Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 8

CONSAGRAÇÃO DOS LEVITAS. IDADE EM QUE COMEÇAM E ACABAM DE SERVIR.

1Tornou o Senhor a falar a Moisés, dizendo:[1]O SENHOR FALOUÊste capítulo trata da consagra ção dos levitas. Começa por uma descrição do candieiro de ouro, que vem completar o que Já se havia dito, Êx 25, 1-39; Lev 24, 1-4. do concerto, depois de convocada tôda a multidão dos filhos de Israel.

2Fala a Aarão, e lhe dirás: Logo que tiveres pôsto as sete lâmpadas, levantar-se-á o candieiro na parte do meio-dia. Dá, pois, ordem, que as lâmpadas olhem do lugar oposto ao setentrião para a mcsa dospães da proposição, elas deverão alumiar aquela parte, que está fronteira ao candieiro.

3E Aarão o fêz, e pôs as lâmpadas sôbre o can dieiro, conforme o Senhor o havia ordenado a Moisés.

4O feitio porém do candieiro era êste, todo de ouro batido ao martelo, tanto o tronco do meio, como todos os braços, que lhe saíam dos dois lados: segundo o modelo que o Senhor mostrou a Moisés, assim fêz o candieiro.

5Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo:

6Toma os levitas do meio dos filhos de Israel, e os purificarás

7com estas cerimónias: Serão borrifados com a água da expiação, e rapem todos os cabelos da sua carne. E depois que tiverem lavado os seus vestidos, e se tive rem purificado,

8tomarão um boi das manadas, e para a sua liba ção flor de farinha borrifada com azeite: e tu tomarás outro boi da manada pelo pecado:

9e farás chegar os levitas diante do tabernáculo

10E quando os levitas estiverem diante do Senhor, os filhos de Israel porão as suas mãos sôbre êles:

11e Aarão oferecerá os levitas como um dom que os filhos de Israel fazem ao Senhor, para que o sirvam no seu ministério.

12Os levitas também porão as suas mãos sôbre as cabeças dos bois, dos quais sacrificarás um pelo pecado, e o outro em holocausto ao Senhor, para que rogues por êles.

13E apresentarás os levitas diante de Aarão e de seus filhos, e os sagrarás depois de os terem oferecido ao Senhor,

14e separá-los-ás do meio dos filhos de Israel, para que sejam meus:

15e depois entrarão no tabernáculo do concêrto para me servirem. E deste modo os purificarás e sagrarás em oferta ao Senhor: porque me foram dados como um presente pelos filhos de Israel.[2]PORQUE ME FORAM DAflDOSMais uma vez Deus indica que os levitas lhe pertencem como representantes dos primq- gônjtos de Israel. 4 3 - Rúnieros 8, 29-26 do concêrto, e para orarem por êles, para que não venha alguma praga sôbre o povo, se se atreverem a chegar ao santuário.

16Eu os recebi em lugar de todos os primogénitos que abrem o útero em Israel.

17Porque todos os primogénitos dos filhos de Is rael assim de homens, como de animais são meus. Eu os consagrei a mim desde o dia, que feri na terra do Egi to todos os primogénitos:

18e tomei os levitas por todos os primogénitos dos filhos de Israel:

19e dêles fiz presente a Aarão e a seus filhos do meio do povo, para me servirem por Israel no tabernáculo

20Moisés pois e Aarão e tôda a multidão dos filhos de Israel fizeram acerca dos levitas o que o Senhor orde nara a Moisés:

21e foram purificados, e lavaram os seus vestidos. E Aarão os apresentou diante do Senhor, e orou por êles,

22para que depois de purificados entrassem no ta bernáculo do concêrto a fazer as suas funções diante de Aarão e de seus filhos. Como o Senhor o ordenara a Moi sés acêrca dos levitas, assim se fêz.

