Capítulo 16
1Ora Sarai, mulher de Abrão, não tinha filhos: mas como tinha uma escrava egiptana, chamada Agar,[1]AGAR — Naturalmente era uma das escravas que o Faraó tinha dado a Abrão (Gen 12, 6) e estava desde êsse tempo ao seu serviço.
2disse a seu marido: Bem vês que o Senhor me fêz estéril, e que eu não posso ter filhos. Toma pois a minha escrava, a ver se ao menos por ela posso ter filhos. E como Abrão anuísse aos seus rogos,[2]POLIGAMIA — Concordaram todos os Santos Padres que a poligamia, ainda que contrária à instituição primitiva do matrimónio (Gen 2, 24), foi tolerada por Deus, com o fim de aumentar a população, permissão que existiu durante a legislação mosaica, tendo contudo Moisés publicado várias disposições, que eram outros tantos obstáculos à poligamia. Veja-se o que sôbre tal assunto escreve Glaire, Introduction a l'Écriture Sainte.
3tomou Sarai a Agar egiptana sua escrava, e a deu por mulher a seu marido, dez anos depois que êles tinham começado a habitar na terra de Canaã.
4Tendo Abrão entrado a ela, e vendo Agar, que tinha concebido, começou a desprezar a sua senhora.
5Então disse Sarai a Abrão: Tu tratas-me dum modo injusto. Eu dei-te a minha escrava para ser tua mulher, e ela depois que se viu prenhada, despreza-me. O Senhor, seja juiz entre mim, e ti.
6Abrão lhe respondeu: Eis-aí a tua escrava; ela está nas tuas mãos, usa dela, como te der na vontade. Como Sarai a maltratasse, fugiu Agar.
7E tendo-a o anjo do Senhor, achado no ermo ao pé da fonte, que está junto ao caminho de Sur no deserto, disse-lhe:
8Agar, escrava de Sarai, donde vens tu? e para onde vais? Ela lhe respondeu: Fujo de diante de Sarai minha senhora.
9E o anjo do Senhor lhe disse: Volta para a tua senhora, e humilha-te debaixo da sua mão.
10E ajuntou: Eu multiplicarei a tua descendência, e a farei tão numerosa, que ela se não possa contar.
11Disse ainda mais: Eis-aí concebeste tu, e parirás um filho, a quem porás o nome de Ismael; porque o Senhor te ouviu na tua aflição.
12Êste será um homem fero, cuja mão será contra todos, e contra o qual terão todos a mão levantada. Êle porá as suas tendas defronte de todos os seus irmãos.
13Então invocou Agar o nome do Senhor, que lhe tinha falado, e disse: Tu és o Deus que me viste; porque é certo, (ajuntou ela) que eu vi aqui por detrás aquele, que me vê.
14Por esta razão chamou ela àquele poço o Poço do que vive, e do que me vê. Êste é o poço, que está entre Cades, e Barad.
15Ora, Agar pariu um filho a Abrão, que o chamou Ismael.
16Tinha Abrão oitenta e seis anos, quando Agar lhe pariu a Ismael.