Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 10

TROMBETAS PARA DAR SINAL. DESCAMPAMENTO DOS FILHOS DE ISRAEL. MOISÉS ROGA A HOBAB, FILHO DE JETRO, QUE O ACOMPANHE.

1Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo:

2Faze para ti duas trombetas de prata batidas ao martelo, com as quais possas convocar o povo, quando se houver de levantar o campo.

3E quando tiveres feito soar as trombetas todo o povo se ajuntará ao pé de ti, à entrada do tabernáculo do concerto.[1]E QUANDO TIVERES FEITO SOARIndicam-se cinco usos de trombetas, o primeiro dos quais é êste: convocar todo o povo junto do tabernáculo.

4Se as tocares uma só vez, virão a ti os príncipes, e os chefes do povo de Israel.[2]UMA SE’ o segundo uso: o toque de uma só trombeta servia para chamar apenas os chefes do povo.

5Mas se o som fôr mais prolongado e interrompido, descamparão primeiro os que estão para a banda do orien te.[3]. PROLONGADO E INTERROMPIDOE’ o terceiro uso: serve para o desacampamento. A BANDA DO ORIENTE — As tribos de Judá, Issacar e Za- bulon.

6No segundo toque porém, e igual som da trom beta, levantarão as tendas os que habitam ao Meio-Dia e do mesmo modo farão os outros, quando as trombetas fizerem sinal para a partida.[4]AO MEIO-DIAAo sul: As tribos de Rúben, Simeão e Gad. OS OUTROS — Primeiro Efralm, Manassés e Benjamim, a seguir, Dan, Aser, Neftali.

7Mas quando se houver de congregar o povo, será o som das trombetas singelo, e não soarão interrompidamente.

8Os filhos porém de Aarão, sacerdotes, tocarão as trombetas: e esta lei será guardada para sempre nas vos sas gerações.

9Se sairdes do vosso país para a guerra contra os inimigos que vos atacam, fareis soar interrompidamente as trombetas, e o Senhor vosso Deus se lembrará de vós, para vos livrar das mãos de vossos inimigos.

10Quando fizerdes algum banquete, e celebrardes os dias de festa, e as calendas, tocareis as trombetas so bre os holocaustos, e hóstias pacíficas, a fim de que o vosso Deus se lembre de vós. Eu sou o Senhor vosso Deus.[5]OS DIAS DE FESTA E AS CALENDASÊste é o quin to uso: serve para anunciar certas solenidades.

11No dia vinte do segundo mês do segundo ano, se levantou a nuvem do tabernáculo do concerto:[6]DO SEGUNDO MÊSOs hebreus tinham chegado ao Sinal no 3.° mês do primeiro ano; estiveram pois quase um ano junto do monte santo.

12E os, filhos de Israel partiram do deserto de Si nai pelas suas turmas, e a nuvem repousou ria solidão de Faran.[7]NA SOLIDÃO DE FARANNão se podem fixar atual mente os limites déste deserto. E’ provável que Moisés deixando o 8inai se dirigisse para este, do lado do gôlfo de Akabah. O deserto de Faran devia seguir nesta dlresão, até ao ponto a que os israe- litafe chamaram Gibrot-Hattaavah, ou Sepulcros da Concupiscência.

13E os primeiros, que desacamparam, conforme a ordem do Senhor intimada por Moisés,

14foram < > s filhos de Judá pelas suas turmas: Cujopríncipe era Naassonfilho de Aiuinadab.

15Na tribo dos filhos de Issacar foi príncipe Natanaelfilho de Suar.

16Na tribo de Zabulon era príncipe Eliab filho de Zabulon.

17E loi desarmado o tabernáculo, levantado o qual se puseram a caminho os filhos de Gérson e de Merari.

18E partiram também os filhos de Rúben, con forme as suas turmas e ordem: Sendo seu príncipe Elisur, filho de Sedeiir.

19Na tribo porém dos filhos dc Simeào foi prín cipe Salamiei, filho de Surisadai.

20Mas na tribo dc Gad era príncipe Eliasaf, filho de Duel.

21E partiram também os caatitasque levavam o santuário. E era levado o tabernáculo até chegar ao lu gar, onde se devia erigir.

22Descamparam também os filhos de Efraim pelas suas turmas, tendo por príncipe do seu'Corpo a Elisama, filho de Amiud.

23Na tribo porém dos filhos de Manasses foi prín cipe Gamalielfilho de Kadassur:

24E na tribo de Benjamim era príncipe Abidan, filho dc Gedeão.

25Os últimos que partiram de todo o campo, foram os filhos de Dan pelas suas turmas, em cujo corpo era príncipe Aiezer, filho de Amisadai.

