Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 5

IMPUROS DEITADOS FORA DO CAMPO. LEI CONTRA O FURTO. ÁGUAS DO ZÊLO.

1E falou o Senhor a Moisés, dizendo:[1]E FALOU O SENHORSão as leis particulares exa- rádas neste e no capítulo seguinte, começando tôdas pela mesma expressão: E falou o Senhor a Moisés. A primeira lei compreende os versículos 1-4 e refere-se aos impuros que devem ser expulsos do campo. • (2) TORNOU O SENHOR A FALAR — E’ a segunda lei, que trata da expiação e reparação do dano feito ao próximo, w . 5-10.

2Manda aos filhos de Israel, que deitem fora do campo todo o leproso, e o que padece purgação branca, e o que está imundo por ter tocado coisa morta.

3Deitai-os fora do campo, quer êles sejam homens, quer sejam mulheres, para que não manchem o lugar, onde eu habito no meio de vós.

4Assim o fizeram os filhos de Israel, e botaram fora do campo estas pessoas, como o Senhor tinha or denado a Moisés.

5Tornou o Senhor a falar a Moisés, dizendo:

6Dize isto aos filhos de Israel: Quando um homem, ou uma mulher tiverem cometido algum dos pecados, em que de ordinário caem os homens; e tiverem vio lado por negligência o mandamento do Senhor, e tive rem d.elinquido:

7Confessarão o seu pecado, e restituirão àquele,, contra quem pecaram, o justo preço da injúria, que lhe fizeram, ajuntando ainda por cima a quinta parte.[2]CONFESSARÃO O SEU PECADOE’ a primeira ex piação —r a confissão da culpa — que sempre em toda a. parte se

8Se não se achar pessoa, que o receba, dar-se-á ao Senhor, e pertencerá ao sacerdote, além do carneiro, que se oferece como vítima de expiação, para aplacar a ira do Senhor.

9Tôdas as primícias, cjue os filhos de Israel ofere cem, pertencem também ao sacerdote.

10E tudo o que se oferece no santuário pelos par ticulares, e se pôe nas mãos do sacerdote, será dèle.

11Tornou o Senhor a falar a Moisés, dizendo:

12Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando uma mulher tiver caído em falta, e desprezando a seu marido,

13tiver dormido com outro homem, de sorte que seu marido não possa descobrir a coisa, e o adultério esteja oculto, sem que ela possa ser convencida por tes temunhas, porque não foi apanhada no crime:

14Se o marido se acha agitado do'espírito de ciú me contra sua mulher; que ou na realidade está man chada, ou foi acusada por uma falsa suposição:

15Êle a trará diante do sacerdote, e oferecerá por ela de oferta a décima parte duma medida de farinha de cevada, sôbre a qual êle não derramará azeite, nem porá incenso: Porque êste é um sacrifício de ciúme, e uma oblação feita para descobrir o adultério.

16O sacerdote pois a oferecerá, e a apresentará diante do Senhor.

17E tomando da água santa num vaso de barro, lançará nela uma pouca de terra do pavimento do taber náculoentendeu ser um meio de reconciliação com Deus. Dr. Manuel de Jesus Lino, Filosofia da Confissão Sacramental, pág. 58.[3]AGUA SANTAEsta expressão não torna a aparecer no Ahtlgo Testamento. Segundo uns comentadores, alude-se aqui — 28

18E tanto que a mulher se apresentar diante do Senhor, o sacerdote lhe descobrirá a cabeça, e lhe porá nas mãos o sacrifício de recordação, e a oferta de ze los: e êle mesmo .terá as águas amaríssimas, sôbre que pronunciou as maldições com execração:

19e a esconjurará, e lhe dirá: Se um homem es tranho não dormiu contigo, e tu te não manchaste, lar gando o leito de teu marido, não te farão mal estas águas amaríssimas, sôbre que eu lancei as maldições.

20Mas se tu te apartaste de teu marido, e te man chaste, e te deitaste com outro homem:

21Cairão sôbre ti estas maldições: O Senhor te . faça um objeto de maldição, e um exemplo para todo o seu povo: Êle faça que apodreça a tua coxa, e que o teu ventre inchando arrebente.

22Estas águas de maldição entrem no teu ventre, ,e inchando-te o útero, apodreça a tua coxa. E a mu lher responderá, Amém, amém.

