Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 21

VITÓRIA CONTRA O REI ARAD. SERPENTE DE BRONZE. VITÓRIA CONTRA SEON E CONTRA OG.

1O que ouvindo Arad, rei cananeu, que habitava ao Meio-Dia, isto é, que Israel viera pelo caminho dos explo radores, pelejou contra êle; e ficando vencedor, levou dêle os despojos.[1]ARADHoje Tell-Arad, a 26 quilómetros para o sul do Hebron.

2Mas Israel obrigando-se com voto ao Senhor, disse: Se tu entregares nas minhas mãos êste povo, eu arruinarei as suas cidades.[2]OBRIGANDO-SE COM VOTOÊste voto consistiu em pronunciar o anátema sôbre as* cidades do rei Arad. Êste anátema, em hebreu- klierem, tinha por fim votar as sobreditas cidades ao extermínio. ermo? Falta-nos pão, não há água: a nossa alma se en fastia já deste levíssimo manjar.

3E o Senhor ouviu os rogos de Israel, entregou-lhe os cananeus, que êle fêz passar à espada, destruídas as suas cidades: e chamou a êste lugar Horman, isto é, anátema. '

4E partiram também do monte Hor pela estrada, que conduz ao mar Vermelho, pararodearem o país de Edom. E começou o povo a enfastiar-se do caminho e do trabalho:

5E falando contra Deus e contra Moisés, disse: Por que nos tiraste dõ Egito, para virmos a morrer neste

6Por esta causa enviou o Senhor contra o povo umas serpentes, que queimavam como fogo, a cujas mor deduras, como fôssem muitíssimos os que morriam,[3]QUE QUEIMAVAM COMO FOGOIsto é, cuja morde dura causava uma febre ardente e uma sêde intolerável. Ainda hoje na penfnsula do Sinai sâo frequentes estas serpentes. Cfr. Léon de Laborde, Commentaire gcographique sur 1'Exode ct les Nombrcs.

7vieram ter com Moisés e lhe disseram: Nós peca mos, porque temos falado contra o Senhor e contra ti: roga-lhe que nos livre destas serpentes. E orou Moisés pelo povo,

8e o Senhor lhe disse: Faze uma serpente de bron ze, e põe-na por sinal: todo o que sendo ferido olhar para ela, viverá.[4]DE BRONZEOu melhor, de cobre, porque o bronze é uma liga usada posteriormente. A palavra hebraica, nehoset, de signa simultâneàmente cobre e bronze, mas nos livros mais antigos da Bíblia significa metal simples, e não composto. Vigouroux, obra cit. A êste fato se refere o Evangelho de Jo 3, 14 s, e S. Paulo, 1 Cor 10, 9.

9Fêz pois Moisés uma Serpente de Bronze, e pô-la por sinal: e os que, estando feridos, olhavam para ela, saravam.

10E tendo partido os filhos de Israel, se acampa ram em Obot.

11Donde tendo saído, armaram as suas tendas em Jeabarim no deserto, que olha para Moab ao Oriente.

12E abalando dêste lugar vieram à torrente de Zared.[5]ZAREDTalvez o moderno Kerak. non, que é no deserto, e sobressai nos confins dos amor- reus. Porque Arnon é o termo de Moab, que separa os moabitas dos amorreus. (7)

13Deixando a qual se acamparam defronte de Ar

14Por isso se diz no Livro das Guerras do Senhor: Assim como fêz no mar Vermelho, assim fará nas tor rentes de Arnon.

15Os rochedos das torrentes se inclinaram, para descansarem em A r,. repousarem nos confins dos moa bitas.[6]AROu Ar Moab, na margem esquerda do Arnon, quase em frente de Aroer. do povo prepararam com o que tinha dado a lei, e cOm os seus bordões. Desta solidão veio o povo a Matana. (10)

16Ao sair daquele lugar, apareceu o poço, sôbre o qual falou o Senhor a Moisés, dizendo-lhe: Ajunta o po vo, e eu lhe darei água.

17Então cantou Israel êste cântico: Suba o poço. Cantavam acordes:

18O poço, que os príncipes cavaram, e que os chefes

19De Matana a Naaliel: de Naaliel a Bamot.

20De Bamot a um vale que está no país de Moab, no cume de Fasga, que olha para o deserto.[7]FASGADesigna tôda ou parte da cordilheira Aba* rim, a este do mar Morto.

21Mandou porém Israel embaixadores a Seon, rei dos amorreus, dizendo:

22Suplico-te que me deixes passar pelo teu país: não declinaremos nem para os campos, nem para as vi nhas; não beberemos águas dos teus poços; iremos pela estrada real, até passarmos os teus limites.

23O qual não quis conceder que Israel passasse pelo seu país: Antes tendo ajuntado o seu exército, saiu a encontrar-se com êle no deserto, e veio a Jasae deu-lhe batalha.

24Mas foi passado à espada por -Israel, que se fêz senhor da sua terra, desde Arnon até Jeboc, e até os fi lhos de Arnon: porque as fronteiras dos amonitas esta vam defendidas por fortes guarnições.[8]JEBOOAfluente do Jordão, hoje Zerka.

25Tomou pois Israel todas as suas cidades, e habi tou nas cidades dos amorreus, isto é, em Hesebone nas aldeias vizinhas.[9]HESEBONCapital dos amorreus; ainda hoje se vêem as ruínas sôbre uma colina, a este do Jordão, quase em frente da foz déste rio.

