Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 11

Ensina Jesus Cristo a seus discípulos como devem orar. O que ora com perseverança, consegue o que deseja. O demônio mudo. Atribuem os judeus à obra do demônio os milagres do Senhor. Refuta êle esta blasfêmia. Uma mulher apregoa bem-aventurada a Mãe que o gerou, e lhe deu o leite. O prodígio de Jonas. Os ninivitas e a rainha do Meio-Dia condenarão os judeus no dia último. O ôlho simples e o ôlho mau. Os fariseus lavando o exterior e deixando imundo o interior. Repreende Jesus asperamente a sua hipocrisia e a dos doutores da lei. Êles hão de dar conta do sangue de todos os profetas.

1E aconteceu que estando orando em certo lugar, quando acabou, lhe disse um dos seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar, assim como também João ensinou aos seus discípulos.

2E Jesus lhes disse: Quando orardes, dizei: Padre, santificado seja o teu Nome. Venha a nós o teu Reino.[1]PadreO texto grego traz aqui tôda a oração dominical, como S. Mateus.

3O pão nosso de cada dia nos dá hoje.

4E perdoa-nos os nossos pecados, pois que também nós perdoamos a todo o que nos deve. E não nos deixes cair em tentação.

5Disse-lhes mais: Se qualquer de vós tiver um amigo, e for ter com êle à meia-noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães,

6porque um meu amigo acaba de chegar a minha casa de uma jornada, e não tenho que lhe pôr diante.

7E êle, respondendo lá de dentro, lhe disser: Não me sejas importuno, já está fechada a porta, e os meus criados estão também como eu na cama; não me posso levantar a dar-tos.

8E se o outro perseverar em bater: Digo-vos que no caso que êle se não levantar a dar-lhos, por ser seu amigo, certamente pela sua importunação se levantará, e lhe dará quantos pães houver mister.

9Portanto eu vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á: Buscai, e achareis: Batei, e abrir-se-vos-á.

10Porque todo aquêle que pede, recebe: E o que busca, acha: E ao que bate, se lhe abrirá.[2]RecebeSanto Agostinho, no Sermão 105: Não nos exortara Deus tanto a pedir, se não nos quisesse despachar. Envergonhe-se a negligência humana. Mais é o que êle nos quer dar, do que nós receber.

11E se algum de vós outros pedir pão a seu pai, acaso dar-lhe-á êle uma pedra? Ou se lhe pedir um peixe, dar-lhe-á êle porventura em lugar de peixe uma serpente?

12Ou se lhe pedir um ôvo, porventura dar-lhe-á um escorpião?

13Pois se vós outros, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos: Quanto mais o vosso Pai celestial dará espírito bom aos que lho pedirem?[3]Espírito bomO grego tem Espírito Santo. Isto é, vos aumentará os dons do Espírito Santo: porque os Apóstolos haviam já recebido as primícias dêste Divino Espírito, sem o qual não podem ser agradáveis a Deus os nossos rogos.

14E estava Jesus lançando um demônio, e êle era mudo. E depois de ter expelido o demônio, falou o mudo, e se admiraram as gentes.

15Mas alguns dêles disseram: Êle expele os demônios em virtude de Belzebu, príncipe dos demônios.

16E outros, pelo tentarem, lhe pediam que lhes mostrasse algum prodígio do Céu.

17E Jesus, quando viu os pensamentos dêles, lhes disse: Todo o Reino dividido contra si mesmo será assolado, e cairá casa sôbre casa.

18Pois se satanás está também dividido contra si mesmo, como estará em pé o seu reino? Porque vós dizeis que em virtude de Belzebu é que eu lanço fora os demônios.

19Ora se é por virtude de Belzebu que eu lanço fora os demônios: Vossos filhos por virtude de quem os lançam? Por isso êles serão os vossos juízes.

20Mas se pelo dedo de Deus lanço os demônios: É certo que chegou a vós o reino de Deus.

