Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 9

CELEBRAÇÃO DA PÁSCOA. COLUNA DE NUVEM E DE FOGO.

1Falou o Senhor a Moisés no deserto de Sinai, no ano segundo depois que saíram da terra do Egito, em o primeiro mês, dizendo:[1]FALOU O SENHORPara ordenar a celebração ua segunda Páscoa, de que se vai falar nos versículos sqguinles.

2Os filhos de Israel façam a Páscoa a seu tempo,

3no dia catorze deste mês à tarde, segundo tôdas as suas cerimónias e leis.

4Mandou pois Moisés aos filhos de Tsrael que fi zessem a Páscoa.

5Os quais a fizeram em seu tempo, no dia 14 do mês à tarde no monte Sinai. Os filhos de Israel fizeram tudo, conforme o Senhor o tinha ordenado a Moisés.

6Eis que uns, que se açhavam imundos, por se te rem chegado a um morto, os quais não podiam fazer a Páscoa naquele dia, vindo ter com Moisés c Aarão,[2]EIS QUE UNSE’ curiosa esta passagem. Aqueles que tinham estado em contato com um defunto, não podiam comer carnes Imoladas ao Senhor, (Ler 7, 21), nem o cordeiro pascal. O que deviam fazer? Expõem a Moisés a sua dúvida, v. 7, êste consulta o Senhor, v. 8, e promulga a sua resposta, vv. 9-14. Êste episódio é mais uma prova da autenticidade do Pentateuco; um código composto à vontade seria sistemático, e não conteria vestí gios das circunstâncias particulares que obrigam a legislar para êste ou para aquêle caso. Aqui nada há que com isso se pareça; promulga-se uma lei geral sóbre a observação da Páscoa, mas não se previu um caso especial: apresenta-se êste e só então aparece uma lei nova a completar a primeira. E isto mostra também que, a partir do Êxodo, o Pentateuco é quase um diário onde se escre vem os acontecimentos à medida que êles se vão dando,

7lhes disseram: Estamos imundos por causa de nos térmos chegado a um morto: Por que razão havemos nós de ser privados de oferecer em seu tempo a oblação ao Senhor entre os filhos de Israel?

8Aos quais Moisés respondeu: Esperai que eu con sulte o Senhor, para saber o que ordena acerca de vós.

9E o Senhor falou a Moisés, dizendo:

10Dize aos filhos de Israel: O homem que estiver imundo por causa de algum morto, ou se achar em jor nada longe de vós, faça a Páscoa ao Senhor,[3]OU SE ACHAR EM JORNADATanto nesla liipótcsa como na prevista no- v. 6, a obrigação de comer o cordeiro pascal é espaçada por um mês. Todos os anos alguns israelitas estariam impedidos, por qualquer das circunstâncias, de celebrar a Páscoa na época legal, o que dava ocasião a que o mês seguinte fêsse san tificado por multas famílias: foi isto a que os rabinos mais tarde chamaram a pequena Páscoa. briu uma nuvem. Da tarde porém até a manha via-se como uma chama de fogo sôbre a tenda.

11no segundo mês, no dia catorze do mês, à tarde. Comê-la-á com pães asmos, e alfaces bravas:

12Não deixarão nada dela para a manhã seguin te nem quebrarão osso nela: Guardarão todo o rito da Páscoa.

13Se algum porém estando limpo, e não se achan do de jornada, ainda não fêz a Páscoa, será aquela alma exterminada do seu povo, porque não ofereceu em set tempo o sacrifício ao Senhor: Êle mesmo levará sôbre si o seu pecado.

14Do mesmo modo o estrangeiro e adventício, se morarem entre vós, farão a Páscoa em honra do Senhor com tôdas as suas cerimónias e leis. O mesmo preceito se rá guardado entre vós tanto pelo estrangeiro como pelo natural.

15No dia pois em que o tabernáculo foi eretp, o co

16Assim acontecia de contínuo: De dia cobria-o uma nuvem, e de noite como uma semelhança de fogo.

17E quando se retirava de cima a nuvem que co bria o tabernáculo, então se punham em marcha os fi lhos dc Israel: e no lugar onde a nuvem parava, aí se acampavam.

