Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 37

Beseleel trabalha em fazer a arca, a mesa da proposição, o candieiro, o altar dos perfumes e os mesmos perfumes.

1Fêz também Beseleel a arca de pau de cetim, a qual tinha dois côvados e meio de comprido, côvado e meio de largo, e côvado e meio de alto. Êle a cobriu de finíssimo ouro por dentro, e por fora;

2e lhe fêz uma coroa de ouro, que a apanhava tôda em roda.

3Fundiu quatro argolas de ouro, que pôs nos quatro cantos da arca, dois duma parte, e dois da outra.

4Fêz também uns varais de pau de cetim que cobriu de ouro,

5e que meteu nas argolas, que estavam aos cantos da arca, para ela se poder levar.

6Fêz mais o propiciatório, isto é, o oráculo, dum ouro puríssimo, que tinha dois côvados e meio de comprido, e côvado e meio de largo:[1]ISTO É, UM ORÁCULOEsta frase não se encontra nem no hebreu nem nos Setenta; Vigouroux, (ob. cit.) entende que é uma adição da vulgata. Veja-se o c. 25 do Êx, onde está feita com todos os pormenores a descrição da arca da aliança.

7como também os dois querubins de ouro batido, que lhe pôs aos dois lados do propiciatório:

8um querubim na extremidade dum lado, e outro querubim na extremidade do outro. Assim os dois querubins estavam numa e outra extremidade do propiciatório,

9tendo as suas asas estendidas, e cobrindo com elas o propiciatório, virados os rostos um para o outro, como também para o propiciatório.

10Fêz outrossim uma mesa de pau de cetim, que tinha dois côvados de comprido, um côvado de largo, e côvado e meio de alto.

11Cobriu-a de puríssimo ouro, e lhe pôs à roda um frizo de ouro.

12Sôbre o frizo pôs uma coroa de ouro esculturada, de altura de quatro dedos, e sôbre esta outra coroa de ouro.[2]DE QUATRO DEDOSEsta medida corresponde ao tefak, que regulava por nove centímetros aproximadamente.

13Fêz fundir também quatro argolas de ouro, que pôs nos quatro cantos da mesa, uma a cada pé,

14por baixo da coroa; e enfiou por elas os varais, que haviam de servir para levar a mesa.

15Êstes varais eram também de pau de cetim, e êle os chapeou de lâminas de ouro.

16Para os diferentes usos desta mesa fêz de fino ouro pratos, copos, turíbulos, e taças, onde se haviam de oferecer os licores.

17Fêz também o candieiro do mais puro ouro batido ao martelo, de cujo tronco saíam umas hastes com seus copos, seus pomos, e suas açucenas.

18Eram seis as hastes, que saíam das duas bandas do tronco, três duma banda e três da outra.

19Uma haste tinha três copos de feitio de nozes, com seus pomos, e suas açucenas: outra haste da mesma sorte três copos do feitio de nozes, com seus pomos, e suas açucenas. E tôdas as seis hastes que saíam do tronco, eram trabalhadas da mesma forma.

20Porém o tronco do candieiro tinha quatro copos do feitio de nozes, acompanhados cada um do seu pomo, e de sua açucena.

21Havia três pomos em três lugares do tronco, e de cada pomo saíam três hastes, que faziam ao todo seis hastes, nascendo dum mesmo tronco.

22Saíam pois do candieiro êstes pomos, e estas hastes, sendo tudo de puríssimo ouro batido ao martelo.

23Fêz outrossim de finíssimo ouro sete lâmpadas, com seus espevitadores, e com suas caldeirinhas, onde se apagassem os morrões que se tivessem tirado das lâmpadas.

24O candieiro com tôdas as suas peças pesava um talento de ouro.[3]UM TALENTO DE OUROEra o maior pêso, valia 3.000 siclos, e pesava 42 quilos e meio; em ouro tinha um valor superior a vinte e seis contos de réis. O talento em hebreu chamava-se kikkar, isto é, redondo. Vigouroux dá-nos notícia do único talento hebraico conhecido, descoberto em Jerusalém, perto do Templo; é uma pedra grossa, redonda, com uma enorme cavidade, tendo uma inscrição em velhos caracteres hebraicos.

