Capítulo 25
1Então será semelhante o reino dos Céus a dez virgens: Que tomando as suas lâmpadas, saíram a receber o espôso e a espôsa.[1]1 — A DEZ VIRGENS — Êste completo número compreende todos os fiéis cristãos, que se comparam às Virgens, por causa da pureza da sua fé, e da profissão que fazem de se abster de todos os deleites profanos. O espôso é Jesus Cristo; a espôsa a Igreja.
2Mas cinco de entre elas eram loucas, e cinco prudentes.
3As cinco porém que eram loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo:
4Mas as prudentes levaram azeite nas suas vasilhas juntamente com as lâmpadas.[2]2 — AZEITE — Êste azeite é a caridade que faz luzir, e que nutre a fé, para obrarmos bem.
5E tardando o espôso, começaram a tosquenejar tôdas, e assim vieram a dormir.[3]3 — E TARDANDO O ESPOSO — Esta tardança do espôso significa, segundo os santos Padres, o tempo que passará desde a primeira vinda do Filho de Deus até à segunda.
6Quando à meia-noite se ouviu gritar: Eis aí vem o espôso, saí a recebê-lo.
7Então se levantaram tôdas aquelas virgens, e prepararam as suas lâmpadas.
8E disseram as fátuas às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam.
9Responderam as prudentes, dizendo: Para que não suceda talvez faltar-nos êle a nós, e a vós, ide antes aos que o vendem, e comprai o que haveis mister.
10E enquanto elas foram a comprá-lo, veio o espôso, e as que estavam apercebidas entraram com êle a celebrar as bodas, e fechou-se a porta.[4]4 — E ENQUANTO ELAS FORAM — S. Jerônimo o explica, dizendo: que depois do dia do juízo, está fechada a porta, e não fica lugar para as boas obras e justiça. Pelo nome de lâmpada se entende a Fé, e pelo de ôleo a Caridade. — Bossuete.
A CELEBRAR AS BODAS — Entraram no banquete, e gôzo do Céu. O fim porém desta parábola é mostrar a necessidade que todos têm de trabalhar, cada um segundo o seu talento, e segundo o seu emprêgo. — Sacy.
11E por fim vieram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos.
12Mas êle respondendo, lhes disse: Na verdade vos digo, que vos não conheço.
13Vigiai pois, porque não sabeis o dia, nem a hora.
14Porque assim é como um homem que, ao ausentar-se para longe, chamou aos seus servos, e lhes entregou os seus bens.
15E deu a um cinco talentos, e a outro dois, e a outro deu um, a cada um segundo a sua capacidade, e partiu logo.[5]5 — TALENTOS — Cada talento valia quase dez tostões.
SEGUNDO A SUA CAPACIDADE — Segundo a medida da fé, e da graça, que cada um haja recebido; porque Deus não nos manda coisas impossíveis, nem nos põe uma carga que não possamos levar, ajudados da sua graça.
16O que recebera pois cinco talentos, foi-se e entrou a negociar com êles, e ganhou outros cinco.
17Da mesma sorte também o que recebera dois, ganhou outros dois.
18Mas o que havia recebido um, indo-se com êle cavou na terra, e escondeu ali o dinheiro de seu senhor.
19E passando muito tempo veio o Senhor daqueles servos, e chamou-os a contas.
20E chegando-se a êle o que havia recebido os cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, tu me entregaste cinco talentos, eis aqui tens outros cinco mais que lucrei.
21Seu senhor lhe disse: Muito bem, servo bom, e fiel, já que foste fiel nas cousas pequenas, dar-te-ei a intendência das grandes; entra no gôzo de teu Senhor.
22Da mesma sorte apresentou-se também o que havia recebido dois talentos, e disse: Senhor, tu me entregaste dois talentos, eis aqui outros dois, que ganhei com êles.
23Seu Senhor lhe disse: Bem está, servo bom, e fiel, já que foste fiel nas cousas pequenas, dar-te-ei a intendência das grandes; entra no gôzo de teu senhor.
24E chegando também o que havia recebido um talento, disse: Senhor, sei que és um homem de rija condição, segas onde não semeaste, e recolhes onde não espalhaste:
25E temendo me fui, e escondi o teu talento na terra: Eis aqui tens o que é teu.
26E respondendo seu Senhor, lhe disse: Servo mau, e preguiçoso, sabias que sego onde não semeio, e que recolho onde não tenho espalhado:
27Devias logo dar o meu dinheiro aos banqueiros, e vindo eu teria recebido certamente com juro o que era meu.
28Tirai-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem dez talentos.
29Porque a todo o que já tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância: E ao que não tem, tirar-se-lhe-á até o que parece que tem.
30E ao servo inútil lançai-o nas trevas exteriores: Ali haverá chôro, e ranger de dentes.
31Mas quando vier o Filho do homem na sua majestade, e todos os anjos com êle, então se assentará sôbre o trono da sua majestade:
32E serão tôdas as gentes congregadas diante dêle, e separará uns dos outros, como o pastor aparta dos cabritos as ovelhas:
33E assim porá as ovelhas à direita, e os cabritos à esquerda.
34Então dirá o rei aos que hão de estar à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possui o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo:
35Porque tive fome, e destes-me de comer: Tive sêde, e destes-me de beber: Era hóspede, e recolhestes-me:
36Estava nu, e cobristes-me: Estava enfermo, e visitastes-me: Estava no cárcere, e viestes ver-me.
37Então lhe responderão os justos, dizendo: Senhor, quando é que nós te vimos faminto, e te demos de comer: Ou sequioso, e te demos de beber?
38E quando te vimos hóspede, e te recolhemos: Ou nu, e te vestimos?
39Ou quando te vimos enfermo: Ou no cárcere, e te fomos ver?
40E respondendo o rei, lhes dirá: Na verdade vos digo, que quantas vêzes vós fizestes isto a um dêstes meus irmãos mais pequeninos, a mim é que o fizestes.
41Então dirá também aos que hão de estar à esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que está preparado para o diabo, e para os seus anjos:
42Porque tive fome, e não me destes de comer: Tive sêde, e não me destes de beber:
43Era hóspede, e não me recolhestes; estava nu, e não me cobristes: Estava enfermo, e no cárcere, e não me visitastes.
44Então êles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando é que nós te vimos faminto, ou sequioso, ou hóspede, ou nu, ou enfermo, ou no cárcere, e deixamos de te assistir?
45Então lhes responderá êle, dizendo: Na verdade vos digo: Que quantas vêzes o deixastes de fazer a um dêstes pequeninos, a mim o deixastes de fazer.
46E irão êstes para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna.