Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 15

Aparece Deus a Abrão. Promessa do nascimento de um filho. Sacrifício de Abrão. Deus lhe prediz a escravidão de seus descendentes por quatrocentos anos. Aliança de Deus com Abrão.

1Passado isto, falou o Senhor a Abrão numa visão, e lhe disse: Não temas, Abrão; eu sou teu protetor, e a tua paga será infinitamente grande.

2Abrão lhe respondeu: Senhor Deus, que me deste tu? Eu morrerei sem filhos: e o filho do procurador de minha casa, êste Eliezer de Damasco...

3Quanto a mim, ajuntou êle, tu não me tens dado filhos, e o meu escravo será o meu herdeiro.

4A isto lhe respondeu logo o Senhor: Êste não há de ser o teu herdeiro; mas tu terás por herdeiro aquele, que nascerá de ti.

5E depois de o ter feito sair para fora, disse-lhe: Levanta os teus olhos ao céu, e conta, se podes as estrêlas. Assim é, ajuntou êle, que se multiplicará a tua posteridade.

6Creu Abrão em Deus, e à sua fé lhe foi imputada justiça.

7Disse-lhe mais o Senhor: Eu sou o Senhor que te tirei de Ur dos caldeus para te dar esta terra; e a possuíres.[1]UR DOS CALDEUSHoje Mugheir, na antiga Caldéia. Era uma cidade notável, onde se cultivavam as ciências, artes e literatura. O culto dominante era a adoração da Lua sob o nome de Sin.

8Respondeu Abrão: Senhor Deus, por onde poderei eu conhecer que a hei de possuir?[2]COMO PODEREI SABEREstas palavras não exprimem dúvida das promessas divinas; êle pede apenas a Deus que lhe faça conhecer como elas serão executadas.

9Continuou o Senhor: Toma-me uma vaca de três anos, e uma cabra de três anos, e um carneiro de três anos, com uma rôla e uma pomba.

10Abrão tendo tomado todos êstes animais, cortou-os em duas metades, e pôs as duas metades, que tinha cortado, bem defronte uma da outra; mas não dividiu a rôla, nem a pomba.

11Ora, as aves vinham pôr-se sôbre os cadáveres, e Abrão as enxotava.

12Ao pôr do sol sentiu-se Abrão oprimido dum profundo sono, e ocupado de um grande horror como se estivesse metido em trevas.

13Então lhe foi dito: Sabe desde agora, que a tua posteridade ficará vivendo numa terra estrangeira e será reduzida à escravidão, e aflita por quatrocentos anos.

14Mas eu exercitarei os meus juízos sôbre o povo a que êles estarão sujeitos; êles sairão, ao depois daquela terra, trazendo consigo grandes riquezas.

15Pelo que toca a ti, tu irás em paz para teus pais, sendo sepultado numa ditosa velhice.[3]IRÁS EM PAZ PARA TEUS PAISEsta expressão quer dizer "morrerás tranquilo". Para os hebreus a morte era o têrmo da peregrinação terrestre; morrer era voltar para os pais, reunir-se aos seus, e por estas expressões se vê que a morte era para êles o início duma vida melhor, na companhia dos antepassados.

16Mas os teus descendentes tornarão a entrar nesta terra à quarta geração: porque a medida das iniquidades dos amorreus não está ainda até agora cheia.

17Quando pois foi sol pôsto, formou-se uma escuridade tenebrosa, e apareceu um forno, donde saía muito fumo; e viu-se uma lâmpada acesa, que passava através das reses divididas.

18Naquele dia fêz o Senhor aliança com Abrão, e lhe disse: Eu darei à tua posteridade esta terra desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates:

19Tudo o que possuem os cineus, os ceneseus, os cedmoneus,

20os heteus, os fereseus, os rafains,

21os amorreus, os cananeus, os gergeseus, e os jebuseus.

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