Capítulo 2
1Assim pois foram acabados o céu, e a terra com todos os seus ornatos.
2E acabou Deus no dia sétimo a obra que tinha feito: e descansou no dia sétimo, depois de ter acabado as suas obras.
3E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque neste dia cessou êle de produzir tôdas as obras que tinha criado.
4Tal foi a origem do céu, e da terra, e assim é que êles foram criados no dia, que o Senhor os criou,[1]CRONOLOGIA BÍBLICA — Não existe uma cronologia bíblica, e conquanto apareçam vários sistemas e se tenham defendido variadas hipóteses, mais ou menos rigorosamente fundamentadas, contudo a Igreja nunca se pronuncia sôbre tão delicado assunto. "E', diz o Cardeal Meignan, um êrro acreditar que a Igreja estabeleça para a antiguidade do homem esta ou aquela duração, por isso que nunca emitiu o seu juízo sôbre a questão". Quanto às datas que encimam vários capítulos, ou parte da Bíblia, fique desde já assente, que nem fazem parte do texto inspirado nem são dos hagiógrafos, mas de diversos comentadores.
5e que criou tôdas as plantas do campo, antes que elas tivessem saido da terra; e tôdas as ervas da terra, antes que elas tivessem arrebentado: porque ainda o Senhor Deus não tinha chovido sôbre a terra, nem o homem, que a devia cultivar, era ainda nada:
6mas da terra saia uma fonte de água, que lhe regava tôda a superfície.
7Formou pois o Senhor Deus ao homem do limo da terra, e assoprou sôbre o seu rosto um assopro de vida; e recebeu o homem, alma e vida.
8Ora, o Senhor Deus, tinha plantado ao princípio um paraíso, ou jardim delicioso, no qual pôs ao homem, que tinha formado.
9Tinha também o Senhor Deus feito nascer da terra tôdas as castas de árvores agradáveis à vista, e cujo fruto era gostoso ao paladar: e a árvore da vida no meio do paraíso, com a árvore da ciência do bem e do mal.
10Dêste lugar de delícias saía um rio, que regava o paraíso, e que dali se repartia em quatro braços.
11Um se chama Fison; e êste é o que torneia todo o país de Evilate, onde nasce ouro.
12E o ouro desta terra é excelente: ali também se acha o bedélio e a pedra cornelina.
13O segundo rio chama-se Geon: êste é o que torneia todo o país da Etiópia.
14O terceiro rio chama-se o Tigre que corre para a banda dos assírios; e o quarto dêstes rios é o Eufrates.
15Tomou pois o Senhor Deus ao homem, e pô-lo no paraíso das delícias, para êle o hortar e guardar.[2]PARAÍSO DAS DELÍCIAS — A palavra paraíso corresponde ao hebreu pardês e ao persa paradoesa, significa parque, jardim cerrado e plantado de árvores. O texto determina a situação do paraíso terrestre, dizendo que o Éden estava situado no levante, banhado por quatro rios, ou melhor, por um rio que se dividia em quatro braços, que se chamavam Fison, Geon, Tigre e Eufrates. A identificação dos dois últimos não oferece dúvidas; outro tanto não sucede com os primeiros, e daí a dificuldade de localizar o paraíso terrestre. Têm-se apresentado várias conjeturas, mas nada de positivo se sabe, porque o dilúvio e tantos acidentes cósmicos, no decurso dos séculos, podem ter modificado notàvelmente a topografia dêsses lugares, tornando difíceis, senão baldadas, quaisquer pesquisas. A terra de Hevilat, banhada pelo Fison, é a Cólchida, o país dos metais preciosos, onde os argonautas iam procurar o velo de ouro. O Geon parece ser o moderno Aras, que vai desaguar no mar Cáspio. Por tudo isto o sábio filólogo alemão Ebers diz "que o paraíso terrestre deve ser procurado nas origens do Tigre e do Eufrates, e a isso chegamos pelos conhecimentos de etnografia, geografia, história hebraica, crónicas arménias e, dum modo particular, da filologia comparada". Sayce, professor em Oxford, sustenta que o paraíso estava situado na planície de Babilónia, e que o rio que o banhava era o gôlfo Pérsico, chamado pelos babilónios o rio amargo. The higher Criticism and the verdict of the Monuments (1895). Não se trata dum mito geográfico ou pura ficção, mas sim da primeira página da história da humanidade, história cujos documentos têm passado através dos séculos gravados nas pedras dos templos das mais antinômicas religiões, e nas mitologias de todos os povos.
16E deu-lhe esta ordem, e lhe disse: Come de todos os frutos das árvores do paraíso.
17Mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem, e do mal. Porque em qualquer tempo que comeres dêle, certissimamente morrerás.
18Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só: façamos-lhe uma Ajudante semelhante a êle.
19Tendo pois o Senhor Deus formado da terra todos os animais terrestres, e tôdas as aves do céu, êle os levou a Adão, para êste ver como os havia de chamar. E o nome, que Adão pôs a cada animal é o seu verdadeiro nome.
20Êle os chamou pelo nome, que lhes era próprio, assim as aves do céu, como os animais da terra: mas não se achava Ajudante para Adão, que fôsse semelhante a êle.
21Mandou pois o Senhor Deus um profundo sono a Adão; e quando êle estava dormindo, tirou Deus uma das suas costelas, e pôs carne em seu lugar.
22E da costela que tinha tirado de Adão, formou o Senhor Deus uma mulher, que êle lhe apresentou.
23Então disse Adão: Eis aqui agora o osso de meus ossos, e a carne da minha carne. Esta se chamará por um nome derivado do homem, porque foi tirada do homem.
24Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e se unirá a sua mulher: e serão dois numa mesma carne.
25Ora, Adão e sua mulher estavam nus e não se envergonhavam.