Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 26

Ordenações do Senhor acêrca da construção do tabernáculo, e de tôdas as suas partes.

1O tabernáculo fá-lo-ás assim. Haverá dez cortinas de linho fino retorcido, de côr de jacinto, de púrpura, e de escarlata tingida duas vêzes: e elas serão brincadas de vários bordados.[1]O TABERNÁCULONesta prescrição, Deus atende ao sentimento religioso dos filhos de Jacó. Êles tinham visto os templos suntuosos do Egito; viam que o seu chefe, como sucedia em todos os povos nômadas, habitava uma tenda mais vasta e mais rica do que a dos seus subordinados; por isso queriam um lugar especial onde honrassem a Deus, uma tenda digna do Senhor, e que deveria por isso ser ornada com a máxima magnificência. Isto lhes faltava, e Deus lho deu. Chamou-se Tabernáculo, que significa tenda, e era-o com efeito. De ora avante tinham onde orassem a Deus, e lhe suplicassem misericórdia.

2Cada cortina terá vinte e oito côvados de comprido, e quatro de largo. Tôdas as cortinas terão uma mesma medida.

3Cinco cortinas estarão juntadas a uma banda, e outras cinco à outra.

4Porás nas ourelas das cortinas dum, e doutro lado uns cordões de jacinto, para que elas se possam chegar umas às outras.

5Cada cortina terá cinquenta cordões de cada lado, postos de tal sorte, que quando as cortinas se houverem de chegar, respondam os cordões duma aos da outra, e elas possam prender umas nas outras.

6Farás também cinquenta argolas de ouro, que sirvam para ajuntar entre si os dois véus, compostos cada um de cinco cortinas, para que assim pareça ser um só véu o que cobre o tabernáculo.

7Farás outrossim onze cobertas de peles de cabra para cobrirem o teto do tabernáculo.

8Cada uma destas cobertas terá trinta côvados de comprido, e quatro de largo, e serão tôdas duma mesma medida.

9Destas cobertas porás cinco juntas a uma banda e seis juntas à outra, de sorte que dobres a sexta no frontespício do tabernáculo.

10Porás também cinquenta cordões na ourela duma destas cobertas, para que ela se possa ajuntar com a outra; e cinquenta cordões na ourela da outra coberta, para esta prender com aquela.

11Farás também cinquenta fivelas de metal, pelas quais passem os cordões, a fim de que tôdas estas cobertas pareçam uma só coberta.

12E porque destas cobertas, destinadas a cobrir o teto, haverá uma de mais; tu empregarás metade dela em cobrir as costas do tabernáculo.

13E como estas cobertas, por serem mais compridas do que as cortinas, descerão mais abaixo um côvado de cada parte; isto, que nelas pende de mais servirá de cobrir os dois lados do tabernáculo.

14Farás também uma terceira coberta para o teto, que será de peles de carneiro tintas de vermelho; e outra quarta coberta de peles tintas de roxo.

15Farás outrossim umas tábuas de pau de cetim, que estarão levantadas ao redor do tabernáculo.

16Cada uma delas terá dez côvados de alto e côvado e meio de largo.

17Cada uma terá duma, e outra parte seus encaixes, por onde uma se meta na outra; e tôdas as tábuas estarão dispostas desta mesma maneira.

18Vinte estarão do lado meridional, que olha para o Austro.

19Farás fundir quarenta bases de prata, para que cada tábua assente sôbre duas bases, que lhe sustentem os dois ângulos.

20Estarão também outras vinte tábuas ao outro lado do tabernáculo, que olha para o Aquilão,

21as quais assentarão sôbre outras quarenta bases de prata, tendo cada tábua duas bases, que a sustentem.

22Mas para o lado ocidental do tabernáculo farás seis tábuas,

23e além destas mais duas, que se levantarão nos ângulos das costas do tabernáculo.

24Estas tábuas estarão juntas de baixo até cima, e estarão tôdas encaixadas umas nas outras. E da mesma maneira estarão elas unidas às duas tábuas, que estiverem nos ângulos.

25Serão pois ao todo oito estas tábuas, que terão dezesseis bases de prata, dando-se duas a cada tábua.

26Farás também uns barrotes de pau de cetim: cinco para conterem as tábuas a um lado do tabernáculo,

27e outros cinco para o outro lado, e outros cinco para o lado ocidental.

28Êstes barrotes estarão atravessados pelo meio das tábuas duma parte à outra.

