Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 39

Beseleel trabalha em fazer as vestes pontificais. Rol das obras, que se fizeram para o culto divino.

1Fêz também Beseleel de púrpura, de escarlata, e de linho fino as vestes, de que se havia de paramentar Aarão, quando exercitasse o seu santo ministério, conforme a ordem, que o Senhor tinha dado a Moisés.

2Fêz pois o efod de ouro, de jacinto, de púrpura, de escarlata tinta duas vêzes, e de linho fino retorcido.

3tudo tecido de bordados de diferentes côres. Cortou umas folhetas de ouro, que reduziu a fios mui delgados, para poderem entretecer-se nos outros fios de diversas côres.[1]REDUZIU A FIOSJá muito antes de Moisés, no reinado de Osorteseu 1.º, se conhecia no Egito a fiação do ouro, que, entre outros usos, servia para entrar nos tecidos preciosos. Heródoto fala duma cota, oferecida pelo rei Almés a um rei de Lacedemônia, tecida com ouro.

4Os dois lados do efod vinham ajuntar-se na ourela da extremidade superior.

5Fêz o cingulo com a mescla das mesmas côres, conforme o que o Senhor tinha mandado a Moisés.

6Preparou duas pedras cornalinas, que meteu e encastoou em ouro, onde se viam esculpidos, segundo a arte dos lapidários, os nomes dos filhos de Israel.

7Êle as pôs nos dois lados do efod, como um monumento para os filhos de Israel, conforme a ordem, que Moisés tinha recebido do Senhor.

8Fêz o racional tecido da mistura de diferentes fios, como o efod, de ouro, de jacinto, de púrpura, de escarlata tinta duas vêzes, e de linho fino retorcido.

9Era quadrado, e dobrado, do tamanho de um palmo.

10Pôs-lhe em cima quatro ordens de pedras preciosas. Na primeira ordem estavam um sardônio, um topázio, uma esmeralda.

11Na segunda um carbúnculo, uma safira, e um jaspe.

12Na terceira um ligúrio, uma ágata e uma ametista.

13Na quarta uma crisólita, uma cornalina, e um berilo: Engastadas tôdas estas pedras em ouro, cada uma na sua ordem.

14Sôbre estas doze pedras estavam gravados os nomes das doze tribos de Israel, cada nome em sua pedra.

15Fizeram-se no racional duas pequenas cadeias de puríssimo ouro, cujos fuzis estavam enlaçados uns nos outros:

16Dois colchetes, e duas argolinhas de ouro. Puseram-se as argolinhas aos dois lados do racional,

17e suspenderam-se delas as duas cadeias de ouro, que êles meteram nos colchetes, que saíram dos cantos do efod.

18Tôdas estas peças ajustavam tão bem, entre si, por diante, e por detrás, que o efod e o racional ficavam presos um ao outro,

19apertados por cima do cingidouro, e ligados estreitamente por umas argolinhas, pelas quais passava uma fita de jacinto, para não ficarem laxos, nem se despegarem uns dos outros conforme o Senhor tinha mandado a Moisés.

20Fizeram também os dois artífices a túnica do efod tôda de jacinto.

21Havia no alto dela uma abertura no meio, e uma ourela tecida à roda desta abertura:

22Em baixo junto aos pés estavam umas romãs feitas de jacinto, de púrpura, de escarlata, e de linho fino retorcido;

23e umas campainhas de ouro puríssimo, que êles entressacharam com as romãs à roda da extremidade da túnica.

24Assim é que estavam entressachadas as campainhas de ouro, e as romãs. E dêste ornamento estava revestido o pontífice, quando exercitava as funções do seu ministério, conforme o Senhor tinha ordenado a Moisés.

25Fizeram outrossim para Aarão, e seus filhos camisas tecidas de linho fino;

26mitras de linho fino com suas pequenas coroas;

27calções também de linho, e de linho fino.

28Com um cingido bordado de diferentes fios de linho fino retorcido, de jacinto, de púrpura, e de escarlata tinta duas vêzes, segundo a ordem que o Senhor tinha dado a Moisés.

29Fizeram mais a santa, e veneranda lâmina de puríssimo ouro, e gravaram em cima dela, do modo que se escreve sôbre as pedras preciosas, estas palavras: A Santidade é do Senhor,

30Êles a prenderam à mitra com uma fita de jacinto, como o Senhor o tinha mandado a Moisés.

31Assim se concluiu tôda a obra do tabernáculo, e da tenda do testemunho. Os filhos de Israel fizeram tudo o que o Senhor tinha ordenado a Moisés.

