Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 32

ASSINA MOISÉS TERRITÓRIO ÀS TRIBOS DE GAD, E DE RÚBEN, E À MEIA DE MANASSÉS, DA BANDA DE AQUÉM DO JORDÃO.

1Ora os filhos de Rúben e de Gad tinham muitos gados, e possuíam em animais um cabedal imenso. Ven do pois que as terras de Jazer, e de Galaad eram pró prias para sustentar animais,[1]CABEDAL IMENSOPorque não só havia grande quan tidade de gado, como era superior a qualidade dêste, porque era muito robusto e nutrido. GALAAD — A região transjordânica, ao norte e ao sul do Jaboc. PRÓPRIAS PARA SUSTENTAR ANIMAIS — Porque havia grande abundância de água, e eram terrenos fertilíssimos em pas tagens.

2vieram ter com Moisés, e com o sacerdote Eleazar, e com os príncipes do povoe lhes disseram:

3Atarot, Dibon, Jazer, Nemra, Hesebon, Eleale, Saban, Neno, Beon,[2]ATAROTEtimològicamente significa urbs insignis et coronata, cidade notável- e coroada; pertenceu à tribo de Gad. DIBON — Cidade de Moab,.a uma hora de Arnon. NEMRA — Ou Betnemra, no vale do Jordão. HESEBON — Capital de Seon. — 128

4terras que o Senhor feriu à vista dos filhos de 16rael, são um país fertilíssimo para pastos dos animais: e nós teus servos temos muitíssimos gados:

5e se achamos pois graça diante de ti, suplicamos- -te que o dês a teus servos em possessão, e não nos faças passar o Jordão.

6Aos quais respondeu Moisés: Porventura irão vos sos irmãos para a batalha, e vós ficareis aqui mui descan sados ?

7Por que meteis vós terrores nos ânimos dos filhos de Israel, para não ousarem passar ao lugar, que o Se nhor está para lhes dar?

8Não é isto fazer o mesmo, que fizeram vossos pais, quando eu os mandei de Cadesbarne a reconhecer a terra?[3]CADESBARNEE’ o mesmo que Cades.

9E depois de terem chegado ao Vale do Cacho, examinada tôda aquela região, perverteram o coração dos filhos de Israel, para que não entrassem nos limites, que o Senhor lhes havia dado.

10O qual irado jurou, dizendo:

11Estes homens, que saíram do Egito, de vinte anos e daí para cima, não verão a terra, que eu prometi com juramento a Abraão, a Isaac, e a Jacó: Porque me não quiseram seguir, SABAN — Ficava perto do Hesebon, e era notável pelas suas vinhas. NEBO — Ficava numa colina, a trás milhas para sudoeste de Hesebon. BEON — Ou Baalmeon, eslava a nove milhas romanas a sudo este de Hesebon.[4]NAO VERÃONão é está a tradução literal do que está na Vulgata, que é sl videbunt. Qiaire porém traduz da mesma ma neira Ils ne verront pas. A Vulgata traduziu à letra o original he- — 129

12exceto Caleb filho de Jefone Cenezeu, e Josué filho de Nun: Êstes cumpriram com a minha vontade.

13E o Senhor irado contra Israel, o tez andar errante pelo deserto quarenta anos, até que fôssc extinta tôda a geração, que tinha pecado na sua presença.

14E eis-aqui agora, prosseguiu Moisés, vos levan tastes vós em lugar de vossos pais como uns renovos e umas crias de homens pecadores, para aumentardes ain da o furor do Senhor contra Israel.

15Se não quiserdes seguir o Senhor, êle deixará o povo no deserto, e vós sereis a causa da morte de todos.

16Mas eles, chegando-se, lhe disseram: Nós edifi caremos currais para as nossas ovelhas, e ca vaiar iças pa ra os nossos animais, e cidades fortes para os nossos íilhinhos:

17Nós porém armados c prontos iremos ao combate na frente dos filhos de Israel até os metermos nos seuslugares. Entretanto as nossas crianças, c tudo o que po demos possuir, ficarão em cidades muradas, por causa das ciladas dos naturais do país.

18Não voltaremos para nossas casas, menos que os filhos de Tsrael não possuam a sua herança:

19Nem pretenderemos coisa alguma da banda de além do Jordão, visto que já possuímos a nossa porção na sua ribeira oriental.

20Moisés lhes respondeu: Se vós fazeis o que pro meteis, marchai em presença do Senhor prontos a com bater: braico, que é uma forma do juramento que corresponde a qualquer destas fórmulas: Xe pro Dco habear, ou Xe sim veruv.[5]NA PRESENÇA DO 'SENHORIsto é, diante da arca da aliança, como soldados do Senhor, marchando sob a6 suas vistas e ordens, tanquam milites Domini, eo inspcctore et ductorc. flste era com efeito o lugar assinado às tribos de Rúben e de Gad. — 130

21e todo o homem de guerra passe armado o Jor dão, até que o Senhor destrua os seus inimigos,

22e todo o país lhe fique submetido: Então sereis inculpáveis diante do Senhor e diante de Israel, e possui reis as terras, que desejais, diante do Senhor.

23Mas se não fizerdes o que dizeis: é sem dúvida que pecareis contra Deus: e tende entendido que o vosso pecado vos há de apanhar.

24Edificai pois cidades para as ovelhas e animais: c cumpri o que prometestes.

25E responderam os filhos de Gade de Rúben a Moisés: Somos teus servos, faremos o que Nosso Se nhor nos manda.

26Deixaremos nas cidades de Galaad os nossos filhinhos, e mulheres, e gados, e bestiagem:

27Nós porém teus servos iremos à guerra prontos para pelejar, como tu, Senhor, o mandas.