21Quando um homem valente guarda armado o seu páteo, estão em segurança os bens que possui.

22Mas se, sobrevindo outro mais valente do que êle, o vencer, êste lhe tirará tôdas as suas armas, em que confiava, e repartirá os seus despojos.[4]Outro mais valenteO homem valente era o demônio, que antes de vir Jesus Cristo ao mundo estava senhor dêle, e se sustentava nesta posse pelo pecado. O outro mais valente é o Filho de Deus, que venceu o demônio, e o prendeu por todo o tempo que durar a Igreja, significado nos mil anos de que fala o Apocalipse, cap. 20. De sorte que, em comparação do que êle antes fazia, é pouco o que hoje nos tenta o demônio, e isto só quanto Deus lhe permite, ou para castigo, ou para prova nossa.

23O que não é comigo, é contra mim: E o que não colhe comigo, desperdiça.

24Quando o espírito imundo tem saído de um homem, anda pelos lugares sêcos, buscando repouso: E como o não acha, diz: Tornarei para minha casa, donde saí.

25E depois de vir, êle a acha varrida e adornada.

26Vai então, e toma consigo outros sete espíritos piores do que êle, e entrando na casa fazem nela habitação. E vem o último estado dêste homem a ser pior do que o primeiro.

27E aconteceu que dizendo êle estas palavras, uma mulher, levantando a voz do meio do povo, lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe, e os peitos a que fôste criado.

28Mas êle respondeu: Antes bem-aventurados aquêles que ouvem a palavra de Deus, e a guardam.[5]Antes bem-aventurados aquêlesNão desaprova com isto o Senhor, o que aquela mulher dissera em louvor e honra de sua Mãe Santíssima; mas prefere a fé e obediência ao Evangelho, à mera qualidade de Mãe de Deus, assim como preferira já a graça de um Cristão ao puro ministério do Batista.

29E como o povo vinha concorrendo, começou Jesus a dizer: Esta geração é uma geração perversa: Ela pede um sinal, e não se lhe dará outro sinal, senão o sinal do profeta Jonas.

30Porque assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas: Assim também o Filho do homem o será para esta nação.

31A rainha do Meio-Dia levantar-se-á no dia do juízo contra os homens desta nação, e condená-los-á: Porque veio do cabo do mundo ouvir a sabedoria de Salomão: Entretanto sabei que aqui está quem é maior do que Salomão.[6]Do cabo do mundoDa Etiópia, ou Terra dos Abexins, que outros chamam o Preste João. Veja-se o nosso Barros, Década 3, Livro 4, cap. 1.

32Os ninivitas levantar-se-ão no dia do Juízo contra esta gente, e condená-la-ão: Porque fizeram penitência ao pregar-lha Jonas; entretanto sabei que aqui está quem é maior do que Jonas.

33Ninguém acende uma candeia, e a põe em um lugar escondido, nem debaixo de um alqueire: Mas sôbre um candeeiro, para que os que entram vejam a luz.[7]Mas sôbre um candeeiroQuer dizer o Senhor, que devemos primeiro instruirmo-nos muito bem, e depois não ter ociosos nossos conhecimentos, mas fazer bom uso dêles em proveito nosso e do próximo. — Sacy.

34O teu ôlho é a luz do teu corpo. Se o teu ôlho for simples, todo o teu corpo será lúcido: Se porém for mau, também o teu corpo será tenebroso.[8]Se o teu ôlho for simplesSe a tua intenção for pura já a ação será boa. — Santo Isidoro nas Sentenças, livro 2, cap. 17.

35Olha pois bem que a luz, que é em ti, não sejam trevas.

36Se pois o teu corpo fôr todo lúcido, sem ter parte alguma tenebrosa, todo êle será luminoso, e alumiar-te-á, como uma luzerna de brilhante luz.

37E quando Jesus estava falando, pediu-lhe um fariseu que fôsse jantar com êle. E havendo entrado, se sentou à mesa.

