Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 35

ASSINAM-SE QUARENTA E OITO CIDADES DOS LEVITAS, E ENTRE ELAS SEIS DE REFÚGIO PARA OS QUE COMETESSEM HOMICÍDIO INVOLUNTÁRIO.

1Disse também o Senhor estas coisas a Moisés nas planícies de Moab, ao longo do Jordão, defronte de Jericó:

2Manda aos filhos de Israel, que dêm das suas pos sessões aos levitas

3cidades para habitarem, e os seus subúrbios em roda: para que êles morem nas cidades, e os subúrbios sejam para os gados e animais:[1]CIDADES PARA HABITAREMOs levitas nãõ tinham um' terHtório próprio, estavam' espalhados por tôda a Palestina. • (2) DOIS m il CÔVADOS-— Aproximadamente 1.0.00 metros. Foi a estada no Egito que lhes ensinou os processos da medição de terrenos, freqilentes e necessárias aí por causa das continuas inun dações do Nilo.

4Os quais se estenderão' dos muros das cidades para fora mil passos em rodai

5assim a sua extensão será de dois mil côvados para o Oriente, e da mesma sorte de dois mil côvados para o Meio-Dia: a mesma medida terão élés para a banda do mar que olha para o Ocidente, e por iguais limites se ter minará a banda do Sctentrião: e as cidades estarão no meio, e os subúrbios fora.

6Das mesmas cidades porém que haveis de dar aos levitas, seis serão destinadas para asilo dos fugitivos, a fim de que se refugie a elas aquele que tiver derrama do sangue; e além destas, haverá outras quarenta e duas cidades,

7isto é, por tôdas quarenta e oito com os seus su búrbios.

8E essas cidades que se hão de dar das possessões dos filhos de Israel, se tomarão mais dos que têm mais: e menos dos que têm menos: cada um dará cidades aos levitas à proporção da sua herança.

9Disse o Senhor a Moisés:

10Fala aos filhos de Israel, e lhes dirás: Quando passardes o Jordão entrando na terra de Canaã,

11determinai que cidades devem ser para asilo dos fugitivos, que involuntàriamente derramarem sangue:

12Nas quais tanto que algum se tiver refugiado, não poderá matá-lo o parente do morto, menos que se não apresente diante do povoe seja julgada a sua causa.

13dessas cidades porém, que se separam para asilo dos fugitivos,

14três serão de aquém do Jordão, e três na terra de Canaã,

15tanto para os filhos de Israel, como para os ad ventícios e estrangeiros, para que a elas se refugie aquê- le que involuntàriamente derramar sangue.

16Se alguém ferir com ferro, e o que foi ferido morrer: ficará réu de homicídio, e êle mesmo morrerá.

17Se atirar uma pedrada, e o ferido morrer dela: -será da mesma sorte castigado.

18Se morrer o que foi ferido com pau: será vin gado com o sangue do que ó feriu.

19O parente do morto matará ao homicida; logo que o apanhar, o matará.

20Se um homem por ódio empurrar a outro, ou lhe atirar com alguma coisa à traição:

21Ou sendo seu inimigo, o ferir de mãos, e êle morrer: o percursor será réu de homicídio: o parente, do morto logo que der com êle o matará.

22Porém se êle acidentalmente, e não por ódio,[2]ACIDENTALMENTEPrevine-se a hipótese de um ato involuntário, para o que se legisla no v. 25, e assim vão apare cendo sucessivamente novas disposigões legais. Número* 35, 33-34; 36, U5

23nem inimizade fêz alguma destas coisas,

24e isto se justificar diante do povo e tiver sido ventilada a causa de sangue entre o matador e o parente:

25Será livre da mão do vingador como inocente, e por sentença se mandará para a cidade, a que se tinha refugiado, e ali ficará até à morte do sumo sacerdote, que foi sagrado com santo óleo.

26Se o matador fora dos limites das cidades, que estão destinadas para os fugitivos,

27fôr achado, e morto pelo vingador do sangue: Será sem culpa o que o matar:

28Porque o fugitivo devia residir na cidade até à morte do pontífice. Mas depois que êste morrer, voltará o homicida para a sua terra.

