, a arca do testemunho, o propiciatório, que está por cima dela, e tudo o que deve servir no tabernáculo:

8a mesa com os seus vasos, o candieiro puríssimo com os seus vasos, o altar dos perfumes,

9e o altar dos holocaustos com todos os seus vasos, e a bacia com a sua base:

10as santas vestimentas destinadas para o ministério do sacerdote Aarão, e de seus filhos, para que êles exercitem as funções do seu ofício revestidos de ornamentos sagrados:

11o óleo da unção, e o perfume aromático, que deve servir no santuário. Numa palavra, êles farão tudo o que eu te mandei que se fizesse.

12Falou mais o Senhor a Moisés, e lhe disse:

13Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Tende grande cuidado de observar o meu sábado, porque êste é o sinal que eu estabeleci entre mim, e vós, e que deve passar depois de vós a vossos filhos; para que vós saibais que eu é que sou o Senhor, que vos santifico.[1]TENDE GRANDE CUIDADO DE OBSERVAR O MEU SÁBADOE' a terceira vez que encontramos êste preceito exarado no Êxodo, prova concludente da sua grande importância, inculcada pelo próprio Deus aos homens e pregada pelos profetas. Doze vêzes Moisés intima êste preceito ao povo de Israel. Os autores sagrados, que se sucedem antes e depois do cativeiro de Babilónia, insistem com uma persistência notável sôbre o cumprimento dêste preceito divino. Isaías, Jeremias, Ezequiel, Oséias, Amós não se cansam de anunciar os bens que resultam da obediência a êste preceito, e os males que provêm da profanação do dia do Senhor. (Cfr. Perennès, Inst. du dimanche, pág. 61 e seguintes.) Neste lugar apresenta-se o sábado como sinal da aliança entre Deus e o seu povo, (vv. 13.16 s) e considera-se réu de morte o profanador dêste santo dia. (vv. 14 s).

14Guardai o meu sábado, porque êle deve ser santo para vós. Aquêle que o violar, será castigado com a morte. Se algum trabalhar neste dia, perecerá do meio do seu povo.

15Vós trabalhareis seis dias; mas o dia sétimo é o sábado e o descanso consagrado ao Senhor. Todo o que trabalhar neste dia morrerá.

16Os filhos de Israel guardem o sábado, e celebrem-no de idade em idade. Êste é um pacto sempiterno

17entre mim, e os filhos de Israel, e um sinal, que durará sempre. Porque o Senhor fêz em seis dias o céu, a terra, e no dia sétimo cessou de obrar.

18Tendo o Senhor acabado de falar desta sorte no monte Sinai, deu a Moisés as duas tábuas do testemunho feitas de pedra, e escritas pelo dedo de Deus.

O Êxodo, em hebreu chamado veelle semoth, eis-aqui os nomes, em grego êxodos, saída, é o segundo livro do Pentateuco, escrito por Moisés; conta-nos o cativeiro dos israelitas no Egito, o jugo dos Faraós, e a libertação pela Providência Divina, que suscitou, no meio do povo escolhido, Moisés; narram-se os milagres que acompanharam o têrmo da escravidão; a promulgação da lei no Sinai e a construção do tabernáculo. O Êxodo divide-se em três partes: PRIMEIRA PARTE a) Os acontecimentos que precedem e preparam a saída do Egito: Compreende os doze primeiros capítulos e subdivide-se assim: 1.° Quadro da opressão de Israel, 1 — 2.° História dos primeiros quarenta anos da vida de Moisés, 2 — 3.° Vocação de Moisés e sua volta para o Egito, 3; 4. — 4.° Tentativas inúteis empregadas junto de Faraó para obter a liberdade de Israel, 5; 6 — 5.° Descrição das nove primeiras pragas que não comovem o Faraó, 7-10 — 6.° A décima praga, instituição da Páscoa, morte dos primogénitos e partida precipitada de Israel, 11; 12, 36. SEGUNDA PARTE b) Saída do Egito 12, 37; 18. Contém cinco subdivisões: 1.° Primeiros acampamentos dos hebreus; prescrições para a Páscoa; santificação dos primogênitos; aparição da coluna de nuvens, 12, 37; 13 — 2.° Passagem do Mar Vermelho, 14; 15, 21 — 3.° Viagem dos israelitas e primeiras estações no deserto; o maná: a água milagrosa, 15, 22; 17, 7 — 4.° Vitória alcançada sôbre os Amalecitas, 17, 8-16 — 5.° Visita de Jetro, 18. TERCEIRA PARTE c) Promulgação da lei no Monte Sinai e construção do tabernáculo: Abrange os capítulos 19-40. Subdivide-se: 1.° Conclusão da aliança entre Deus e os hebreus; chegada ao Sinai e preparativos para a promulgação da lei, 19 — 2.° Decálogo, 20 — 3.° Primeiras leis, 21-23, 19 — 4.° Advertências sôbre o ingresso na terra do Canaã, 23, 20; 24, 11 — 5.° Prescrições relativas à construção da Arca e do Tabernáculo, 24, 12; 27 — 6.° Prescrições referentes ao sacerdócio, 28-30 — 7.° Vocação de Belezeel, 31, 1-12 — 8.° A lei de sábado, 31, 12-18 — 9.° A apostasia do povo, adorando o bezerro de ouro; o arrependimento e a oração de Moisés, 32-35. — 10.° Construção do Tabernáculo 35-40. Por aqui se vê que êste livro é a continuação da história da formação da nacionalidade hebraica, e nêle encontramos bem traçada a figura do próprio autor, o grande legislador dos hebreus — Moisés — seu caráter, e a sua obra, obra importantíssima, que seria inexplicável se não recorrermos à intervenção da Providência, como o faz sinceramente o autor sagrado, que coloca sob os nossos olhos a ação de Deus manifestada em favor do seu povo, por tantas, tão variadas e tão evidentes formas.
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