Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 15

LEIS SÔBRE OS SACRIFÍCIOS. O QUE VIOLOU O SÁBADO É APEDREJADO. FRANJAS NOS VESTIDOS.

1Falou o Senhor a Moisés, dizendo:[1]FALOU O SENHOROs cc. 15-19 contêm as leis pro mulgadas e os acontecimentos que se deram durante trinta e sete. anos no deserto, desde o terceiro ano da salda do Egito ao qua dragésimo. O presente capítulo compreende seis leis diferentes.

2Fala aos filhos de Israel, e lhes dirás: Quando vós entrardes na terra da vossa habitação, que eu vos hei de dar,

3e oferecerdes ao Senhor algum holocausto, ou ví tima em cumprimento dos vossos votos, ou oferecendo dons voluntários, ou fazendo queimar nas vossas soleni dades cheiro de suavidade para o Senhor, assim de bois como de ovelhas:

4Qualquer que imolar uma vítima, oferecerá para o sacrifício a décima parte dum efi de flor de farinha, misturada com a quarta parte dum hin de azeite:

5E dará para fazer as libações a mesma medida de vinho para o holocausto ou para a vítima. Por cada cordeiro

6e por cada carneiro oferecerá em sacrifício duas dizimas de flor de farinha, misturada com azeite, qué seja a terça parte dum hin:

7E de vinho para as libações oferecerá a têrça parte da mesma medida, em cheiro de suavidade para o Senhor.

8Quando porém ofereceres bois em holocausto ou por hóstia para cumprires um voto ou sacrifícios de paz,

9darás por cada boi três dizimas de flor de farinha, misturada com meio hin de azeite:

10E de vinho para fazer as libações uma igual me dida em oferenda de suavíssimo cheiro para o Senhor.

11Assim o farás

12com todos os bois, carneiros, cordeiros, e cabritos.

13Tanto os naturais da terra como os estrangeiros,

14oferecerão os sacrifícios com estas mesmas ceri mónias.

15Será uma mesma lei e uma mesma ordenação tanto para vós, como para os que são estrangeiros no vosso país.

16Falou o Senhor a Moisés, dizendo:

17Fala aos filhos de Israel, e lhes dirás:

18Depois que vós tiverdes chegado à terra, que eu vos hei de dar,

19e comerdes dos pães daquela terra, separareis para o Senhor as primícias

20de vossas comidas. Assim como separais as pri mícias das eiras,

21assim também dareis ao Senhor as primícias das vossas massas.

22E se por ignorância deixardes de fazer alguma destas coisas, que o Senhor tem dito a Moisés,

23e que vos tem ordenado por êle, desde o primeiro dia, que começou a dar-vos os seus mandamentos até hoje,

24e se a multidão vier a cair em qualquer falta por esquecimento: Oferecerá um bezerro da manada em ho locausto de suavíssimo cheiro para o Senhor, com a sua oferenda e libações, como o pede o cerimonial, e um bode pelo pecado:

25E o Sacerdote rogará por tôda a multidão dos filhos de Israel e se lhes perdoará, porque não pescaram voluntariamente: Oferecerão contudo êste holocausto ao Senhor por si e pelo seu pecado c pelo seu êrro:

26E se perdoará a todo o povo dos filhos de Israel, e aos estrangeiros que moram entre êles: Porque foi esta uma culpa que todo o povo cometeu por ignorância.

27Porém se alguma pessoa pecar por ignorância, oferecerá uma cabra de um ano pelo seu pecado:

28E o sacerdote rogará por ela, porque pecou dian te do Senhor sem o saber: e lhe alcançará o perdão, e se lhe perdoará.

29Uma mesma lei será para todos os que pecarem por ignorância, ou sejam naturais, ou estrangeiros.

30Porém o que cometer algum pecado por soberba, ou êle seja cidadão, ou forasteiro (porque foi rebelde contra o Senhor) perecerá do meio do seu povo:

31Pois que desprezou a palavra do Senhor, e tor nou vão o seu preceito: por isso mesmo será extermina do, c levará sôbre si a sua iniquidade.

32Aconteceu porém que estando os filhos de Israel no deserto, e achando um homem enfeixando lenha no dia de sábado,

33o apresentaram a Moisés, a Aarão, e a todo o povo.