29Estas coisas serão perpétuas, e se guardarão como lei em tôdas as vossas habitações.

30O homicida será castigado ouvidas as testemu nhas; pelo dito de uma só testemunha ninguém será con denado.

31Não recebereis preço daquele, que é réu de san gue, mas êle mesmo morrerá logo.

32Os desterrados e os fugitivos de nenhum modo poderão tornar para as suas cidades, antes da morte dó pontífice:

33Por não suceder manchardes a terra da vossa habitação, a qual se contamina com o sangue dos ino centes: Nem pode purificar-sc de outro modo, que com o sangue daquele, que derramou o sangue doutro.

34E desta maneira se purificará a vossa terra, morando eu convosco. Porque eu sou o Senhor, que ha bito entre os filhos de Israel.

O quarto livro do Pentateuco Mosaico é chamado em grego arithmoi, e em hebreu vayedabber, segundo S. Jerônimo, ou bamidbar, por ser esta a palavra inicial do texto hebraico. O nome de Números convém-lhe por indicar o número dos guerreiros de Israel, dos primogénitos e dos levitas. (Glaire, Introduction à l'Écriture Sainte.) Liga-se êste livro estreitamente ao Levítico, do qual é a continuação, da mesma maneira que o Levítico é o seguimento do Êxodo. No presente livro narra-se a história do povo hebreu desde a saída do Sinai, e contam-se os acontecimentos mais notáveis, que então se deram; as revoltas sucessivas dos israelitas e os castigos que ocasionaram, as leis promulgadas neste intervalo, e a conquista de parte da Palestina, situada a este do Jordão. Podemos, pois, considerar três partes: PRIMEIRA PARTE Preparativos para a partida do Sinai, 1-10. 1.° Recenseamento do povo; ordem do acampamento, 1; 2. — 2.° Recenseamento dos levitas, 3; 4. — 3.° Leis particulares, 5; 6. — 4.° Ofertas dos príncipes de Israel ao Tabernáculo, 7. — 5.° Consagração dos levitas, 8. — 6.° Celebração da Páscoa no Sinai, 9, 1-14. — 7.° A coluna do fogo e da nuvem; as trombetas para a marcha, 9,15; 10,10. — 8.° Partida do Sinai, 10,11-36. SEGUNDA PARTE Quedas e revoltas do povo no deserto, 11-19. 1.° Murmuração dos israelitas castigada pelo fogo mandado por Deus, 11. — 2.° Murmuração de Maria e de Aarão contra Moisés; castigo de Maria, 12. — 3.° Missão de exploradores à terra de Canaã, sedição na volta, 13; 14. — 4.° Leis diversas, 15. — 5.° Revolta de Datan, Coré e Abiron, 16; 17. — 6.° Prescrições diversas, 18; 19. TERCEIRA PARTE Acontecimentos dados e leis promulgadas durante os dez primeiros meses do quadragésimo ano do Êxodo, 20-25: 1.° Chegada ao deserto de Sin; morte de Maria em Cades, e de Aarão, no monte Hor, 20. — 2.° Vitória alcançada sôbre o rei cananeu Arad; as serpentes; guerra contra Seon, e contra Og, 21. — 3.° Balaam e suas profecias, 22-24. — 4.° Idolatria dos israelitas e seu castigo, 25. — 5.° Novo recenseamento do povo para a divisão da Terra Prometida, 26. — 6.° Filhas de Salfaad, 27, 1-11. — 7.° Josué indicado como sucessor de Moisés, 27, 12-23. — 8.° Festas e votos, 28-30. — 9.° Vitória sôbre os madianitas, 31. — 10.° Estabelecimento de Rúben, de Gad e da tribo de Manasses, 32. — 11.° Acampamento dos israelitas; limites da Terra Prometida, 33-34. — 12.° Cidades levíticas e cidades de refúgio, 35. — 13.° Prescrições para o casamento das herdeiras, 36.
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