26Porque a cidade de Hesebon pertencia a Seon, rei dos amorreus, que pelejou contra o rei de Moabe lhe tomou tôdas as terras que tinham sido do seu senhorio, até Arnon.

27Por isso se diz em provérbio: Vinde a Hesebon, edifique-se, e levante-se a cidade de Seon:

28O fogo saiu de Hesebon, a chama da cidade de Seon, e devorou a Ar dos moabitas, e aos habitantes nas alturas de Arnon.

29Ai de ti, Moab; pereceste, povo de Camos. Êle deixou fugir seus filhos, e entregou cativas suas filhas a Seon, rei dos amorreus.[10]CAMOSDivindade a que prestavam culto os moa bitas.

30O seu jugo foi desfeito desde Hesebon até Dibon, chegaram cansados a Nofe, e até Medaba.[11]DIBONCidade dos amorreus, dada à tribo de Gad, como Jazer (v. 32), que se tornou uma cidade levitica, caindo mais tarde em poder dos moabitas. Estava situada a dez milhas romanas a este de Rabat-Amon e a quinze ao norte de Huchon. Crê-se que as ruínas foram encontradas em Es-Sir.

31Israel pois habitou no país dos amorreus.

32E enviou Moisés homens que reconhecessem a Jazer: estes tomaram os seus lugarejos, e se senhorea ram dos seus habitantes.

33Depois voltaram, e subiram pelo caminho de Basan, e lhes saiu ao encontro Og, rei de Basan com to do o seu povo, para lhes dar batalha em Edrai.[12]BASANRegião a este do Jordão, limitada ao norte pelo monte Hermon, a este pelo pais de Gessuri e do Machnti, ao sul por Galaad, e a oeste pelo vale do Jordão; boje estã inculta, mas foi outrora muito fértil c coberta por uma notãvel floresta de carvalhos. EDRAI — Era a capital dêste reino de Basan, hoje Edra, sem água e de dificílimo acesso. Vêem-se aí ruínas consideráveis. povo, e todo o seu país: e tu o tratarás como trataste a Seon, rei dos amorreus, que habitava em Hesebon.

34E o Senhor disse a Moisés: Não tenhas medo dêle, porque em tua mão o entreguei a êle, e todo o seu

35Mataram pois os israelitas também a êste com seus filhos, e todo o seu povo até os acabar de todo, e fi zeram-se senhores do seu país.

O quarto livro do Pentateuco Mosaico é chamado em grego arithmoi, e em hebreu vayedabber, segundo S. Jerônimo, ou bamidbar, por ser esta a palavra inicial do texto hebraico. O nome de Números convém-lhe por indicar o número dos guerreiros de Israel, dos primogénitos e dos levitas. (Glaire, Introduction à l'Écriture Sainte.) Liga-se êste livro estreitamente ao Levítico, do qual é a continuação, da mesma maneira que o Levítico é o seguimento do Êxodo. No presente livro narra-se a história do povo hebreu desde a saída do Sinai, e contam-se os acontecimentos mais notáveis, que então se deram; as revoltas sucessivas dos israelitas e os castigos que ocasionaram, as leis promulgadas neste intervalo, e a conquista de parte da Palestina, situada a este do Jordão. Podemos, pois, considerar três partes: PRIMEIRA PARTE Preparativos para a partida do Sinai, 1-10. 1.° Recenseamento do povo; ordem do acampamento, 1; 2. — 2.° Recenseamento dos levitas, 3; 4. — 3.° Leis particulares, 5; 6. — 4.° Ofertas dos príncipes de Israel ao Tabernáculo, 7. — 5.° Consagração dos levitas, 8. — 6.° Celebração da Páscoa no Sinai, 9, 1-14. — 7.° A coluna do fogo e da nuvem; as trombetas para a marcha, 9,15; 10,10. — 8.° Partida do Sinai, 10,11-36. SEGUNDA PARTE Quedas e revoltas do povo no deserto, 11-19. 1.° Murmuração dos israelitas castigada pelo fogo mandado por Deus, 11. — 2.° Murmuração de Maria e de Aarão contra Moisés; castigo de Maria, 12. — 3.° Missão de exploradores à terra de Canaã, sedição na volta, 13; 14. — 4.° Leis diversas, 15. — 5.° Revolta de Datan, Coré e Abiron, 16; 17. — 6.° Prescrições diversas, 18; 19. TERCEIRA PARTE Acontecimentos dados e leis promulgadas durante os dez primeiros meses do quadragésimo ano do Êxodo, 20-25: 1.° Chegada ao deserto de Sin; morte de Maria em Cades, e de Aarão, no monte Hor, 20. — 2.° Vitória alcançada sôbre o rei cananeu Arad; as serpentes; guerra contra Seon, e contra Og, 21. — 3.° Balaam e suas profecias, 22-24. — 4.° Idolatria dos israelitas e seu castigo, 25. — 5.° Novo recenseamento do povo para a divisão da Terra Prometida, 26. — 6.° Filhas de Salfaad, 27, 1-11. — 7.° Josué indicado como sucessor de Moisés, 27, 12-23. — 8.° Festas e votos, 28-30. — 9.° Vitória sôbre os madianitas, 31. — 10.° Estabelecimento de Rúben, de Gad e da tribo de Manasses, 32. — 11.° Acampamento dos israelitas; limites da Terra Prometida, 33-34. — 12.° Cidades levíticas e cidades de refúgio, 35. — 13.° Prescrições para o casamento das herdeiras, 36.
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