29Chapearás de ouro estas tábuas, e pôr-lhes-ás umas argolas de ouro, pelas quais passem os barrotes, que hão de segurar o madeiramento; e êstes barrotes serão também chapeados de ouro.

30Dêste modo levantarás tu o tabernáculo, conforme o modêlo, que te foi mostrado no monte.

31Farás também um véu de côr de jacinto, de púrpura, e de escarlata tingida duas vêzes, e de linho fino retorcido, que tenha que ver pela agradável variedade dos bordados.

32Suspendê-lo-ás de quatro colunas de pau de cetim, que serão douradas, e terão os capitéis de ouro, e as bases de prata.

33Êste véu estará preso às colunas por umas argolas. Dentro do véu porás a arca do testemunho; e êste véu separará o Santuário do Santo dos Santos.

34Porás também o propiciatório sôbre a arca do testemunho no Santo dos Santos.

35Mas a mesa pô-la-ás de fora do véu, e defronte da mesa o candieiro, ao lado do tabernáculo, que olha para o meio-dia: porque a mesa deve ser posta no lado setentrional.

36Farás também um véu para a entrada do tabernáculo, que será de jacinto, de púrpura, de escarlata tingida duas vêzes, e de linho fino retorcido, sôbre o qual porás alguma obra de bordadura.

37Êste véu estará suspenso de cinco colunas de pau de cetim douradas, cujos capitéis serão de ouro, e as bases de metal.

O Êxodo, em hebreu chamado veelle semoth, eis-aqui os nomes, em grego êxodos, saída, é o segundo livro do Pentateuco, escrito por Moisés; conta-nos o cativeiro dos israelitas no Egito, o jugo dos Faraós, e a libertação pela Providência Divina, que suscitou, no meio do povo escolhido, Moisés; narram-se os milagres que acompanharam o têrmo da escravidão; a promulgação da lei no Sinai e a construção do tabernáculo. O Êxodo divide-se em três partes: PRIMEIRA PARTE a) Os acontecimentos que precedem e preparam a saída do Egito: Compreende os doze primeiros capítulos e subdivide-se assim: 1.° Quadro da opressão de Israel, 1 — 2.° História dos primeiros quarenta anos da vida de Moisés, 2 — 3.° Vocação de Moisés e sua volta para o Egito, 3; 4. — 4.° Tentativas inúteis empregadas junto de Faraó para obter a liberdade de Israel, 5; 6 — 5.° Descrição das nove primeiras pragas que não comovem o Faraó, 7-10 — 6.° A décima praga, instituição da Páscoa, morte dos primogénitos e partida precipitada de Israel, 11; 12, 36. SEGUNDA PARTE b) Saída do Egito 12, 37; 18. Contém cinco subdivisões: 1.° Primeiros acampamentos dos hebreus; prescrições para a Páscoa; santificação dos primogênitos; aparição da coluna de nuvens, 12, 37; 13 — 2.° Passagem do Mar Vermelho, 14; 15, 21 — 3.° Viagem dos israelitas e primeiras estações no deserto; o maná: a água milagrosa, 15, 22; 17, 7 — 4.° Vitória alcançada sôbre os Amalecitas, 17, 8-16 — 5.° Visita de Jetro, 18. TERCEIRA PARTE c) Promulgação da lei no Monte Sinai e construção do tabernáculo: Abrange os capítulos 19-40. Subdivide-se: 1.° Conclusão da aliança entre Deus e os hebreus; chegada ao Sinai e preparativos para a promulgação da lei, 19 — 2.° Decálogo, 20 — 3.° Primeiras leis, 21-23, 19 — 4.° Advertências sôbre o ingresso na terra do Canaã, 23, 20; 24, 11 — 5.° Prescrições relativas à construção da Arca e do Tabernáculo, 24, 12; 27 — 6.° Prescrições referentes ao sacerdócio, 28-30 — 7.° Vocação de Belezeel, 31, 1-12 — 8.° A lei de sábado, 31, 12-18 — 9.° A apostasia do povo, adorando o bezerro de ouro; o arrependimento e a oração de Moisés, 32-35. — 10.° Construção do Tabernáculo 35-40. Por aqui se vê que êste livro é a continuação da história da formação da nacionalidade hebraica, e nêle encontramos bem traçada a figura do próprio autor, o grande legislador dos hebreus — Moisés — seu caráter, e a sua obra, obra importantíssima, que seria inexplicável se não recorrermos à intervenção da Providência, como o faz sinceramente o autor sagrado, que coloca sob os nossos olhos a ação de Deus manifestada em favor do seu povo, por tantas, tão variadas e tão evidentes formas.
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