Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 8

Diminuição das águas do dilúvio. Envia Noé o corvo. Depois a pomba. Sai Noé da arca. Oferece um sacrifício a Deus. Concêrto, que Deus fêz com êle.

1Tendo-se o Senhor lembrado de Noé e de todos os animais silvestres e de todos os animais domésticos que estavam com êle na arca, mandou um vento sôbre a terra, que fêz diminuir as águas.

2E as origens do abismo se fecharam, como também as cataratas do céu, e as chuvas que caíam do céu se suspenderam;

3E as águas levadas duma parte a outra se retiraram de cima da terra e começaram a diminuir depois de cento e cinquenta dias.

4E no dia vinte e sete do sétimo mês, parou a arca sôbre os montes de Arménia.

5Entretanto as águas iam sempre em diminuição até ao décimo mês; e no primeiro dia do décimo mês apareceram os cumes dos montes.

6Tendo-se passado quarenta dias, abriu Noé a janela que tinha feito na arca, e deixou sair o corvo,

7o qual saiu, e não tornou, até que as águas, que estavam sôbre a terra, se secaram.

8Despediu também a pomba depois do corvo, para ver se as águas se tinham já retirado de cima da superfície da terra.

9E a pomba, como não achasse onde pôr o pé, tornou a voltar para a arca, porque as águas ainda estavam derramadas sôbre tôda a terra: e Noé, estendendo a mão, tomou a pomba, e a tornou a meter na arca.

10E depois de ter esperado ainda outros sete dias, segunda vez largou a pomba da arca.

11Voltou ela para Noé sôbre a tarde, trazendo no bico, um ramo verde de oliveira. Assim conheceu Noé, que as águas se tinham retirado de cima da terra.

12Ainda contudo esperou Noé outros sete dias, e deixou ir a pomba, que não tornou mais a êle.

13No ano seiscentos e um da vida de Noé, no primeiro dia do primeiro mês, tendo-se as águas retirado totalmente de cima da terra, abriu Noé o teto da arca; e olhando dali, conheceu que tôda a superfície da terra estava sêca.

14Ao dia vinte e sete do segundo mês, tôda a terra estava sêca.

15Então falou o Senhor a Noé, e lhe disse:

16Sai da arca tu, e teus filhos, tua mulher, e as mulheres de teus filhos.

17Faze sair também todos os animais, que nela estão contigo, de tôda a carne, tanto de aves como de bestas, como de répteis, que andam de rastos sôbre a terra: Entrai na terra, crescei e multiplicai-vos nela.

18Saiu pois Noé com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos.

19Saíram também da arca tôdas as bestas silvestres, os animais domésticos e os répteis que andam de rastos sôbre a terra, cada um na sua espécie.

20Ora, Noé edificou um altar ao Senhor; e tomando de tôdas as reses e de tôdas as aves, ofereceu-lhas em holocausto sôbre o altar.[1]UM ALTAR AO SENHORE' a primeira vez que, até êste ponto, se fêz menção dum altar na Sagrada Escritura.

21O que foi assim agradável ao Senhor, como um suave cheiro; e êle disse: Não amaldiçoarei mais a terra por causa dos homens: porque o espírito e o pensamento do coração do homem são inclinados para o mal desde a sua mocidade. Não tornarei pois a ferir de morte todo o vivente como fiz.[2]MISERICÓRDIA DE DEUSAqui está manifestada a Misericórdia de Deus, e a eficácia da oração de Noé, que alcançou de Deus a piedade para com as faltas dos homens.

22Ver-se-ão sempre as sementes, e as searas; o frio e o calor; o verão e o inverno; o dia e a noite sucedendo um ao outro todo o tempo que a terra durar.

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