Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 30

LEIS SOBRE OS VOTOS, E PROMESSAS DAS MULHERES.

1Referiu pois Moisés aos filhos de Israel tudo o que o Senhor lhe tinha mandado:

2e disse aos príncipes das tribos dos filhos de Israel: Eis-aqui a palavra que o Senhor ordenou:.[1]EIS-AQUI A PALAVRANova lei relativa aos votos* Examina sucessivamente os votos do homem, v. 3, e da mulher, vv- 4-16: a respeito desta notam-se quatro hipóteses, se se tratar duma donzela, vv. 4-6, duma mulher casada, liga'da por voto anterior ao casamento, vv. 7-9, de mulher ruim ou repudiada, v. 10, ou duma. espósa que fôz voto depois do casamento, vv. 11-16.

3Se algum homem fizer um voto ao Senhor, ou se obrigar com juramento: deve não faltar à sua palavra, mas cumprir tudo o que prometeu.[2]UM VOTONo hebreu há dois têrmos, ambos empre gados, nesta passagem: issar, voto negativo ou promessa de absten ção, de não fazer isto ou aquilo e neder, voto positivo de praticar alguma coisa. — 1 2 1 ' — tanto os votos como os juramentos dela serão nulos, e ela não ficará obrigada ao que prometeu, porque o contra disse o pai.

4Se alguma mulher fizer um voto, e se obrigar, com juramento, estando em casa de seu pai, e ainda em idade de menina: se o pai sabendo do voto que ela.fêz, e do ju ramento com que obrigou a sua alma, não disse nada está ela obrigada ao seu voto:

5cumprirá efetivamente tudo o que prometeu, e jurou.

6Porém se o pai logo que o ouviu, o contradisser

7Se já tiver marido, e fizer algum voto, e saindo uma vez a palavra da sua bôca obrigar a sua alma com juram ento:

8No mesmo dia que seu marido o ouvir, e não con tradisser, ficará ela obrigada ao voto, e cumprirá tudo o que prometera:

9Mas se tendoro ouvido o contradisser, e tornar nulas as suas promessas, e as palavras com que ela tinha obrigado a sua alm a: o Senhor lhe perdoará.

10A viúva e a repudiada cumprirão todos os vo tos que fizerem.

11Quando uma mulher em casa de seu marido se obrigar com voto e juramento,

12se o ouvir o marido, e não disser nada, nem se opuser à promessa, cumprirá ela tudo o que tinha prome tido.

13Porém se se opuser logo, não estará obrigada à promessa: Porque o marido a contradisse, e o Senhor lhe perdoará:

14Se fizer voto, e se obrigar com juramento a afli g ir a sua alma com jejum ou com outro gênero de absti nência, ficará no arbítrio do marido fazê-lo ela, ou não o fazer: '

15Mas se ouvindo-o o marido não disser nada, e deferir para outro dia a resolução: Cumprirá ela tudo o que.tiver votado, ou prometido: Visto que o marido não disse nada, logo que o ouviu.

16Se porém contradisser depois que o soube, le vará êle sôbre si o pecado dela.

17Estas são as leis, que o Senhor intimou a Moi sés, entre o marido e a mulher, entre o pai e a filha, que ainda está em idade de menina, ou que mora em casa de seu pai.

O quarto livro do Pentateuco Mosaico é chamado em grego arithmoi, e em hebreu vayedabber, segundo S. Jerônimo, ou bamidbar, por ser esta a palavra inicial do texto hebraico. O nome de Números convém-lhe por indicar o número dos guerreiros de Israel, dos primogénitos e dos levitas. (Glaire, Introduction à l'Écriture Sainte.) Liga-se êste livro estreitamente ao Levítico, do qual é a continuação, da mesma maneira que o Levítico é o seguimento do Êxodo. No presente livro narra-se a história do povo hebreu desde a saída do Sinai, e contam-se os acontecimentos mais notáveis, que então se deram; as revoltas sucessivas dos israelitas e os castigos que ocasionaram, as leis promulgadas neste intervalo, e a conquista de parte da Palestina, situada a este do Jordão. Podemos, pois, considerar três partes: PRIMEIRA PARTE Preparativos para a partida do Sinai, 1-10. 1.° Recenseamento do povo; ordem do acampamento, 1; 2. — 2.° Recenseamento dos levitas, 3; 4. — 3.° Leis particulares, 5; 6. — 4.° Ofertas dos príncipes de Israel ao Tabernáculo, 7. — 5.° Consagração dos levitas, 8. — 6.° Celebração da Páscoa no Sinai, 9, 1-14. — 7.° A coluna do fogo e da nuvem; as trombetas para a marcha, 9,15; 10,10. — 8.° Partida do Sinai, 10,11-36. SEGUNDA PARTE Quedas e revoltas do povo no deserto, 11-19. 1.° Murmuração dos israelitas castigada pelo fogo mandado por Deus, 11. — 2.° Murmuração de Maria e de Aarão contra Moisés; castigo de Maria, 12. — 3.° Missão de exploradores à terra de Canaã, sedição na volta, 13; 14. — 4.° Leis diversas, 15. — 5.° Revolta de Datan, Coré e Abiron, 16; 17. — 6.° Prescrições diversas, 18; 19. TERCEIRA PARTE Acontecimentos dados e leis promulgadas durante os dez primeiros meses do quadragésimo ano do Êxodo, 20-25: 1.° Chegada ao deserto de Sin; morte de Maria em Cades, e de Aarão, no monte Hor, 20. — 2.° Vitória alcançada sôbre o rei cananeu Arad; as serpentes; guerra contra Seon, e contra Og, 21. — 3.° Balaam e suas profecias, 22-24. — 4.° Idolatria dos israelitas e seu castigo, 25. — 5.° Novo recenseamento do povo para a divisão da Terra Prometida, 26. — 6.° Filhas de Salfaad, 27, 1-11. — 7.° Josué indicado como sucessor de Moisés, 27, 12-23. — 8.° Festas e votos, 28-30. — 9.° Vitória sôbre os madianitas, 31. — 10.° Estabelecimento de Rúben, de Gad e da tribo de Manasses, 32. — 11.° Acampamento dos israelitas; limites da Terra Prometida, 33-34. — 12.° Cidades levíticas e cidades de refúgio, 35. — 13.° Prescrições para o casamento das herdeiras, 36.
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