Capítulo 36
1Trabalhou pois Beseleel com Ooliab em tôdas estas obras, e trabalharam todos os homens hábeis, a quem o Senhor tinha dado sabedoria, e inteligência para saberem fazer excelentemente, o que era necessário para o uso do santuário, e tudo o que o Senhor tinha ordenado.
2Porque tendo-os Moisés feito vir com todos os homens hábeis, aos quais o Senhor tinha dado sabedoria, e os que de sua vontade se tinham oferecido para trabalhar nesta obra,
3êle lhes entregou tôdas as ofertas dos filhos de Israel. E quando êles se aplicavam já a adiantar a obra, continuava ainda o povo a oferecer todos os dias pela manhã os seus dons.
4Isto obrigou os artífices a virem dizer a Moisés:
5O povo oferece mais do que se há mister.
6Mandou pois Moisés que à voz do pregoeiro se fizesse publicamente esta declaração: Nenhum homem, nem mulher ofereça mais nada daqui em diante para as obras do santuário. Assim cessaram todos de oferecer presentes,
7porque o que se tinha já oferecido bastava, e ainda sobejava.
8Todos êstes homens pois, cujo coração estava cheio de sabedoria para trabalharem nas obras do tabernáculo, fizeram dez cortinas de linho retorcido, de jacinto, de púrpura, de escarlata tinta duas vêzes, tudo bordado, e de diversas côres.
9Cada cortina tinha vinte e oito côvados de comprido, e quatro de largo, e tôdas as cortinas eram duma mesma medida.
10Juntou cinco destas cortinas uma à outra, e as outras cinco da mesma sorte entre si.[1]JUNTOU CINCO DESTAS CORTINAS — O Padre Antônio Pereira traduziu "cinco destas cortinas estavam juntas uma a outra", ora não é isto o que está na Vulgata, que diz: "Conjunxitque", verbo que está na terceira pessoa do singular, e que por isso deve ter um sujeito no singular; êle juntou, conforme traduz Glaire, La Sainte Bible traduite. O sujeito é Beseleel, indicado no versículo 1.º, que é o sujeito dêste verbo e dos seguintes. Vigouroux, La Sainte Bible Polyglotte.
11Uma cortina tinha cordões de jacinto na ourela duma, e outra banda; e a cortina da mesma sorte cordões na ourela;
12para que estando os cordões defronte um do outro, se ajuntassem reciprocamente as cortinas.
13Por isso fêz êle fundir também cinquenta argolas de ouro, onde se pudessem prender os cordões das cortinas, para que tudo não parecesse senão um tabernáculo.
14Fêz também onze cobertas de pêlos de cabra para cobrir o teto do tabernáculo.
15Cada uma destas cobertas tinha trinta côvados de comprido, e quatro de largo, e eram tôdas da mesma medida.
16Destas ajuntaram êles cinco a uma banda, e seis à outra.
17Fêz também cinquenta cordões na ourela duma coberta, e cinquenta cordões na ourela da outra para estarem juntas.
18Fêz outrossim cinquenta fivelas de bronze para as ter prêsas, a fim de parecer tudo uma peça.
19Fêz além disto uma terceira coberta de peles de carneiro tintas de vermelho, e por cima desta outra quarta coberta de peles roxas.[2]TINTAS DE VERMELHO — Os egípcios usavam muito estas coberturas multicolores; encontra-se um exemplo na sepultura da princesa egípcia Zumkliele, descoberta por H. Brugsch.
20Fêz também tábuas de pau de cetim para o tabernáculo, que estavam postas ao alto.[3]FÊZ — Traduzimos o verbo no singular, e não no plural como se encontra na tradução do Padre Antônio Pereira, pela razão apontada na nota 1.ª dêste capítulo; a vulgata diz Fecit, e no original está ia'ss, que lhe corresponde perfeitamente, não havendo razão nenhuma que justifique o plural. Glaire traduz Il fit, e no capítulo seguinte, que é a continuação dêste, aparece o sujeito claro, e o Padre Pereira de Figueiredo traduziu então no singular.
21Cada uma destas tábuas tinha dez côvados de comprido, e côvado e meio de largo.
22Cada tábua tinha sua lingueta, e seu encaixe para entrar uma na outra. Tôdas as tábuas do tabernáculo eram feitas dêste mesmo modo.
23E vinte delas estavam da banda meridional olhando para o austro,
24com quarenta bases de prata. Cada tábua assentava sôbre duas bases duma, e outra parte dos ângulos no lugar, onde os encaixes dos lados se terminam nos ângulos.
25Fêz outrossim para o lado do tabernáculo, e que olha para o aquilão, vinte tábuas,
26com quarenta bases de prata, a duas para cada tábua.
27Mas para o lado do tabernáculo, que fica ao ocidente e que olha para o mar, não fizeram senão seis tábuas,
28e mais duas, que estavam postas nos ângulos por detrás do tabernáculo.
29Estas estavam juntas de alto a baixo, fazendo um só corpo. A mesma coisa fizeram êles nos dois ângulos dos dois lados.
30Eram por tôdas oito tábuas, as quais tinham dezesseis bases de prata, a duas por tábua.
31Fêz também uns grandes barrotes de pau de cetim, cinco para atravessar, e segurar tôdas as tábuas duma banda do tabernáculo,
32e outros cinco para atravessar, e segurar as tábuas da outra; e fora êstes ainda outros cinco para o lado do tabernáculo, que fica ao ocidente, e que olha para o mar.
33Fêz mais outro barrote, que passava pelo meio das tábuas dum canto até o outro.
34Dourou tôdas estas tábuas, que assentavam em bases de prata fundidas, fêz outrossim umas argolas de ouro, pelas quais entrassem os barrotes de pau, que êles também cobriram de lâminas de ouro.
35Fêz um véu de jacinto, de púrpura, de escarlata, de linho fino retorcido, tudo bordado, e tudo matizado.
36Fêz quatro colunas de pau de cetim, que cobriram de lâminas de ouro com os seus capitéis; e as suas bases eram de prata.
37Fêz mais o véu para a entrada do tabernáculo, que era de jacinto, de púrpura, de escarlata, de linho fino retorcido, tudo obra de bordadura.
38Fêz também cinco colunas com seus capitéis, as quais cobriram de ouro e as suas bases fundidas, feitas de metal.