Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 2

O edito de Augusto obriga a José e a Maria sua esposa a irem para Belém. Dá à luz a Virgem Mãe o Salvador. Os pastores, avisados por um anjo, vêm adorá-lo. Circuncida-se o menino, e põe-se-lhe o nome de Jesus. Vai sua Mãe apresentá-lo no templo. Simeão recebe a Jesus nos braços e prediz a sua Paixão. Assiste também Ana profetisa. Jesus de doze anos sentado entre os doutores. Torna de Jerusalém para Nazaré com seus pais a quem vive subordinado.

1E aconteceu naqueles dias que saiu um edito emanado de César Augusto para que fôsse alistado todo o mundo.[1]Edito de César AugustoNenhum texto dos Evangelhos oferece tantas dificuldades como êste e o versículo segundo. Strauss negava a realidade dêste edito promulgado por César Augusto. Reuss vai mais além: "Está assente que no reinado de Augusto não houve recenseamento geral de todo o império". Não obstante estas afirmações categóricas da escola racionalista, nós podemos dizer, em face de documentos, que Augusto publicou um edito para recensear todo o império, não só os habitantes da Itália, mas todos os das províncias incorporadas e todos os reinos aliados dos romanos, como a Judéia.

2Êste primeiro recenseamento foi feito por Cirino, governador da Síria:[2]CirinoÉ o outro ponto de que se servem os adversários quando querem atacar a veracidade do Evangelho de S. Lucas. Resolvem a objeção que os racionalistas aduzem do fato de Quirino ter sido procurador da Síria no ano 6 ou 7 da era vulgar, os exegetas, apresentando dois sistemas de interpretação: um gramatical, procurando no texto original a interpretação; o segundo sistema distingue dois recenseamentos, terminado o último no tempo de Cirino.

3E iam todos a alistar-se cada um à sua cidade.

4E subiu também José de Galiléia, da cidade de Nazaré à Judéia, à cidade de Davi, que se chamava Belém: Porque era da casa e família de Davi,

5para se alistar com a sua espôsa Maria, que estava pejada.

6E estando ali aconteceu completarem-se os dias em que havia de dar à luz.

7E deu à luz a seu filho primogénito, e o enfaixou e o reclinou em uma mangedoura: Porque não havia lugar para êles na estalagem.[3]PrimogénitoOs hebreus davam esta denominação ao primeiro filho.

ESTALAGEM — Esta palavra não deve ser entendida no sentido moderno e vulgar, mas sim na acepção de abrigo. Na Palestina eram frequentes as grutas naturais, por causa dos acidentes de terreno calcáreo, onde se abrigavam homens e animais.

8Ora, naquela mesma comarca havia uns pastores que vigiavam e revesavam entre si as vigílias da noite para guardarem o seu rebanho.

9E eis que se apresentou junto deles um anjo do Senhor, e com uma luz divina os cercou de refulgente luz, e tiveram grande temor.

10Porém o anjo lhes disse: Não temais: Porque eis aqui vos venho anunciar um grande gôzo, que o será para todo o povo:

11E é que hoje vos nasceu na cidade de Davi o Salvador, que é o Cristo Senhor.

12E êste é o sinal que vo-lo fará conhecer: Achareis um menino envolto em panos, e posto em uma mangedoura.

13E sùbitamente apareceu com o anjo uma multidão numerosa da milícia celestial, que louvavam a Deus, e diziam:

14Glória a Deus no mais alto dos Céus, e paz na terra aos homens de boa vontade.

15E aconteceu que depois que os anjos se retiraram deles para o Céu: Falaram entre si os pastores, dizendo: Passemos até Belém, e vejamos que é isto que sucedeu, que é o que o Senhor nos mostrou.

16E foram com grande pressa: E acharam a Maria, e a José, e ao menino posto em uma mangedoura.

17E vendo isto conheceram a verdade do que se lhes havia dito acerca dêste menino.

18E todos os que o ouviram se admiraram: E também do que lhes haviam referido os pastores.

19Entretanto Maria conservava tôdas estas coisas, conferindo lá no fundo do seu coração umas com outras.

20E os pastores voltaram glorificando, e louvando a Deus, por tudo o que tinham ouvido e visto, que era conforme ao que se lhes tinha dito.

21E depois que foram cumpridos os oito dias para ser circuncidado o menino: Foi-lhe pôsto o nome de Jesus, como lhe tinha chamado o anjo, antes que fôsse concebido no ventre de sua mãe.[4]Para ser circuncidadoA circuncisão foi naturalmente feita por S. José. No côro da basílica da Natividade, em Belém, ao sul do altar-mor, onde está a gruta em que nasceu Jesus Cristo, está o altar da circuncisão no sítio onde a tradição, mencionada já por S. Epifânio, localiza esta cerimónia.

