Capítulo 5
1Porque sabemos que se a nossa casa terrestre desta morada fôr desfeita, temos de Deus um edifício, casa não feita por mãos humanas, que durará sempre nos Céus.[1]CASA NÃO FEITA — Esta casa no comum sentir dos santos Padres, será o corpo glorioso e imortal, que pela ressurreição será regenerado por Deus, e como criado de novo. - Éstio.
2E por isto também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do Céu,
3se todavia formos achados vestidos e não nus.[2]SE TODAVIA FORMOS ACHADOS VESTIDOS E NÃO NUS — [ilegível: possivelmente «Algum intérprete»] o expõe da vestidura, ou desnudez das obras. Porém Tertuliano no livro da Ressurreição da carne, entende falar o Apóstolo dos que na vinda do Senhor forem achados vestidos do seu corpo, isto é, vivos; e não forem achados nus do seu corpo, isto é, mortos. E isto é segundo o que o mesmo Apóstolo escrevera na primeira aos Coríntios, 15, 52, e mais claramente repete na segunda aos Tessalonicenses, 4, 16. Esta mesma inteligência abraçaram Caetano e Éstio, como mais provável. - Pereira.
4Porque também os que estamos neste tabernáculo, gememos carregados. Não que desejemos ser despojados dêle, mas sim ser revestidos por cima, de sorte que o que há em nós de mortal, seja absorvido pela vida.[3]SER DESPOJADOS DÊLE — Entende-se por impaciência, que tenhamos de lhe sofrer o pêso; (porque isso não seria de Santos) ou ser despojados dêle para sempre, porque isto seria desejar a destruição da natureza humana, que não pode subsistir sem um corpo. - Sacy.
5Mas o que nos fêz para isto mesmo, é Deus, que nos deu o penhor do Espírito.
6Por isto vivemos sempre confiados, sabendo que enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor:
7(Porque andamos por fé, e não por visão).
8Mas temos confiança, e ansiosos queremos mais ausentar-nos do corpo, e estar presentes ao Senhor.
9E por isso forcejamos por lhe agradar, ou estejamos dêle ausentes, ou lhe estejamos presentes.
10Porque importa que todos nós compareçamos diante do Tribunal de Cristo, para que cada um receba o galardão segundo o que tem feito, ou bom ou mau, estando no próprio corpo.
11Certos pois do temor que se deve ao Senhor, persuadimos aos homens, mas a Deus estamos descobertos. E espero que também nós estejamos descobertos nas vossas consciências.[4]CERTOS POIS DO TEMOR QUE SE DEVE AO SENHOR — Isto é, sabendo pois quanto o Senhor é para se temer, procurando persuadir aos homens a nossa inocência.
12Isto não é que queiramos ainda recomendar-nos ao vosso conceito, mas é querer dar-vos ocasião de vos gloriardes em nós: Para terdes que responder aos que se gloriam na aparência, e não no coração:
13Porque se enlouquecemos, é para Deus: E se conservamos o juízo, é para vós.
14Porque o amor de Cristo nos constrange: Fazendo êste juízo, que se um morreu por todos, por conseqüência todos são mortos:
15E Cristo morreu por todos: A fim de que também os que vivem, não vivam mais para si mesmos, mas para aquêle que morreu e ressurgiu por êles.
16Por isso nós desde agora a ninguém conhecemos segundo a carne. E se houve tempo em que conhecemos a Cristo segundo a carne: Já agora o não conhecemos dêste modo.
17Se algum pois é de Cristo, é uma nova criatura, passou o que era velho: Notai que tudo se fêz novo.
18E tudo vem de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo: Que confiou de nós o ministério da reconciliação:
19Porque certamente Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo, não lhes imputando os seus pecados, e êle é o que pôs em nós a palavra da reconciliação.
20Logo nós fazemos o ofício de embaixadores em nome de Cristo, como que Deus vos admoesta por nós outros. Por Cristo vos rogamos que vos reconcilieis com Deus.
21Aquêle que não havia conhecido pecado o fêz pecado por nós, para que nós fôssemos feitos justiça de Deus nêle.