Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 40

Ereção do tabernáculo. Êle é coberto da nuvem, que representa a majestade de Deus.

1Depois falou o Senhor a Moisés, e lhe disse:

2Levantarás o tabernáculo do testemunho no primeiro dia do primeiro mês.[1]NO PRIMEIRO DIA DO PRIMEIRO MÊSE do segundo ano, diz o versículo 15. A execução dos trabalhos prescritos por Deus durou pouco mais de seis meses; porque os hebreus gastaram dois meses a chegar ao deserto de Sinai (Êx 19, 1) e Moisés tinha estado no monte três meses; portanto mais de cinco decorreram antes do comêço dos trabalhos, e a inauguração teve lugar no primeiro dia do segundo ano.

3Porás nêle a arca, e suspenderás por diante o véu.

4Trarás a mesa, e porás sôbre ela o que eu te mandei, segundo a ordem, que te foi prescrita. Porás o candieiro com as lâmpadas,

5e o altar de ouro, sôbre que se queima o incenso diante da arca do testemunho. Porás o véu à entrada do tabernáculo,

6e diante dêle o altar dos holocaustos.

7A bacia, que tu encherás d'água, pô-la-ás entre o altar, e o tabernáculo.

8Cercarás de cortinas o átrio, e a sua entrada.

9E tomando o azeite das unções, ungirás com êle o tabernáculo com os seus vasos para êles ficarem santificados:

10o altar dos holocaustos e todos os seus vasos;

11a bacia com a sua base. Tôdas estas peças sagrarás tu com o óleo destinado para as unções, para tôdas elas serem santas, e sagradas.

12Chamarás Aarão e seus filhos à entrada do tabernáculo do testemunho; e depois de lavados na água,

13os vestirás das santas vestimentas, para que êles me sirvam, e para que a sua unção se continue para sempre nos sacerdotes, que lhes sucederem.[2]PARA QUE A SUA UNÇÃO SE CONTINUE PARA SEMPREEsta unção imprimia nos sacerdotes da antiga lei, como o Sacramento da Ordem nos da Nova, um caráter pelo qual eram sacerdotes durante tôda a vida. Outros explicam o texto neste sentido, que a unção foi só para os filhos de Aarão, que a receberam por todos os seus sucessores, visto que, sendo o sacerdócio hereditário na sua família, não era necessário reiterá-la para qualquer sacerdote dessa estirpe (Cfr. Vigouroux, ob. cit.).

14E Moisés fêz tudo o que o Senhor lhe tinha mandado.

15Portanto no primeiro dia do primeiro mês do segundo ano foi colocado o tabernáculo.

16Moisés tendo-o ereto, pôs as tábuas com as bases, e os barrotes de pau, e assentou as colunas.

17Estendeu o teto sôbre o tabernáculo, e pôs-lhe por cima a cobertura, como o Senhor tinha mandado.

18Pôs o testemunho na arca: fêz passar os varais pelas argolas, e pôs o oráculo por cima da arca.[3]O TESTEMUNHOAs tábuas da lei.

19E tendo levado a arca para o tabernáculo, pendurou diante dela o véu, em cumprimento do que o Senhor tinha ordenado.

20Pôs a mesa no tabernáculo do testemunho, ao lado setentrional, fora do véu,

21e arranjou diante do Senhor os pães da proposição como o Senhor lhe tinha mandado.

22Pôs o candieiro no tabernáculo do testemunho, ao lado, que olha para o meio-dia, defronte da mesa;

23e dispôs as lâmpadas pela sua ordem, conforme o mandamento do Senhor.

24Pôs o altar de ouro debaixo da tenda do testemunho, diante do véu,

25e queimou em cima o incenso, composto de aromas, como o Senhor lhe tinha ordenado.

26Pôs também o véu à entrada do tabernáculo do testemunho,

27e o altar do holocausto no vestíbulo do testemunho, sôbre o qual ofereceu êle holocausto, e sacrifícios, como o Senhor tinha mandado.[4]OFERECEU ÊLE O HOLOCAUSTOE' o próprio Moisés que desempenha as funções sacerdotais, porque Aarão e seus filhos não tinham sido sagrados.

28Pôs outrossim a bacia entre o tabernáculo do testemunho, e o altar, e a encheu d'água.

29E nela lavaram Moisés, Aarão, e seus filhos as suas mãos, e os seus pés,

30antes de entrarem no tabernáculo do concêrto, e chegarem ao altar, como o Senhor tinha ordenado.