38E o fariseu começou a discorrer lá consigo mesmo sôbre o motivo por que se não tinha lavado êle antes de comer.

39E o Senhor lhe disse: Agora vós outros os fariseus limpais o que está por fora do vaso e do prato: Mas o vosso interior está cheio de rapina e de maldade.

40Néscios, quem fez tudo o que está de fora, não fez também o que está de dentro?

41Dai contudo esmola do que é vosso: E eis aí que tôdas as coisas vos ficam sendo limpas.

42Mas ai de vós, fariseus, que pagais o dízimo da hortelã, e da arruda, e de tôda a casta de ervas, e que despreza a justiça, e o amor de Deus: Pois estas eram as coisas que importava que vós praticásseis, sem entretanto omitirdes aquelas outras.

43Ai de vós, fariseus, que gostais de ter nas sinagogas as primeiras cadeiras, e de que vos saúdem na praça.

44Ai de vós, que sois como os sepulcros, que não aparecem, e que os homens que caminham por cima não conhecem.

45Então respondendo um dos doutores da lei, lhe disse: Mestre, tu falando assim, também a nós outros nos afrontas.

46Mas Jesus lhe respondeu: Ai de vós outros também, doutores da lei, que carregais os homens de obrigações que êles não podem desempenhar, e vós nem com um dedo vosso lhes aliviais a carga.

47Ai de vós, que edificais sepulcros aos profetas, quando vossos pais foram os que lhes deram a morte.

48Por certo que bem testemunhais que consentis nas obras de vossos pais: Porque êles na verdade os mataram, e vós edificais os seus sepulcros.[9]Os seus sepulcrosOs fariseus cuidavam de erigir túmulos aos profetas por hipocrisia, não lhes seguindo os conselhos, nem reparando os crimes que êles castigaram.

49Por isso também disse a Sabedoria de Deus: Mandar-lhes-ei profetas, e Apóstolos, e êles darão a morte a uns, e perseguirão a outros:

50Para que a esta nação se peça conta do sangue de todos os profetas, o qual foi derramado desde o princípio do mundo.

51Desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o Altar e o Templo. Sim, eu vos declaro que a esta nação se pedirá conta disto.

52Ai de vós, doutores da lei, que depois de terdes arrogado a vós a chave da ciência, nem vós outros entrastes, nem deixastes entrar os que vinham para entrar.[10]A chave da ciênciaA interpretação das Escrituras simbolizadas na chave, que por isso (como observa Grócio e Lightfoot) era a chave entre os judeus a insígnia dos que se doutoravam para mestres da Lei. — Calmet.

53E como êle lhes falava desta sorte, começaram os fariseus, e doutores da lei a apertá-lo com fortes instâncias, e a quererem-no fazer calar com a multidão das questões, a que o obrigavam a responder.[11]E a quererem-no fazer calarO que a Vulgata diz os ejus opprimere, é no grego os ejus obstruere. — Duhamel.

54Armando-lhe desta maneira laços e buscando ocasião de lhe apanharem da bôca alguma palavra, para o acusarem.

Introdução

Autor. — S. Lucas era médico (Col 4, 14) e natural de Antioquia na Síria, segundo os testemunhos de Eusébio, Hist. Eccl. 3-4, Hieron. de Vir. ill. cap. 7. Parece que era grego de nascimento: Eusébio, Comment. in Luc. Collect. Nov. p. 149, e Sedúlio diz em confirmação desta hipótese: Hic Lucas primitus Apostolorum discipulus, postea Paulum magistrum gentium quasi gentilis et virgo virginem secutus fuerat. O próprio nome Lucas pode ser uma abreviatura de Lucanus. O que é certo é que S. Lucas se exprime muito melhor em grego do que os outros hagiógrafos do Novo Testamento, e também se sabe que a Igreja de Antioquia era primitivamente composta na quase totalidade de gregos, o que tudo confirma a opinião supra indicada.

