Capítulo 32
1Continuando Jacó o seu caminho, encontrou uns anjos de Deus.
2E tendo-os visto, disse: Êste é o arraial de Deus: E chamou a êste lugar Maanaim, isto é, Arraial.[1]MAANAIM — Esta localidade estava situada a este do Jordão e ao norte de Jabó. Foi a capital de Isboset, onde se refugiou Davi, durante a revolta de Absalão.
3Ao mesmo tempo mandou êle adiante de si, quem fôsse dar parte da sua vinda a seu irmão Esaú, à terra de Seir em Edom.
4E deu esta ordem aos mensageiros: Eis-aqui como vós haveis de falar a Esaú meu Senhor. Jacó teu irmão te manda dizer isto. Eu morei com Labão como estrangeiro, e com êle estive até o dia de hoje.
5Tenho bois, jumentos, ovelhas, servos e servas: E mando agora esta embaixada a meu Senhor, para achar graça diante dêle.
6Voltaram os mensageiros, e disseram a Jacó: Nós fomos a teu irmão Esaú, e ei-lo aí vem a tôda a pressa a encontrar-se contigo com quatrocentos homens.
7Temeu Jacó muito; e de assustado que se achava, dividiu em duas turmas todos os que vinham com êle, e os rebanhos, as ovelhas, os bois, e os camelos, dizendo:
8Se Esaú vier atacar uma das turmas, a outra, que restar, me salvará.
9Depois fêz Jacó esta oração: Deus de meu pai Abraão, Deus de meu pai Isaac, que me disseste: Volta para a tua terra, e para o lugar da tua nascença, e eu te encherei de benefícios:
10Eu sou indigno de tôdas as tuas misericórdias, e da verdade, que tu tens guardado em tôdas as promessas, que fizeste a teu servo. Eu passei êste Jordão, não tendo senão o meu báculo, e agora volto com estas duas tropas.
11Livra-me da mão de meu irmão Esaú, porque eu tenho muito mêdo dêle, não suceda que na sua chegada passe ao fio da espada a mãe com os filhos.
12Tu me prometeste, que me havias de cumular de bens, e que havias de multiplicar a minha descendência como a areia do mar, cuja multidão é inumerável.
13Jacó tendo passado a noite naquele mesmo lugar, separou de tudo o que tinha seu certos presentes para seu irmão Esaú:
14A saber, duzentas cabras, vinte bodes, duzentas ovelhas, e vinte carneiros,
15trinta camelas com as suas crias, quarenta vacas, vinte touros, vinte burras, e dez crias suas.
16Mandou Jacó separadamente cada um dêstes rebanhos, que êle fêz conduzir pelos seus servos, e lhes disse: Ide adiante de mim, e haja seu espaço entre rebanho, e rebanho.
17E disse ao primeiro: Se tu encontrares meu irmão Esaú, e êle te perguntar: De quem és tu? ou para onde vais? ou de quem são estas reses, que tu levas?
18Responder-lhe-ás: São de teu servo Jacó, que as manda de presente a meu Senhor Esaú, e êle mesmo vem atrás de nós.
19A mesma ordem deu êle ao segundo, ao terceiro, e a todos os que conduziam os rebanhos, dizendo-lhes: Quando vós encontrardes a Esaú, dir-lhe-eis a mesma coisa,
20e ajuntareis: O mesmo Jacó teu servo vem atrás de nós. Porque dizia Jacó. Apaziguá-lo-ei com os presentes, que vão adiante de mim; e depois quando eu o vir, talvez que êle me olhe favoràvelmente.
21Foram pois adiante de Jacó os presentes e êle ficou aquela noite no campo.
22E tendo-se levantado muito cedo, tomou as suas duas mulheres, e as suas duas escravas, com os seus onze filhos e passou o vau de Jaboc.
23Depois de ter feito passar tudo o que era seu,
24ficou êle só: E eis-que apareceu um homem, que lutou com êle até pela manhã.[2]UM HOMEM — O profeta Osias dá-lhe o nome de Anjo. A subsequente doença de Jacó prova que êste combate foi real, e não um sonho, ou uma luta imaginária.
25O qual homem vendo que o não podia vencer, tocou-lhe no nervo da coxa, e logo êste se secou.
26E êle disse a Jacó. Larga-me, porque já começa a raiar a aurora. Ao que Jacó respondeu: Eu não te hei de largar, menos que tu me não abençoes.
27Perguntou-lhe o homem: Como te chamas tu? Respondeu êle: Jacó.
28Prosseguiu o mesmo homem: Daqui em diante não te chamarão mais Jacó mas Israel: Porque se tu fôste forte contra Deus, como o não serás tu mais contra os homens?
29Depois lhe fêz Jacó esta pergunta: Diz-me, como te chamas tu? Respondeu-lhe êle: Por que me perguntas tu o meu nome? E êle o abençoou no mesmo lugar.
30Pôs Jacó àquele lugar o nome de Fanúel, dizendo: Eu vi a Deus face a face, e a minha alma foi salva.
31Tanto que passou de Fanuel, viu que nascia o sol; mas êle coxeava de uma perna.
32Esta é a razão, porque até ao dia de hoje não comem os filhos de Israel nervo, lembrando-se daquele, que foi tocado na coxa de Jacó, e que ficou sem movimento.