31Erigiu também o átrio ao redor do tabernáculo, e do altar, e pôs o véu à sua entrada. Depois de tôdas estas coisas acabadas,

32uma nuvem cobriu o tabernáculo do testemunho, e êle foi cheio da glória do Senhor.[5]A NUVEME' a coluna da nuvem de que adiante se falou. Era como o sinal sensível da presença de Deus no meio do seu povo. Desce sôbre o tabernáculo para indicar que Iahvéh tomou posse da sede divina.

33E Moisés não podia entrar no tabernáculo do concêrto, porque a nuvem cobria tudo, e a majestade do Senhor resplandecia de tôdas as partes, estando tudo coberto desta nuvem.

34Quando a nuvem se retirava do tabernáculo partiam os filhos de Israel divididos pelas suas turmas.

35Se ela parava em cima, ficavam êles no mesmo lugar.

36Porque de dia repousava a nuvem do Senhor sôbre o tabernáculo, e de noite aparecia sôbre êle uma chama, que todos os filhos de Israel viam de qualquer lugar, onde estivessem alojados.

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O Êxodo, em hebreu chamado veelle semoth, eis-aqui os nomes, em grego êxodos, saída, é o segundo livro do Pentateuco, escrito por Moisés; conta-nos o cativeiro dos israelitas no Egito, o jugo dos Faraós, e a libertação pela Providência Divina, que suscitou, no meio do povo escolhido, Moisés; narram-se os milagres que acompanharam o têrmo da escravidão; a promulgação da lei no Sinai e a construção do tabernáculo. O Êxodo divide-se em três partes: PRIMEIRA PARTE a) Os acontecimentos que precedem e preparam a saída do Egito: Compreende os doze primeiros capítulos e subdivide-se assim: 1.° Quadro da opressão de Israel, 1 — 2.° História dos primeiros quarenta anos da vida de Moisés, 2 — 3.° Vocação de Moisés e sua volta para o Egito, 3; 4. — 4.° Tentativas inúteis empregadas junto de Faraó para obter a liberdade de Israel, 5; 6 — 5.° Descrição das nove primeiras pragas que não comovem o Faraó, 7-10 — 6.° A décima praga, instituição da Páscoa, morte dos primogénitos e partida precipitada de Israel, 11; 12, 36. SEGUNDA PARTE b) Saída do Egito 12, 37; 18. Contém cinco subdivisões: 1.° Primeiros acampamentos dos hebreus; prescrições para a Páscoa; santificação dos primogênitos; aparição da coluna de nuvens, 12, 37; 13 — 2.° Passagem do Mar Vermelho, 14; 15, 21 — 3.° Viagem dos israelitas e primeiras estações no deserto; o maná: a água milagrosa, 15, 22; 17, 7 — 4.° Vitória alcançada sôbre os Amalecitas, 17, 8-16 — 5.° Visita de Jetro, 18. TERCEIRA PARTE c) Promulgação da lei no Monte Sinai e construção do tabernáculo: Abrange os capítulos 19-40. Subdivide-se: 1.° Conclusão da aliança entre Deus e os hebreus; chegada ao Sinai e preparativos para a promulgação da lei, 19 — 2.° Decálogo, 20 — 3.° Primeiras leis, 21-23, 19 — 4.° Advertências sôbre o ingresso na terra do Canaã, 23, 20; 24, 11 — 5.° Prescrições relativas à construção da Arca e do Tabernáculo, 24, 12; 27 — 6.° Prescrições referentes ao sacerdócio, 28-30 — 7.° Vocação de Belezeel, 31, 1-12 — 8.° A lei de sábado, 31, 12-18 — 9.° A apostasia do povo, adorando o bezerro de ouro; o arrependimento e a oração de Moisés, 32-35. — 10.° Construção do Tabernáculo 35-40. Por aqui se vê que êste livro é a continuação da história da formação da nacionalidade hebraica, e nêle encontramos bem traçada a figura do próprio autor, o grande legislador dos hebreus — Moisés — seu caráter, e a sua obra, obra importantíssima, que seria inexplicável se não recorrermos à intervenção da Providência, como o faz sinceramente o autor sagrado, que coloca sob os nossos olhos a ação de Deus manifestada em favor do seu povo, por tantas, tão variadas e tão evidentes formas.
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