Não sabemos quando nem como S. Lucas se converteu ao Cristianismo, Valroger, Introduction historique et critique aux livres du Nouveau Testament, t. 2, § 13, p. 74. Segundo tôdas as aparências, professou o cristianismo em Antioquia, onde travou relações com S. Barnabé e S. Paulo e depois com S. Pedro. Quando nos Atos dos Apóstolos 16, 10, se refere a S. Paulo fala do Príncipe dos Apóstolos como dum antigo conhecido, o que não acontece a respeito de Timóteo, At 16, 1. Acompanha S. Paulo de Tróade para Filipos, na Macedônia, onde ficou, enquanto que o Apóstolo se dirigia para a Grécia com os seus companheiros. Estêve bastante tempo ausente de S. Paulo, a quem depois seguiu para o Oriente, voltando à Itália, permanecendo ambos em Roma durante dois anos.

Durante êste último lapso de tempo, S. Paulo fala dêle duas vezes nas suas Epístolas (Col 6, 14; Flm 24). Na 2.ª Epístola a Timóteo (4, 11), diz que S. Lucas tinha ficado em sua companhia. Abandonou depois Roma e veio a morrer na Acaia com setenta e quatro anos. Sedúlio Argum. in Luc. 5, 11. As suas relíquias foram transportadas para Constantinopla, no vigésimo ano do reinado de Constâncio, 357. S. Gregório Nazianzeno conta-o entre os mártires. Orat. 6 e 69. Cfr. Act. Sanct. die 18 oct.

Data. — Todos os autores eclesiásticos, exceto Clemente de Alexandria, atestam que êste Evangelho apareceu depois do de S. Marcos. O próprio S. Lucas confessa que não é o primeiro que tentou escrever a vida de Jesus Cristo, Lc c. 1. Sabe-se também que publicou o seu Evangelho antes de escrever os Atos dos Apóstolos, At 1, 1. Ora o livro dos Atos terminou no ano 62 ou 63, em que acaba bruscamente.

Fim. — A idéia de escrever êste Evangelho foi sugerida a S. Lucas, pelas lacunas que se encontram nos dois Evangelhos precedentes, procurando dar ao seu trabalho uma ordem mais rigorosa, e fortificar nos seus leitores a convicção das coisas anunciadas. S. Lucas, escrevendo para os gentios — Evangelium graecis scripsit, como diz S. Jerônimo — trata de pôr ante os olhos dêstes tudo quanto lhes podia interessar ou comover, como o perdão ao filho pródigo e à pecadora, a preferência dada ao publicano sôbre o fariseu e ao samaritano sôbre o próprio levita. S. Mateus apresentara Jesus aos hebreus como Messias, e S. Marcos aos romanos como Filho de Deus; S. Lucas apresenta-O aos gregos, isto é, a todos os povos civilizados, como o Salvador de todo o gênero humano.

Estilo. — É o livro mais cuidado do Novo Testamento, tendo muita analogia com o livro dos Atos. A linguagem é correta, as imagens vivas, os têrmos escolhidos, havendo mesmo o emprêgo frequente de palavras diletas do autor, tocantes, afetuosas, cheias de delicadeza; períodos que se destacam pela simplicidade e harmonia, etc. Jesus Cristo é chamado o Senhor, e preconiza-se a confiança no Salvador como meio indispensável para se obter a salvação. Há uma circunstância notável neste livro e que deriva da profissão do autor. No presente Evangelho, S. Lucas descreve as doenças curadas por Jesus Cristo com muita precisão, e com a terminologia adequada, vigente na época. Além disso o seu trabalho reveste a forma histórica. Começa por um prólogo, e por uma dedicatória a um Teófilo, cristão de Roma ou de Acaia, como era uso entre os gregos. Vai buscar o início dos fatos evangélicos, segue a sua narração até ao fim, concatenando os acontecimentos e observando a ordem cronológica. É êste o único que menciona os setenta e dois discípulos que, ao mesmo tempo que revela a precisão histórica do autor, faz supor que êle pertenceu a êsse corpo.