23E o sacerdote escreverá estas maldições num li vro, e depois as apagará com estas águas amaríssimas, que êle carregou de maldições, à água de aspersão a que se refere o c. 19, 9 dos Núm; outros en tendem que se trata da água que estava na bacia de bronze. UMA POUCA 1)K TERRA — Era o símbolo da miséria humana, e da humildade. DO PAVIMENTO DO TABERNÁCULO — Para que se temesse a presença e o-juízo do Senhor. - AMáM, AMtiM — E’ a primeira vez que encontramos esta expressão na Bíblia. A palavra hebraica Amen é quase sempre empregada nos Livros Santos adverbialmente, ora como assenti mento ao que se acaba de dizer, ora para exprimir o desejo de que se cumpram os votos'formulados; é nesta significação que nós tra duzimos pela expressão assim seja. A repetição do têrmo amém é frequente, e serve para dar máis fôrça e mais realce à expressão. ^ 29

24e dar-lhas-á a beber. E depois que as tiver tra gado,

25tomará o sacerdote da mão da mulher o sacri fício de zelos e levantá-lo-á diante do Senhor, e pô-lo-á em cima do altar: mas isto de modo, que primeiro

26tenha êle separado um punhado do que se ofe receu em sacrifício, e o queime sôbre o altar: e des ta maneira'dê a beber à mulher das águas amaríssimas.

27Logo que ela as tiver bebido, se está culpada, e desprezando seu marido pecou por adultério, pene trá-la-ão as águas da maldição, c inchando-lhe o ven tre lhe apodrecerá a coxa: e a mulher será em exe cração, e escarmento para todo o povo.

28Porém se ela fôr inocente, não experimentará mal algum,, é terá filhos.

29Esta é a lei dos zelos. Se uma mulher se retirar de seu marido, e lhe fôr infiel,

30e o marido agitado do espírito de zelos a apre sentar diante do Senhor, e o sacerdote fizer com ela tu do o que fica escrito:

31será o marido sem culpa, e a mulher pagará ;i sua maldade.

O quarto livro do Pentateuco Mosaico é chamado em grego arithmoi, e em hebreu vayedabber, segundo S. Jerônimo, ou bamidbar, por ser esta a palavra inicial do texto hebraico. O nome de Números convém-lhe por indicar o número dos guerreiros de Israel, dos primogénitos e dos levitas. (Glaire, Introduction à l'Écriture Sainte.) Liga-se êste livro estreitamente ao Levítico, do qual é a continuação, da mesma maneira que o Levítico é o seguimento do Êxodo. No presente livro narra-se a história do povo hebreu desde a saída do Sinai, e contam-se os acontecimentos mais notáveis, que então se deram; as revoltas sucessivas dos israelitas e os castigos que ocasionaram, as leis promulgadas neste intervalo, e a conquista de parte da Palestina, situada a este do Jordão. Podemos, pois, considerar três partes: PRIMEIRA PARTE Preparativos para a partida do Sinai, 1-10. 1.° Recenseamento do povo; ordem do acampamento, 1; 2. — 2.° Recenseamento dos levitas, 3; 4. — 3.° Leis particulares, 5; 6. — 4.° Ofertas dos príncipes de Israel ao Tabernáculo, 7. — 5.° Consagração dos levitas, 8. — 6.° Celebração da Páscoa no Sinai, 9, 1-14. — 7.° A coluna do fogo e da nuvem; as trombetas para a marcha, 9,15; 10,10. — 8.° Partida do Sinai, 10,11-36. SEGUNDA PARTE Quedas e revoltas do povo no deserto, 11-19. 1.° Murmuração dos israelitas castigada pelo fogo mandado por Deus, 11. — 2.° Murmuração de Maria e de Aarão contra Moisés; castigo de Maria, 12. — 3.° Missão de exploradores à terra de Canaã, sedição na volta, 13; 14. — 4.° Leis diversas, 15. — 5.° Revolta de Datan, Coré e Abiron, 16; 17. — 6.° Prescrições diversas, 18; 19. TERCEIRA PARTE Acontecimentos dados e leis promulgadas durante os dez primeiros meses do quadragésimo ano do Êxodo, 20-25: 1.° Chegada ao deserto de Sin; morte de Maria em Cades, e de Aarão, no monte Hor, 20. — 2.° Vitória alcançada sôbre o rei cananeu Arad; as serpentes; guerra contra Seon, e contra Og, 21. — 3.° Balaam e suas profecias, 22-24. — 4.° Idolatria dos israelitas e seu castigo, 25. — 5.° Novo recenseamento do povo para a divisão da Terra Prometida, 26. — 6.° Filhas de Salfaad, 27, 1-11. — 7.° Josué indicado como sucessor de Moisés, 27, 12-23. — 8.° Festas e votos, 28-30. — 9.° Vitória sôbre os madianitas, 31. — 10.° Estabelecimento de Rúben, de Gad e da tribo de Manasses, 32. — 11.° Acampamento dos israelitas; limites da Terra Prometida, 33-34. — 12.° Cidades levíticas e cidades de refúgio, 35. — 13.° Prescrições para o casamento das herdeiras, 36.
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