26Na tribo porém dos filhos de Aser era prín cipe Fegiel, filho de Ocran.

27E na tribo dos filhos de Neftali foi príncipe A íra/ filho de Enan. X — 49 —:

28Esta é a ordem, com que os filhos de Israel fa ziam as suas marchas pelas suas turmas quando moviam o campo.

29E disse Moisés a Kobab filho de Raguel madianita, seu parente: Nós partimos para o lugar, que o Senhor nos há de dar: Vem tu conosco, para te fazermos bem: Porque o Senhor prometeu bens a Israel.

30Ao qual êle respondeu: Não irei contigo, mas voltarei para a minha terra, na qual nasci.

31E Moisés lhe tornou: Não nos deixes, porque tu sabes em que lugares pelo deserto devamos acampar, 2 serás o nossoguia.

32E se vieres conosco, nós te daremos o melhor de tôdas as riquezas, que o Senhor nos há de entregar.

33Partiram pois do Monte do Senhor caminho de três dias, e a arca da aliança do Senhor ia adiante deles, apontando nos três dias o lugar para o acampamento.[8]A ARCA DA ALIANÇA-Era levada aos ombros dos levitas,' dirigidos pela navem que os .precedia mostrando-lhes o ca minho.

34A nuvem do Senhor também era sôbre êles de dia quando marchavam.

35E quando se elevava a Arca, dizia Moisés: Levarita-te Senhor, e dissipem-se os teus inimigos, e fujam da tua face os que te aborrecem.

36Quando porém se depunha, dizia: Volta, Senhor, para a multidão do exército de Israel.

O quarto livro do Pentateuco Mosaico é chamado em grego arithmoi, e em hebreu vayedabber, segundo S. Jerônimo, ou bamidbar, por ser esta a palavra inicial do texto hebraico. O nome de Números convém-lhe por indicar o número dos guerreiros de Israel, dos primogénitos e dos levitas. (Glaire, Introduction à l'Écriture Sainte.) Liga-se êste livro estreitamente ao Levítico, do qual é a continuação, da mesma maneira que o Levítico é o seguimento do Êxodo. No presente livro narra-se a história do povo hebreu desde a saída do Sinai, e contam-se os acontecimentos mais notáveis, que então se deram; as revoltas sucessivas dos israelitas e os castigos que ocasionaram, as leis promulgadas neste intervalo, e a conquista de parte da Palestina, situada a este do Jordão. Podemos, pois, considerar três partes: PRIMEIRA PARTE Preparativos para a partida do Sinai, 1-10. 1.° Recenseamento do povo; ordem do acampamento, 1; 2. — 2.° Recenseamento dos levitas, 3; 4. — 3.° Leis particulares, 5; 6. — 4.° Ofertas dos príncipes de Israel ao Tabernáculo, 7. — 5.° Consagração dos levitas, 8. — 6.° Celebração da Páscoa no Sinai, 9, 1-14. — 7.° A coluna do fogo e da nuvem; as trombetas para a marcha, 9,15; 10,10. — 8.° Partida do Sinai, 10,11-36. SEGUNDA PARTE Quedas e revoltas do povo no deserto, 11-19. 1.° Murmuração dos israelitas castigada pelo fogo mandado por Deus, 11. — 2.° Murmuração de Maria e de Aarão contra Moisés; castigo de Maria, 12. — 3.° Missão de exploradores à terra de Canaã, sedição na volta, 13; 14. — 4.° Leis diversas, 15. — 5.° Revolta de Datan, Coré e Abiron, 16; 17. — 6.° Prescrições diversas, 18; 19. TERCEIRA PARTE Acontecimentos dados e leis promulgadas durante os dez primeiros meses do quadragésimo ano do Êxodo, 20-25: 1.° Chegada ao deserto de Sin; morte de Maria em Cades, e de Aarão, no monte Hor, 20. — 2.° Vitória alcançada sôbre o rei cananeu Arad; as serpentes; guerra contra Seon, e contra Og, 21. — 3.° Balaam e suas profecias, 22-24. — 4.° Idolatria dos israelitas e seu castigo, 25. — 5.° Novo recenseamento do povo para a divisão da Terra Prometida, 26. — 6.° Filhas de Salfaad, 27, 1-11. — 7.° Josué indicado como sucessor de Moisés, 27, 12-23. — 8.° Festas e votos, 28-30. — 9.° Vitória sôbre os madianitas, 31. — 10.° Estabelecimento de Rúben, de Gad e da tribo de Manasses, 32. — 11.° Acampamento dos israelitas; limites da Terra Prometida, 33-34. — 12.° Cidades levíticas e cidades de refúgio, 35. — 13.° Prescrições para o casamento das herdeiras, 36.
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