22E depois que foram concluídos os dias da purificação de Maria, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor,[5]Segundo a lei de MoisésA mesma razão que obrigou ao Senhor a mostrar-se em traje de pecador, sujeitando-se à lei da circuncisão, obrigou também a Maria a que parecesse impura, ao sujeitar-se à da purificação, abatendo com êste raro exemplo de humildade a soberba dos que, sendo pecadores, impuros e rebeldes, querem ganhar o conceito de bons, limpos e irrepreensíveis. As cerimónias que nesta ocasião se observam, se podem ler no Lev 12, 2. 15.

23segundo o que está escrito na lei do Senhor: Todo o filho macho, que fôr primogénito, será consagrado ao Senhor:[6]Que fôr primogénitoIsto quer dizer precisamente a frase hebraica, ada periens vulvam, que S. Lucas alegou do livro do Êxodo.

24E para oferecerem em sacrifício, conforme ao que está mandado na lei do Senhor: Um par de rôlas ou dois pombinhos.

25E havia então em Jerusalém um homem chamado Simeão, e êste homem justo e timorato esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele.[7]SimeãoConjetura-se que era filho do famoso doutor judaico Hilel, e pai de Gamaliel, de quem se fala nos At 22, 3.

26E havia recebido resposta do Espírito Santo, que êle não veria a morte sem ver primeiro ao Cristo do Senhor.

27E veio por espírito ao templo. E trazendo os pais ao menino Jesus, para cumprirem com o preceito, segundo o costume da lei por êle:

28Então o tomou em seus braços Simeão, e louvou a Deus, e disse:

29Agora é, Senhor, que tu despedes ao teu servo em paz, segundo a tua palavra:[8]Despedes ao teu servoComo se dissera: Agora não me fica já que ver, nem que esperar neste mundo: agora podeis já desatar ao vosso servo, e romper os laços que o detêm aqui, para que livremente possa ir a gozar da paz e repouso dos justos.

30Porque já os meus olhos viram o Salvador que tu nos deste.

31O qual aparelhaste ante a face de todos os povos:

32Como lume para ser revelado aos gentios, e para glória do teu povo de Israel.

33E seu pai e mãe estavam admirados daquelas coisas que dêle diziam.

34E Simeão os abençoou, e disse para Maria sua mãe: Eis aqui está pôsto êste menino para ruína, e para salvação de muitos em Israel: E para ser o alvo a que atire a contradição:[9]Para ruínaS. Pedro na sua primeira carta, cap. II, decifra belamente o sentido desta profecia, quando, falando de Jesus Cristo, diz assim: Para vós, que crêdes, será êle honra, mas para os que não crêem, será pedra de escândalo. — Pereira.

35E será esta uma espada que traspassará a tua mesma alma, a fim de se descobrirem os pensamentos que muitos terão escondidos nos corações.

36E havia uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser: Esta havia já chegado a uma idade muito avançada, e tinha vivido sete anos com seu marido, desde a sua virgindade.[10]Desde a sua virgindadeDesde que se casou. É frase hebraica, que significa ter sido casada sete anos. — Pereira.

37Achava-se esta então viúva, de idade de oitenta e quatro anos: Ela não se apartava do templo, onde servia a Deus de dia, e de noite, em jejuns, e orações.

38Ela pois sobrevindo nesta mesma ocasião, dava graças a Deus: E falava dêle a todos os que esperavam a redenção de Israel.

39E depois que êles deram fim a tudo, segundo o que mandava a Lei do Senhor, voltaram a Galiléia para a sua cidade de Nazaré.

40Entretanto o menino crescia, e se fortificava, estando cheio de sabedoria: E a graça de Deus era com êle.

41E seus pais iam todos os anos a Jerusalém no dia solene da Páscoa.

42E quando teve doze anos, subindo êles a Jerusalém, segundo o costume do dia da festa,

43e acabados os dias que ela durava, quando voltaram para casa, ficou o menino Jesus em Jerusalém, sem que seus pais o advertissem.

44E crendo que êle viria com os da comitiva, andaram caminho de um dia, e o buscavam entre os parentes e conhecidos.[11]O buscavamA tradição cristã refere a localidade moderna El-Bireh (o Beeroth bíblico), o lugar em que Maria deu pela falta de seu divino Filho. Em memória do fato construiu-se uma igreja, de que só resta a abside e um muro setentrional.

45E como o não achassem, voltaram a Jerusalém em busca dêle.

46E aconteceu que três dias depois o acharam no templo, assentado no meio dos doutôres, ouvindo-os, e fazendo-lhes perguntas.

47E todos os que o ouviam, estavam pasmados da sua inteligência, e das suas respostas.

48E quando o viram se admiraram. E sua mãe lhe disse: Filho, por que usaste assim conosco? Sabe que teu pai e eu te andávamos buscando cheios de aflição.

49E êle lhes respondeu: Para que me buscáveis? não sabíeis que importa ocupar-me nas coisas que são do serviço de meu Pai?

50Mas êles não entenderam a palavra que lhes disse.

51E desceu com êles, e veio a Nazaré, e obedecia-lhes. E sua mãe conservava tôdas estas palavras no seu coração.

52E Jesus crescia em sabedoria, e em idade, e em graça diante de Deus e dos homens.[12]Crescia em sabedoria e em idadeJesus, enquanto homem, tendo as mesmas faculdades e aptidões como nós, e achando-se neste mundo em condições análogas às nossas, via como nós vemos, formava as mesmas idéias e adquiria a mesma ciência, que manifestava gradualmente. Esta ciência era para Jesus a consequência natural da condição em que se encontrava, desde que assumira a natureza humana, dando sinais dela, progredindo, interrogando, admirando-se, etc.

Introdução

Autor. — S. Lucas era médico (Col 4, 14) e natural de Antioquia na Síria, segundo os testemunhos de Eusébio, Hist. Eccl. 3-4, Hieron. de Vir. ill. cap. 7. Parece que era grego de nascimento: Eusébio, Comment. in Luc. Collect. Nov. p. 149, e Sedúlio diz em confirmação desta hipótese: Hic Lucas primitus Apostolorum discipulus, postea Paulum magistrum gentium quasi gentilis et virgo virginem secutus fuerat. O próprio nome Lucas pode ser uma abreviatura de Lucanus. O que é certo é que S. Lucas se exprime muito melhor em grego do que os outros hagiógrafos do Novo Testamento, e também se sabe que a Igreja de Antioquia era primitivamente composta na quase totalidade de gregos, o que tudo confirma a opinião supra indicada.

Não sabemos quando nem como S. Lucas se converteu ao Cristianismo, Valroger, Introduction historique et critique aux livres du Nouveau Testament, t. 2, § 13, p. 74. Segundo tôdas as aparências, professou o cristianismo em Antioquia, onde travou relações com S. Barnabé e S. Paulo e depois com S. Pedro. Quando nos Atos dos Apóstolos 16, 10, se refere a S. Paulo fala do Príncipe dos Apóstolos como dum antigo conhecido, o que não acontece a respeito de Timóteo, At 16, 1. Acompanha S. Paulo de Tróade para Filipos, na Macedônia, onde ficou, enquanto que o Apóstolo se dirigia para a Grécia com os seus companheiros. Estêve bastante tempo ausente de S. Paulo, a quem depois seguiu para o Oriente, voltando à Itália, permanecendo ambos em Roma durante dois anos.

Durante êste último lapso de tempo, S. Paulo fala dêle duas vezes nas suas Epístolas (Col 6, 14; Flm 24). Na 2.ª Epístola a Timóteo (4, 11), diz que S. Lucas tinha ficado em sua companhia. Abandonou depois Roma e veio a morrer na Acaia com setenta e quatro anos. Sedúlio Argum. in Luc. 5, 11. As suas relíquias foram transportadas para Constantinopla, no vigésimo ano do reinado de Constâncio, 357. S. Gregório Nazianzeno conta-o entre os mártires. Orat. 6 e 69. Cfr. Act. Sanct. die 18 oct.

Data. — Todos os autores eclesiásticos, exceto Clemente de Alexandria, atestam que êste Evangelho apareceu depois do de S. Marcos. O próprio S. Lucas confessa que não é o primeiro que tentou escrever a vida de Jesus Cristo, Lc c. 1. Sabe-se também que publicou o seu Evangelho antes de escrever os Atos dos Apóstolos, At 1, 1. Ora o livro dos Atos terminou no ano 62 ou 63, em que acaba bruscamente.

Fim. — A idéia de escrever êste Evangelho foi sugerida a S. Lucas, pelas lacunas que se encontram nos dois Evangelhos precedentes, procurando dar ao seu trabalho uma ordem mais rigorosa, e fortificar nos seus leitores a convicção das coisas anunciadas. S. Lucas, escrevendo para os gentios — Evangelium graecis scripsit, como diz S. Jerônimo — trata de pôr ante os olhos dêstes tudo quanto lhes podia interessar ou comover, como o perdão ao filho pródigo e à pecadora, a preferência dada ao publicano sôbre o fariseu e ao samaritano sôbre o próprio levita. S. Mateus apresentara Jesus aos hebreus como Messias, e S. Marcos aos romanos como Filho de Deus; S. Lucas apresenta-O aos gregos, isto é, a todos os povos civilizados, como o Salvador de todo o gênero humano.

