Capítulo 40
1Depois falou o Senhor a Moisés, e lhe disse:
2Levantarás o tabernáculo do testemunho no primeiro dia do primeiro mês.[1]NO PRIMEIRO DIA DO PRIMEIRO MÊS — E do segundo ano, diz o versículo 15. A execução dos trabalhos prescritos por Deus durou pouco mais de seis meses; porque os hebreus gastaram dois meses a chegar ao deserto de Sinai (Êx 19, 1) e Moisés tinha estado no monte três meses; portanto mais de cinco decorreram antes do comêço dos trabalhos, e a inauguração teve lugar no primeiro dia do segundo ano.
3Porás nêle a arca, e suspenderás por diante o véu.
4Trarás a mesa, e porás sôbre ela o que eu te mandei, segundo a ordem, que te foi prescrita. Porás o candieiro com as lâmpadas,
5e o altar de ouro, sôbre que se queima o incenso diante da arca do testemunho. Porás o véu à entrada do tabernáculo,
6e diante dêle o altar dos holocaustos.
7A bacia, que tu encherás d'água, pô-la-ás entre o altar, e o tabernáculo.
8Cercarás de cortinas o átrio, e a sua entrada.
9E tomando o azeite das unções, ungirás com êle o tabernáculo com os seus vasos para êles ficarem santificados:
10o altar dos holocaustos e todos os seus vasos;
11a bacia com a sua base. Tôdas estas peças sagrarás tu com o óleo destinado para as unções, para tôdas elas serem santas, e sagradas.
12Chamarás Aarão e seus filhos à entrada do tabernáculo do testemunho; e depois de lavados na água,
13os vestirás das santas vestimentas, para que êles me sirvam, e para que a sua unção se continue para sempre nos sacerdotes, que lhes sucederem.[2]PARA QUE A SUA UNÇÃO SE CONTINUE PARA SEMPRE — Esta unção imprimia nos sacerdotes da antiga lei, como o Sacramento da Ordem nos da Nova, um caráter pelo qual eram sacerdotes durante tôda a vida. Outros explicam o texto neste sentido, que a unção foi só para os filhos de Aarão, que a receberam por todos os seus sucessores, visto que, sendo o sacerdócio hereditário na sua família, não era necessário reiterá-la para qualquer sacerdote dessa estirpe (Cfr. Vigouroux, ob. cit.).
14E Moisés fêz tudo o que o Senhor lhe tinha mandado.
15Portanto no primeiro dia do primeiro mês do segundo ano foi colocado o tabernáculo.
16Moisés tendo-o ereto, pôs as tábuas com as bases, e os barrotes de pau, e assentou as colunas.
17Estendeu o teto sôbre o tabernáculo, e pôs-lhe por cima a cobertura, como o Senhor tinha mandado.
18Pôs o testemunho na arca: fêz passar os varais pelas argolas, e pôs o oráculo por cima da arca.[3]O TESTEMUNHO — As tábuas da lei.
19E tendo levado a arca para o tabernáculo, pendurou diante dela o véu, em cumprimento do que o Senhor tinha ordenado.
20Pôs a mesa no tabernáculo do testemunho, ao lado setentrional, fora do véu,
21e arranjou diante do Senhor os pães da proposição como o Senhor lhe tinha mandado.
22Pôs o candieiro no tabernáculo do testemunho, ao lado, que olha para o meio-dia, defronte da mesa;
23e dispôs as lâmpadas pela sua ordem, conforme o mandamento do Senhor.
24Pôs o altar de ouro debaixo da tenda do testemunho, diante do véu,
25e queimou em cima o incenso, composto de aromas, como o Senhor lhe tinha ordenado.
26Pôs também o véu à entrada do tabernáculo do testemunho,
27e o altar do holocausto no vestíbulo do testemunho, sôbre o qual ofereceu êle holocausto, e sacrifícios, como o Senhor tinha mandado.[4]OFERECEU ÊLE O HOLOCAUSTO — E' o próprio Moisés que desempenha as funções sacerdotais, porque Aarão e seus filhos não tinham sido sagrados.
28Pôs outrossim a bacia entre o tabernáculo do testemunho, e o altar, e a encheu d'água.
29E nela lavaram Moisés, Aarão, e seus filhos as suas mãos, e os seus pés,
30antes de entrarem no tabernáculo do concêrto, e chegarem ao altar, como o Senhor tinha ordenado.
31Erigiu também o átrio ao redor do tabernáculo, e do altar, e pôs o véu à sua entrada. Depois de tôdas estas coisas acabadas,
32uma nuvem cobriu o tabernáculo do testemunho, e êle foi cheio da glória do Senhor.[5]A NUVEM — E' a coluna da nuvem de que adiante se falou. Era como o sinal sensível da presença de Deus no meio do seu povo. Desce sôbre o tabernáculo para indicar que Iahvéh tomou posse da sede divina.
33E Moisés não podia entrar no tabernáculo do concêrto, porque a nuvem cobria tudo, e a majestade do Senhor resplandecia de tôdas as partes, estando tudo coberto desta nuvem.
34Quando a nuvem se retirava do tabernáculo partiam os filhos de Israel divididos pelas suas turmas.
35Se ela parava em cima, ficavam êles no mesmo lugar.
36Porque de dia repousava a nuvem do Senhor sôbre o tabernáculo, e de noite aparecia sôbre êle uma chama, que todos os filhos de Israel viam de qualquer lugar, onde estivessem alojados.