34Os quais o meteram em prisão, não sabendo o que deviam fazer dêle.[2]Ê O METERAM EM PRISÃOEra assim que se pro cedia com os acusados antes do julgamento, e com os condenados antes da execução. Lev 24, 12. No deserto não devia existir prisão pròprlamente dita. O sentido do texto é que o delinquente era guar dado à vista na sua própria bàrraca, ou numa tenda separada.

35Então disse o Senhor a Moisés: Êste homem morra de morte, todo o povo o apedreje fora do arraial.

36E como o tirassem para fora, o apedrejaram, e morreu, como o Senhor o tinha mandado.

37Disse também o Senhor a Moisés:

38Fala aos filhos de Israel, e lhes dirás que se fa çam umas guarnições nos remates das suas capas, pondo nelas fitas de côr de jacinto,

39para que, vendo-as, se çecordem de todos os man damentos do Senhor, e não sigam os seus pensamentos, nem os seus olhos se prostituam a vários objetos;

40mas antes mais lembrados dos preceitos do Se nhor, os cumpram, e sejam santos para com o seu Deus.

41Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito, para ser vosso Deus.

O quarto livro do Pentateuco Mosaico é chamado em grego arithmoi, e em hebreu vayedabber, segundo S. Jerônimo, ou bamidbar, por ser esta a palavra inicial do texto hebraico. O nome de Números convém-lhe por indicar o número dos guerreiros de Israel, dos primogénitos e dos levitas. (Glaire, Introduction à l'Écriture Sainte.) Liga-se êste livro estreitamente ao Levítico, do qual é a continuação, da mesma maneira que o Levítico é o seguimento do Êxodo. No presente livro narra-se a história do povo hebreu desde a saída do Sinai, e contam-se os acontecimentos mais notáveis, que então se deram; as revoltas sucessivas dos israelitas e os castigos que ocasionaram, as leis promulgadas neste intervalo, e a conquista de parte da Palestina, situada a este do Jordão. Podemos, pois, considerar três partes: PRIMEIRA PARTE Preparativos para a partida do Sinai, 1-10. 1.° Recenseamento do povo; ordem do acampamento, 1; 2. — 2.° Recenseamento dos levitas, 3; 4. — 3.° Leis particulares, 5; 6. — 4.° Ofertas dos príncipes de Israel ao Tabernáculo, 7. — 5.° Consagração dos levitas, 8. — 6.° Celebração da Páscoa no Sinai, 9, 1-14. — 7.° A coluna do fogo e da nuvem; as trombetas para a marcha, 9,15; 10,10. — 8.° Partida do Sinai, 10,11-36. SEGUNDA PARTE Quedas e revoltas do povo no deserto, 11-19. 1.° Murmuração dos israelitas castigada pelo fogo mandado por Deus, 11. — 2.° Murmuração de Maria e de Aarão contra Moisés; castigo de Maria, 12. — 3.° Missão de exploradores à terra de Canaã, sedição na volta, 13; 14. — 4.° Leis diversas, 15. — 5.° Revolta de Datan, Coré e Abiron, 16; 17. — 6.° Prescrições diversas, 18; 19. TERCEIRA PARTE Acontecimentos dados e leis promulgadas durante os dez primeiros meses do quadragésimo ano do Êxodo, 20-25: 1.° Chegada ao deserto de Sin; morte de Maria em Cades, e de Aarão, no monte Hor, 20. — 2.° Vitória alcançada sôbre o rei cananeu Arad; as serpentes; guerra contra Seon, e contra Og, 21. — 3.° Balaam e suas profecias, 22-24. — 4.° Idolatria dos israelitas e seu castigo, 25. — 5.° Novo recenseamento do povo para a divisão da Terra Prometida, 26. — 6.° Filhas de Salfaad, 27, 1-11. — 7.° Josué indicado como sucessor de Moisés, 27, 12-23. — 8.° Festas e votos, 28-30. — 9.° Vitória sôbre os madianitas, 31. — 10.° Estabelecimento de Rúben, de Gad e da tribo de Manasses, 32. — 11.° Acampamento dos israelitas; limites da Terra Prometida, 33-34. — 12.° Cidades levíticas e cidades de refúgio, 35. — 13.° Prescrições para o casamento das herdeiras, 36.
📄 PDF
📄 Original