18À ordem do Senhor partiam, e à sua ordem assen tavam o tabernáculo. Todo o tempo em que a nuvem es tava parada sôbre o tabernáculo, permaneciam no mesmo lugar:

19E se acontecia estar parada sôbre êle muito tem po, estavam os filhos de Israel de guarda ao Senhor c não partiam,

20por todo o tempo em que a nuvem estava sôbre o tabernáculo. Ao mandado do Senhor erigiam as tendas e ao seu mandado as desarmavam.

21Se a nuvem se detinha desde a tarde até a manhã, e logo ao romper do dia se alongava do tabernáculo, par tiam : E se depois dum dia e uma noite se retirava, no mesmo ponto desmanchavam as tendas.

22Se porém se detinha .'sôbre o tabernáculo dois dias ôu um mês, por mais tempo, ficavam no mesmo lu gar os filhos de Israel, e não partiam: mas tanto que a nuvem se retirava, levantavam o campo.

23Ao mandado do Senhor assentavam as tendas, e ao seu mandado partiam: e estavam sempre de guarda ao Senhor, segundo a sua ordem, dada por meio de Moisés.

O quarto livro do Pentateuco Mosaico é chamado em grego arithmoi, e em hebreu vayedabber, segundo S. Jerônimo, ou bamidbar, por ser esta a palavra inicial do texto hebraico. O nome de Números convém-lhe por indicar o número dos guerreiros de Israel, dos primogénitos e dos levitas. (Glaire, Introduction à l'Écriture Sainte.) Liga-se êste livro estreitamente ao Levítico, do qual é a continuação, da mesma maneira que o Levítico é o seguimento do Êxodo. No presente livro narra-se a história do povo hebreu desde a saída do Sinai, e contam-se os acontecimentos mais notáveis, que então se deram; as revoltas sucessivas dos israelitas e os castigos que ocasionaram, as leis promulgadas neste intervalo, e a conquista de parte da Palestina, situada a este do Jordão. Podemos, pois, considerar três partes: PRIMEIRA PARTE Preparativos para a partida do Sinai, 1-10. 1.° Recenseamento do povo; ordem do acampamento, 1; 2. — 2.° Recenseamento dos levitas, 3; 4. — 3.° Leis particulares, 5; 6. — 4.° Ofertas dos príncipes de Israel ao Tabernáculo, 7. — 5.° Consagração dos levitas, 8. — 6.° Celebração da Páscoa no Sinai, 9, 1-14. — 7.° A coluna do fogo e da nuvem; as trombetas para a marcha, 9,15; 10,10. — 8.° Partida do Sinai, 10,11-36. SEGUNDA PARTE Quedas e revoltas do povo no deserto, 11-19. 1.° Murmuração dos israelitas castigada pelo fogo mandado por Deus, 11. — 2.° Murmuração de Maria e de Aarão contra Moisés; castigo de Maria, 12. — 3.° Missão de exploradores à terra de Canaã, sedição na volta, 13; 14. — 4.° Leis diversas, 15. — 5.° Revolta de Datan, Coré e Abiron, 16; 17. — 6.° Prescrições diversas, 18; 19. TERCEIRA PARTE Acontecimentos dados e leis promulgadas durante os dez primeiros meses do quadragésimo ano do Êxodo, 20-25: 1.° Chegada ao deserto de Sin; morte de Maria em Cades, e de Aarão, no monte Hor, 20. — 2.° Vitória alcançada sôbre o rei cananeu Arad; as serpentes; guerra contra Seon, e contra Og, 21. — 3.° Balaam e suas profecias, 22-24. — 4.° Idolatria dos israelitas e seu castigo, 25. — 5.° Novo recenseamento do povo para a divisão da Terra Prometida, 26. — 6.° Filhas de Salfaad, 27, 1-11. — 7.° Josué indicado como sucessor de Moisés, 27, 12-23. — 8.° Festas e votos, 28-30. — 9.° Vitória sôbre os madianitas, 31. — 10.° Estabelecimento de Rúben, de Gad e da tribo de Manasses, 32. — 11.° Acampamento dos israelitas; limites da Terra Prometida, 33-34. — 12.° Cidades levíticas e cidades de refúgio, 35. — 13.° Prescrições para o casamento das herdeiras, 36.
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