25Fêz também o altar dos perfumes de pau de cetim, que tinha um côvado em quadro, e dois côvados de alto, de cujos quatro cantos saíam quatro cornos.

26Vestiu-o de puríssimo ouro com a sua grelha, seus lados, e seus cornos.

27Fêz-lhe uma coroa de ouro, que o rodeava todo, e por baixo da coroa a cada lado pôs duas argolas de ouro para enfiar por elas os varais, que haviam de servir a levarem-no.

28Êstes varais fêz êle de pau de cetim, e os cobriu de lâminas de ouro.

29Compôs também o azeite, para com êle se fazerem as unções da sagração; e compôs os perfumes feitos dos aromas mais exquisitos, segundo as regras desta arte.

O Êxodo, em hebreu chamado veelle semoth, eis-aqui os nomes, em grego êxodos, saída, é o segundo livro do Pentateuco, escrito por Moisés; conta-nos o cativeiro dos israelitas no Egito, o jugo dos Faraós, e a libertação pela Providência Divina, que suscitou, no meio do povo escolhido, Moisés; narram-se os milagres que acompanharam o têrmo da escravidão; a promulgação da lei no Sinai e a construção do tabernáculo. O Êxodo divide-se em três partes: PRIMEIRA PARTE a) Os acontecimentos que precedem e preparam a saída do Egito: Compreende os doze primeiros capítulos e subdivide-se assim: 1.° Quadro da opressão de Israel, 1 — 2.° História dos primeiros quarenta anos da vida de Moisés, 2 — 3.° Vocação de Moisés e sua volta para o Egito, 3; 4. — 4.° Tentativas inúteis empregadas junto de Faraó para obter a liberdade de Israel, 5; 6 — 5.° Descrição das nove primeiras pragas que não comovem o Faraó, 7-10 — 6.° A décima praga, instituição da Páscoa, morte dos primogénitos e partida precipitada de Israel, 11; 12, 36. SEGUNDA PARTE b) Saída do Egito 12, 37; 18. Contém cinco subdivisões: 1.° Primeiros acampamentos dos hebreus; prescrições para a Páscoa; santificação dos primogênitos; aparição da coluna de nuvens, 12, 37; 13 — 2.° Passagem do Mar Vermelho, 14; 15, 21 — 3.° Viagem dos israelitas e primeiras estações no deserto; o maná: a água milagrosa, 15, 22; 17, 7 — 4.° Vitória alcançada sôbre os Amalecitas, 17, 8-16 — 5.° Visita de Jetro, 18. TERCEIRA PARTE c) Promulgação da lei no Monte Sinai e construção do tabernáculo: Abrange os capítulos 19-40. Subdivide-se: 1.° Conclusão da aliança entre Deus e os hebreus; chegada ao Sinai e preparativos para a promulgação da lei, 19 — 2.° Decálogo, 20 — 3.° Primeiras leis, 21-23, 19 — 4.° Advertências sôbre o ingresso na terra do Canaã, 23, 20; 24, 11 — 5.° Prescrições relativas à construção da Arca e do Tabernáculo, 24, 12; 27 — 6.° Prescrições referentes ao sacerdócio, 28-30 — 7.° Vocação de Belezeel, 31, 1-12 — 8.° A lei de sábado, 31, 12-18 — 9.° A apostasia do povo, adorando o bezerro de ouro; o arrependimento e a oração de Moisés, 32-35. — 10.° Construção do Tabernáculo 35-40. Por aqui se vê que êste livro é a continuação da história da formação da nacionalidade hebraica, e nêle encontramos bem traçada a figura do próprio autor, o grande legislador dos hebreus — Moisés — seu caráter, e a sua obra, obra importantíssima, que seria inexplicável se não recorrermos à intervenção da Providência, como o faz sinceramente o autor sagrado, que coloca sob os nossos olhos a ação de Deus manifestada em favor do seu povo, por tantas, tão variadas e tão evidentes formas.
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