Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 27

LEI TOCANTE ÀS HERANÇAS. JOSUÉ NOMEADO POR DEUS PARA SUCEDER A MOISÉS.

1Vieram porém as filhas de Salfaad, filho de Hefer, filho de Galaad, filho de Maquir, filho de Manasses, que foi filho de José, cujos nomes são Maala, e Noa, e Hegla, e Melca, e Tersa.

2E apresentaram-se a Moisés e a Eleazar sacerdo te, e a todos os príncipes do povo, à porta do tabernáculo do concerto e lhes disseram:

3Nosso pai morreu no deserto, nem se achou na se dição, que se excitou por Coré contra o Senhor, mas morreu no seu pecado: êste não teve filhos machos. Por que razão logo se tira o seu nome da sua família, por não ter tido um filho? Dai-nos herança entre os parentes de nosso pai.

4E Moisés remeteu a causa delas ao juízo do Senhor.

5O qual lhe disse:

6As filhas de Salfaad pedem uma coisa justa: dá: -lhes possessões entre os parentes de seu pai, e lhe suce dam como suas herdeiras.

7Aos filhos porém de Israel dirás estas coisas:[1]DIRÁS ESTAS COISASA lei que vai seguir-se refere- -se à ordem da sucessão; e vem aqui a propósito dum fato particular, relatado nos versiculoB 1 a 6. Esta passagem é mais uma confirma ção da autenticidade do Pentateuco, pois vê-se aqui o autor contem porâneo dos fatos apontados descrevendo estas minudências, e indi cando a lei para êstes casos, que sucessivamente se iam dando. Um autor posterior contentàr-se-ia com a citação da lei, sem descer a estas particularidades. — 1 1 2 —

8Quando algum homem morrer sem filhos, a heran ça passará a sua filha.

9Se não tiver filha, terá por sucessores a seus ir mãos :

10Se não tiver também irmãos, dareis a herança aos irmãos de seu pai:

11Se não tiver tampouco tios paternos, dar-se-á a herança aos parentes rnais próximos: e isto será inviolàvelmente guardado pelos filhos de Israel por lei perpé tua, assim como o Senhor mandou a Moisés.

12Disse outrossim o Senhor a Moisés: Sobe a êste .monte Abarim, e contempla daí a terra, que eu hei de [2]ABARIMNo país de Moab, a este do mar Morto.

13e depois de a teres visto, irás também para o teu povo, como foi teu irmão Aarão:

14Porque me ofendestes no deserto de Sin na con tradição do povo, nem me quisestes sacrificar diante de le acèrca das águas: estas são as águas da contradição em Cades no deserto de Sin.

15Ao qual respondeu Moisés:

16O Senhor Deus dos espíritos de todos os homens escolha algum homem, que vigie sôbre esta multidão:

17E que possa sair e entrar diante dêles, e tirá-los ou introduzi-los: Para que o povo do Senhor não seja como ovelhas sem pastor. '[3]QUE POSSA SAIR E ENTRARE’ u m m o d o d e d iz e r h e b r a i c o ; p o r e s t a e x p r e s s ã o o s h e b r e u s s i g n i f i c a v a m t o d o s o s a t c 3 d a v i d a h u m a n a . uma parte da tua glória, para que tôda a congregação dos filhos de Israel o ouça.

18E o Senhor lhe disse: Lança mão de Josué filho de Nun, varão no qual reside o espírito, e impõe-lhe as mãos.

19O qual se apresentará diante do sacerdote Elea- .zar e de tóda a multidão:

20E tu lhe darás os preceitos à vista de todos, e

21Sôbre o que, quando se houver de empreender alguma coisa, o Sacerdote Eleazar consultará o Senhor. À palavra dêste sairá e entrará Josué, e com êle todos os filhos de Israel, e o resto do povo.

22Fêz Moisés como o Senhor lhe tinha ordenado. E como lançasse mão de Josué, o apresentou diante do sacerdote Eleazar e de todo o ajuntamento do povo.

23E impostas as mãos sôbre a sua cabeça, lhe de clarou tudo o que o Senhor lhe havia mandado.

O quarto livro do Pentateuco Mosaico é chamado em grego arithmoi, e em hebreu vayedabber, segundo S. Jerônimo, ou bamidbar, por ser esta a palavra inicial do texto hebraico. O nome de Números convém-lhe por indicar o número dos guerreiros de Israel, dos primogénitos e dos levitas. (Glaire, Introduction à l'Écriture Sainte.) Liga-se êste livro estreitamente ao Levítico, do qual é a continuação, da mesma maneira que o Levítico é o seguimento do Êxodo. No presente livro narra-se a história do povo hebreu desde a saída do Sinai, e contam-se os acontecimentos mais notáveis, que então se deram; as revoltas sucessivas dos israelitas e os castigos que ocasionaram, as leis promulgadas neste intervalo, e a conquista de parte da Palestina, situada a este do Jordão. Podemos, pois, considerar três partes: PRIMEIRA PARTE Preparativos para a partida do Sinai, 1-10. 1.° Recenseamento do povo; ordem do acampamento, 1; 2. — 2.° Recenseamento dos levitas, 3; 4. — 3.° Leis particulares, 5; 6. — 4.° Ofertas dos príncipes de Israel ao Tabernáculo, 7. — 5.° Consagração dos levitas, 8. — 6.° Celebração da Páscoa no Sinai, 9, 1-14. — 7.° A coluna do fogo e da nuvem; as trombetas para a marcha, 9,15; 10,10. — 8.° Partida do Sinai, 10,11-36. SEGUNDA PARTE Quedas e revoltas do povo no deserto, 11-19. 1.° Murmuração dos israelitas castigada pelo fogo mandado por Deus, 11. — 2.° Murmuração de Maria e de Aarão contra Moisés; castigo de Maria, 12. — 3.° Missão de exploradores à terra de Canaã, sedição na volta, 13; 14. — 4.° Leis diversas, 15. — 5.° Revolta de Datan, Coré e Abiron, 16; 17. — 6.° Prescrições diversas, 18; 19. TERCEIRA PARTE Acontecimentos dados e leis promulgadas durante os dez primeiros meses do quadragésimo ano do Êxodo, 20-25: 1.° Chegada ao deserto de Sin; morte de Maria em Cades, e de Aarão, no monte Hor, 20. — 2.° Vitória alcançada sôbre o rei cananeu Arad; as serpentes; guerra contra Seon, e contra Og, 21. — 3.° Balaam e suas profecias, 22-24. — 4.° Idolatria dos israelitas e seu castigo, 25. — 5.° Novo recenseamento do povo para a divisão da Terra Prometida, 26. — 6.° Filhas de Salfaad, 27, 1-11. — 7.° Josué indicado como sucessor de Moisés, 27, 12-23. — 8.° Festas e votos, 28-30. — 9.° Vitória sôbre os madianitas, 31. — 10.° Estabelecimento de Rúben, de Gad e da tribo de Manasses, 32. — 11.° Acampamento dos israelitas; limites da Terra Prometida, 33-34. — 12.° Cidades levíticas e cidades de refúgio, 35. — 13.° Prescrições para o casamento das herdeiras, 36.
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