23E o Senhor falou a Moisés, dizendo:

24Esta é a lei dos levitas, desde os vinte e cinco anos c daí para cima, entrarão para servirem no tabernáculo do concêrto.[3]DESDE OS VINTE E CINCO ANOSNo c. 4 dos Núro tinha-se indicado a idade de trinta anos para o comôço do serviço dos levitas. Calmet explica assim esta diferença. Moisés no c. 4 refere-se aos levitas, aos quais estava incumbido o transporte do Tabernáculo, o que exigia a fôrça e saúde dum homem daquela 'idade; aqui se refere às funções que os levitas tinham de desem penhar no Templo. Não nos devemos esquecer que Davi baixou mais ainda a idade do serviço do Santuário e fixou os vinte anos, alegando esta razão, que ós levitas não tinham de ora avante de conduzir o Tabernáculo e os objetos do culto. 1 Par 23, 24-27. 43 —

25E quando completarem cinquenta anos de idade, não servirão mais:

26E somente ajudarão a seus irmãos no taberná culo do concêrto, para guardarem as coisas que lhes fo rem encomendadas: mas sem se empregarem nos exer cícios ordinários. Assim disporás os levitas nos seus em pregos.

O quarto livro do Pentateuco Mosaico é chamado em grego arithmoi, e em hebreu vayedabber, segundo S. Jerônimo, ou bamidbar, por ser esta a palavra inicial do texto hebraico. O nome de Números convém-lhe por indicar o número dos guerreiros de Israel, dos primogénitos e dos levitas. (Glaire, Introduction à l'Écriture Sainte.) Liga-se êste livro estreitamente ao Levítico, do qual é a continuação, da mesma maneira que o Levítico é o seguimento do Êxodo. No presente livro narra-se a história do povo hebreu desde a saída do Sinai, e contam-se os acontecimentos mais notáveis, que então se deram; as revoltas sucessivas dos israelitas e os castigos que ocasionaram, as leis promulgadas neste intervalo, e a conquista de parte da Palestina, situada a este do Jordão. Podemos, pois, considerar três partes: PRIMEIRA PARTE Preparativos para a partida do Sinai, 1-10. 1.° Recenseamento do povo; ordem do acampamento, 1; 2. — 2.° Recenseamento dos levitas, 3; 4. — 3.° Leis particulares, 5; 6. — 4.° Ofertas dos príncipes de Israel ao Tabernáculo, 7. — 5.° Consagração dos levitas, 8. — 6.° Celebração da Páscoa no Sinai, 9, 1-14. — 7.° A coluna do fogo e da nuvem; as trombetas para a marcha, 9,15; 10,10. — 8.° Partida do Sinai, 10,11-36. SEGUNDA PARTE Quedas e revoltas do povo no deserto, 11-19. 1.° Murmuração dos israelitas castigada pelo fogo mandado por Deus, 11. — 2.° Murmuração de Maria e de Aarão contra Moisés; castigo de Maria, 12. — 3.° Missão de exploradores à terra de Canaã, sedição na volta, 13; 14. — 4.° Leis diversas, 15. — 5.° Revolta de Datan, Coré e Abiron, 16; 17. — 6.° Prescrições diversas, 18; 19. TERCEIRA PARTE Acontecimentos dados e leis promulgadas durante os dez primeiros meses do quadragésimo ano do Êxodo, 20-25: 1.° Chegada ao deserto de Sin; morte de Maria em Cades, e de Aarão, no monte Hor, 20. — 2.° Vitória alcançada sôbre o rei cananeu Arad; as serpentes; guerra contra Seon, e contra Og, 21. — 3.° Balaam e suas profecias, 22-24. — 4.° Idolatria dos israelitas e seu castigo, 25. — 5.° Novo recenseamento do povo para a divisão da Terra Prometida, 26. — 6.° Filhas de Salfaad, 27, 1-11. — 7.° Josué indicado como sucessor de Moisés, 27, 12-23. — 8.° Festas e votos, 28-30. — 9.° Vitória sôbre os madianitas, 31. — 10.° Estabelecimento de Rúben, de Gad e da tribo de Manasses, 32. — 11.° Acampamento dos israelitas; limites da Terra Prometida, 33-34. — 12.° Cidades levíticas e cidades de refúgio, 35. — 13.° Prescrições para o casamento das herdeiras, 36.
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