Notam-se-lhe alguns hebraísmos, é certo, mas os que apresenta têm certa correção, sendo sem dúvida alguma o mais correto dos Evangelistas.

Divisão. — Podem distinguir-se neste Evangelho quatro partes e um prólogo.

Prólogo — cap. 1, 1-4.

Primeira parte: Infância e juventude de Jesus Cristo, cap. 1, 5 — 4, 13.

Segunda parte: Preparação na Galiléia, 4, 14 — 9, 50.

Terceira parte: Viagem da Galiléia a Jerusalém, 9, 51 — 18, 30.

Quarta parte: Últimos mistérios, 18, 31 — 24.

Autenticidade do Evangelho de S. Lucas. — Prova-se com vários argumentos extrínsecos e intrínsecos.

I — Argumentos extrínsecos: 1.° Testemunhos formais da antiguidade: O catálogo de Muratori apresenta-nos um testemunho indiscutível do século II: "O terceiro livro do Evangelho segundo S. Lucas. Êste Lucas, médico, que S. Paulo, depois da Ascensão do Senhor, associou aos seus trabalhos, escreveu no seu próprio nome, seguindo as idéias de S. Paulo. Todavia êle não viu o Senhor em carne, e por isso conta os fatos pelo modo como pôde dêles ter conhecimento". Tertuliano censura Marcião por ter alterado o Evangelho de S. Lucas, que foi recebido por tôdas as Igrejas. Reivindica em favor dêste escrito a própria autoridade dos Apóstolos; Adv. Marcion. IV, 5. S. Irineu reproduz a mesma opinião, e ao cabo duma análise minuciosa conclui dizendo que corresponde aos antecedentes. Clemente de Alexandria invoca, em prova duma das suas asserções, o Evangelho segundo S. Lucas. S. Tron. F. 21.

2.° Testemunhos indiretos: Todos os antigos manuscritos e tôdas as antigas versões dão ao terceiro Evangelho a inscrição — segundo S. Lucas. S. Justino, do segundo século, narra a Anunciação e o Nascimento de Jesus parafraseando S. Lucas, cujas palavras também reproduz a propósito da Instituição da Eucaristia. A carta da Igreja de Viena, documento do mesmo tempo, aplica aos seus mártires as palavras que S. Lucas dirigia a Zacarias. Os próprios gnósticos apropriam-se de palavras dêste Evangelho, como Basílides a propósito da saudação de S. Gabriel à SS. Virgem; Valentim, falando de S. Irineu, emprega textos que só se encontram em S. Lucas, e finalmente Marcião, rejeitando os outros Evangelhos, admitia sòmente o de S. Lucas, fazendo-lhe mutilações e interpolações. Celso compara textos de S. Lucas com os dos outros Evangelhos, para deduzir as considerações que lhe apraz, mas mostra, como as citações precedentes, que no segundo século o Evangelho de S. Lucas era universalmente recebido como livro sagrado.

II — Argumentos intrínsecos. — Analisando o terceiro Evangelho, descobrem-se nêle indícios claros da influência de S. Paulo, que correspondem à tradição; segundo a qual S. Lucas foi discípulo do grande Apóstolo das gentes, e se propôs reproduzir nos seus escritos os ensinamentos de tão grande mestre. Primeiramente, segundo nota Corluy, há entre o terceiro Evangelho e as Epístolas de S. Paulo uma certa concordância digna de nota. Muitas expressões comuns a S. Lucas e S. Paulo não aparecem nas obras dos demais escritores do Novo Testamento. As palavras da instituição da SS. Eucaristia são referidas do mesmo modo por S. Paulo na I Epístola aos Cor 11, 24. 25, etc.

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