32Ofereceram o tabernáculo com a sua cobertura, e com tudo o que tinha serventia nêle; as argolas, as tábuas, os varais, as colunas, as bases;

33as cobertas de peles de carneiro tintas de vermelho, e as outras cobertas de peles roxas;

34o véu, a arca, os varais, o propiciatório;

35a mesa com os seus vasos, e com os pães da proposição;

36o candieiro, as lâmpadas, e tudo o que para elas se havia mister com o azeite;

37o altar de ouro, o óleo destinado para as unções, os perfumes compostos de aromas;

38o véu à entrada do tabernáculo;

39o altar de metal com a sua grelha, varais, e tudo o que ali servia; a bacia com a sua base, as cortinas do átrio, e as colunas com as suas bases;

40o véu à entrada do átrio, os seus cordões, e as suas estacas. Não faltou nada de tudo o que o Senhor tinha ordenado, que se fizesse para o ministério do tabernáculo, e para a tenda do concêrto.

41Quanto às vestimentas, de que os sacerdotes Aarão, e seus filhos deviam usar no santuário,

42os filhos de Israel as ofereceram também, conforme tinha mandado o Senhor.

43E Moisés tendo visto que tôdas estas coisas estavam acabadas, os abençoou.[2]OS ABENÇOOUNão os objetos presentes, mas os israelitas que os apresentavam. A bênção dos objetos de culto havia de ter lugar posteriormente. Esta era um galardão por terem os israelitas cumprido à risca as determinações do Senhor.

O Êxodo, em hebreu chamado veelle semoth, eis-aqui os nomes, em grego êxodos, saída, é o segundo livro do Pentateuco, escrito por Moisés; conta-nos o cativeiro dos israelitas no Egito, o jugo dos Faraós, e a libertação pela Providência Divina, que suscitou, no meio do povo escolhido, Moisés; narram-se os milagres que acompanharam o têrmo da escravidão; a promulgação da lei no Sinai e a construção do tabernáculo. O Êxodo divide-se em três partes: PRIMEIRA PARTE a) Os acontecimentos que precedem e preparam a saída do Egito: Compreende os doze primeiros capítulos e subdivide-se assim: 1.° Quadro da opressão de Israel, 1 — 2.° História dos primeiros quarenta anos da vida de Moisés, 2 — 3.° Vocação de Moisés e sua volta para o Egito, 3; 4. — 4.° Tentativas inúteis empregadas junto de Faraó para obter a liberdade de Israel, 5; 6 — 5.° Descrição das nove primeiras pragas que não comovem o Faraó, 7-10 — 6.° A décima praga, instituição da Páscoa, morte dos primogénitos e partida precipitada de Israel, 11; 12, 36. SEGUNDA PARTE b) Saída do Egito 12, 37; 18. Contém cinco subdivisões: 1.° Primeiros acampamentos dos hebreus; prescrições para a Páscoa; santificação dos primogênitos; aparição da coluna de nuvens, 12, 37; 13 — 2.° Passagem do Mar Vermelho, 14; 15, 21 — 3.° Viagem dos israelitas e primeiras estações no deserto; o maná: a água milagrosa, 15, 22; 17, 7 — 4.° Vitória alcançada sôbre os Amalecitas, 17, 8-16 — 5.° Visita de Jetro, 18. TERCEIRA PARTE c) Promulgação da lei no Monte Sinai e construção do tabernáculo: Abrange os capítulos 19-40. Subdivide-se: 1.° Conclusão da aliança entre Deus e os hebreus; chegada ao Sinai e preparativos para a promulgação da lei, 19 — 2.° Decálogo, 20 — 3.° Primeiras leis, 21-23, 19 — 4.° Advertências sôbre o ingresso na terra do Canaã, 23, 20; 24, 11 — 5.° Prescrições relativas à construção da Arca e do Tabernáculo, 24, 12; 27 — 6.° Prescrições referentes ao sacerdócio, 28-30 — 7.° Vocação de Belezeel, 31, 1-12 — 8.° A lei de sábado, 31, 12-18 — 9.° A apostasia do povo, adorando o bezerro de ouro; o arrependimento e a oração de Moisés, 32-35. — 10.° Construção do Tabernáculo 35-40. Por aqui se vê que êste livro é a continuação da história da formação da nacionalidade hebraica, e nêle encontramos bem traçada a figura do próprio autor, o grande legislador dos hebreus — Moisés — seu caráter, e a sua obra, obra importantíssima, que seria inexplicável se não recorrermos à intervenção da Providência, como o faz sinceramente o autor sagrado, que coloca sob os nossos olhos a ação de Deus manifestada em favor do seu povo, por tantas, tão variadas e tão evidentes formas.
📄 PDF
📄 Original