Estilo. — É o livro mais cuidado do Novo Testamento, tendo muita analogia com o livro dos Atos. A linguagem é correta, as imagens vivas, os têrmos escolhidos, havendo mesmo o emprêgo frequente de palavras diletas do autor, tocantes, afetuosas, cheias de delicadeza; períodos que se destacam pela simplicidade e harmonia, etc. Jesus Cristo é chamado o Senhor, e preconiza-se a confiança no Salvador como meio indispensável para se obter a salvação. Há uma circunstância notável neste livro e que deriva da profissão do autor. No presente Evangelho, S. Lucas descreve as doenças curadas por Jesus Cristo com muita precisão, e com a terminologia adequada, vigente na época. Além disso o seu trabalho reveste a forma histórica. Começa por um prólogo, e por uma dedicatória a um Teófilo, cristão de Roma ou de Acaia, como era uso entre os gregos. Vai buscar o início dos fatos evangélicos, segue a sua narração até ao fim, concatenando os acontecimentos e observando a ordem cronológica. É êste o único que menciona os setenta e dois discípulos que, ao mesmo tempo que revela a precisão histórica do autor, faz supor que êle pertenceu a êsse corpo.

Notam-se-lhe alguns hebraísmos, é certo, mas os que apresenta têm certa correção, sendo sem dúvida alguma o mais correto dos Evangelistas.

Divisão. — Podem distinguir-se neste Evangelho quatro partes e um prólogo.

Prólogo — cap. 1, 1-4.

Primeira parte: Infância e juventude de Jesus Cristo, cap. 1, 5 — 4, 13.

Segunda parte: Preparação na Galiléia, 4, 14 — 9, 50.

Terceira parte: Viagem da Galiléia a Jerusalém, 9, 51 — 18, 30.

Quarta parte: Últimos mistérios, 18, 31 — 24.

Autenticidade do Evangelho de S. Lucas. — Prova-se com vários argumentos extrínsecos e intrínsecos.

I — Argumentos extrínsecos: 1.° Testemunhos formais da antiguidade: O catálogo de Muratori apresenta-nos um testemunho indiscutível do século II: "O terceiro livro do Evangelho segundo S. Lucas. Êste Lucas, médico, que S. Paulo, depois da Ascensão do Senhor, associou aos seus trabalhos, escreveu no seu próprio nome, seguindo as idéias de S. Paulo. Todavia êle não viu o Senhor em carne, e por isso conta os fatos pelo modo como pôde dêles ter conhecimento". Tertuliano censura Marcião por ter alterado o Evangelho de S. Lucas, que foi recebido por tôdas as Igrejas. Reivindica em favor dêste escrito a própria autoridade dos Apóstolos; Adv. Marcion. IV, 5. S. Irineu reproduz a mesma opinião, e ao cabo duma análise minuciosa conclui dizendo que corresponde aos antecedentes. Clemente de Alexandria invoca, em prova duma das suas asserções, o Evangelho segundo S. Lucas. S. Tron. F. 21.

2.° Testemunhos indiretos: Todos os antigos manuscritos e tôdas as antigas versões dão ao terceiro Evangelho a inscrição — segundo S. Lucas. S. Justino, do segundo século, narra a Anunciação e o Nascimento de Jesus parafraseando S. Lucas, cujas palavras também reproduz a propósito da Instituição da Eucaristia. A carta da Igreja de Viena, documento do mesmo tempo, aplica aos seus mártires as palavras que S. Lucas dirigia a Zacarias. Os próprios gnósticos apropriam-se de palavras dêste Evangelho, como Basílides a propósito da saudação de S. Gabriel à SS. Virgem; Valentim, falando de S. Irineu, emprega textos que só se encontram em S. Lucas, e finalmente Marcião, rejeitando os outros Evangelhos, admitia sòmente o de S. Lucas, fazendo-lhe mutilações e interpolações. Celso compara textos de S. Lucas com os dos outros Evangelhos, para deduzir as considerações que lhe apraz, mas mostra, como as citações precedentes, que no segundo século o Evangelho de S. Lucas era universalmente recebido como livro sagrado.

II — Argumentos intrínsecos. — Analisando o terceiro Evangelho, descobrem-se nêle indícios claros da influência de S. Paulo, que correspondem à tradição; segundo a qual S. Lucas foi discípulo do grande Apóstolo das gentes, e se propôs reproduzir nos seus escritos os ensinamentos de tão grande mestre. Primeiramente, segundo nota Corluy, há entre o terceiro Evangelho e as Epístolas de S. Paulo uma certa concordância digna de nota. Muitas expressões comuns a S. Lucas e S. Paulo não aparecem nas obras dos demais escritores do Novo Testamento. As palavras da instituição da SS. Eucaristia são referidas do mesmo modo por S. Paulo na I Epístola aos Cor 11, 24. 25, etc.

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