28Moisés pois deu esta ordem ao Sacerdote Eleazar, e a Josué filho de Nun, e aos príncipes das famílias pelas tribos de Israel, e lhes disse:[6]MOISÉS POIS DEU ESTA 011 DEMMoisés sabia que não conduziria os hebreus h conquista da Palestina, missão que es tava reservada a Josué; a êste, portanto, cumpria vigiar por que os filhos de Gad e de Rúben cumprissem a sua promessa.

29Se os filhos de Gad e os filhos de Rúben passa rem todos convosco o Jordão armados a pelejar diante do Senhor, e vos fór sujeita a terra: dai-lhes Galaad em possessão.

30Mas se êles não quiserem passar armados convos co à terra de Canaã, recebam entre vós os lugares da sua morada.

31E responderam os filhos de Gad, e os filhos de Rúben: Da mesma sorte que o Senhor disse a seus ser vos, assim o faremos:

32Nós mesmos armado^ marcharemos diante do Senhor para a terra de Canaã, e confessamos que já temos recebido a nossa possessão da banda de aquém do Jordão.

33Deu portanto Moisés aos filhos de Gad e de Rú- ben, e à meia tribo de Manassés, filho de José, o reino de Seon rei dos amorreus, e o reino de Og rei de Basan, e o seu território com as cidades do seu contorno.

34Pelo que os filhos de Gad reedificaram as cida des de Dibon, Atarot, Aroer,

35Etrot, Sofan, Jazer, Jegbaa,

36Betnemra, e Betaran, cidades fortificadas, e fa bricaram currais para os seus gados.

37Os filhos porém de Rúben reedificaram a Hesebon, Elealc, Cariataim,

38Nabo, e Baalmeon, mudando-lhes os nomes, e também a Sabama: Pondo nomes às cidades, que tinham fundado.

39E os filhos de Maquir, filho de Manassés, pas saram ao país de Galaad, e o arruinaram, mortos os amorreus que o habitavam.

40Deu pois Moisés o país de Galaad a Maquir fi lho de Manassés, que habitou nele.

41Depois passou Jair filho de Manassés ao mesmo país, e nêle se fêz senhor de muitas aldeias, a que deu o nome de Havot-Jair, que quer dizer, as aldeias de Jair.[7]JAIR FILHO DE MANASSÉSToma-se filho por neto, pois era filho de Hesron, filho de Judá.

42Passou também Nobe, e tomou a Canat com as suas aldeias: e lhe deu o seu nome, chamando-a Nobe.[8]CANATOu Nobe, provàvelmente Kuavua moderno, no Hauran meridional, a algumas horas do monte El-Klub, para o norte. Era uma das cidades de Jair.

O quarto livro do Pentateuco Mosaico é chamado em grego arithmoi, e em hebreu vayedabber, segundo S. Jerônimo, ou bamidbar, por ser esta a palavra inicial do texto hebraico. O nome de Números convém-lhe por indicar o número dos guerreiros de Israel, dos primogénitos e dos levitas. (Glaire, Introduction à l'Écriture Sainte.) Liga-se êste livro estreitamente ao Levítico, do qual é a continuação, da mesma maneira que o Levítico é o seguimento do Êxodo. No presente livro narra-se a história do povo hebreu desde a saída do Sinai, e contam-se os acontecimentos mais notáveis, que então se deram; as revoltas sucessivas dos israelitas e os castigos que ocasionaram, as leis promulgadas neste intervalo, e a conquista de parte da Palestina, situada a este do Jordão. Podemos, pois, considerar três partes: PRIMEIRA PARTE Preparativos para a partida do Sinai, 1-10. 1.° Recenseamento do povo; ordem do acampamento, 1; 2. — 2.° Recenseamento dos levitas, 3; 4. — 3.° Leis particulares, 5; 6. — 4.° Ofertas dos príncipes de Israel ao Tabernáculo, 7. — 5.° Consagração dos levitas, 8. — 6.° Celebração da Páscoa no Sinai, 9, 1-14. — 7.° A coluna do fogo e da nuvem; as trombetas para a marcha, 9,15; 10,10. — 8.° Partida do Sinai, 10,11-36. SEGUNDA PARTE Quedas e revoltas do povo no deserto, 11-19. 1.° Murmuração dos israelitas castigada pelo fogo mandado por Deus, 11. — 2.° Murmuração de Maria e de Aarão contra Moisés; castigo de Maria, 12. — 3.° Missão de exploradores à terra de Canaã, sedição na volta, 13; 14. — 4.° Leis diversas, 15. — 5.° Revolta de Datan, Coré e Abiron, 16; 17. — 6.° Prescrições diversas, 18; 19. TERCEIRA PARTE Acontecimentos dados e leis promulgadas durante os dez primeiros meses do quadragésimo ano do Êxodo, 20-25: 1.° Chegada ao deserto de Sin; morte de Maria em Cades, e de Aarão, no monte Hor, 20. — 2.° Vitória alcançada sôbre o rei cananeu Arad; as serpentes; guerra contra Seon, e contra Og, 21. — 3.° Balaam e suas profecias, 22-24. — 4.° Idolatria dos israelitas e seu castigo, 25. — 5.° Novo recenseamento do povo para a divisão da Terra Prometida, 26. — 6.° Filhas de Salfaad, 27, 1-11. — 7.° Josué indicado como sucessor de Moisés, 27, 12-23. — 8.° Festas e votos, 28-30. — 9.° Vitória sôbre os madianitas, 31. — 10.° Estabelecimento de Rúben, de Gad e da tribo de Manasses, 32. — 11.° Acampamento dos israelitas; limites da Terra Prometida, 33-34. — 12.° Cidades levíticas e cidades de refúgio, 35. — 13.° Prescrições para o casamento das herdeiras, 36.
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