Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 18

FUNÇÕES E DIREITOS DOS SACERDOTES E DOS LEVITAS.

1E o Senhor disse a Aarão: Tu, e teus filhos, e a casa de teu pai contigo pagareis as iniquidades que se co meterem contra o santuário: e tu e teus filhos juntamente dareis conta dos pecados do vosso sacerdócio.

2Toma também contigo a teus irmãos da tribo de Levi, e o ceptro de teu pai; e êles te assistam, e te sirvam: Mas tu e teus filhos ministrareis no tabernáculo do tes temunho.[1]O CETROIsto é, a tribo. — 7 5 — • do altar; para que se não levante a indignação sôbre os filhos de Israel.

3E os levitas velarão às tuas ordens, e a todas as obras do tabernáculo: Sem que êles todavia se cheguem aos vasos do santuário, nem ao altar, para que nem êles morram, nem vós pereçais juntamente.

4Mas estejam contigo, e velem sôbre a guarda do tabernáculo, e em tôdas as suas cerimónias. Nenhum es trangeiro se misturará convosco.

5Vigiai na guarda do santuário; e no ministério dêste acontecimento ficou profundamente impressa na memória do povo hebreu. Ficaram-nos, do tempo dos macabeus, alguns siclos de prata tendo no reverso gravado um ramo ornado de trôs flores, que se supõe a vara de Aarão. Vigouroux, obcit.

6Eu dei-vos os levitas vossos irmãos, separando- -os do meio dos filhos de Israel, e os entreguei em dom ao Senhor, para que sirvam nos ministérios do seu ta bernáculo.

7Tu porém e teus filhos guardai o vosso sacerdó cio: e tudo o que pertence ao culto do altar, e que está para dentro do véu, se faça pelo ministério dos sacerdo tes. Se algum estranho se chegar, será morto.

8Falou mais o Senhor a A arão: Eis-aí te dei a guarda das minhas primícias. Eu te dei a ti e a teus filhos pelo ministério sacerdotal, tudo o que me foi consagrado pe los filhos de Israel, por uma lei perpétua.

9Isto portanto receberás daquelas coisas que san tificam, e forem oferecidas ao Senhor. Tôda oblação, e sacrifício, e tudo o que se me oferece pelo pecado e pelo delito, e que por isso vem a ser uma coisa santíssima, será teu, e de teus filhos.

10Tu o comerás no santuário: Somente os machos comerão dêle, porque é destinado para ti.

11As primícias porém que votarem e oferecerem os filhos dé Israel, eu tas dei a ti, e a teus filhos, e a tuas filhas por um direito perpétuo. Aquêle que se achar lim po na tua casa, comerá delas.

12Eu te dei tôda a medula do azeite, do vinho, e do trigo, tôdas as primícias que se oferecem ao Senhor.

13Todos os primeiros frutos, que a terra produz, e são apresentados ao Senhor, serão para os teus usos: Aquêle que se achar limpo na tua casa, comerá deles.

14Tudo o que por voto derem os filhos de Israel, será teu.

15Tudo o que primeiro sai da matriz de tôda a carne, que oferecem ao Senhor, ou seja de homens, ou . — 76 — de animais, pertencer-te-á por direito: Mas com esta con dição, que pelo primogénito do homem receberás o preço, e farás remir todo o animal imundo.

16cuja redenção se fará depois de um mês por cin co siclos de prata do peso do santuário. O siclo tem vin te óbolos.

17Mas não farás remir o primogénito do boi, nem o da ovelha, nem o da cabra, porque são consagrados ao Senhor. Somente derramarás o seu sangue sôbre o altar, e queimarás as banhas em suavíssimo cheiro para o Senhor.

18As carnes porém servirão para o teu uso, bem como o peito consagrado, e a espádua direita serão teus.

19Eu te dei a ti, a teus filhos, e filhas, por um direito perpétuo todas as primícias do santuário, que os filhos de Israel oferecem ao Senhor. Isto é um pacto de sal, que deve durar para sempre diante do Senhor, para ti e para teus filhos.[2]UM PAOTO DE SALEntre os árabes o sal é o em blema e símbolo da amizade e fidelidade. Todo o árabe (principal- mente no Sinai) que ultrajasse um homem com quem tivesse co mido sal seria desprezado pelos seus concidadãos. Cf. Pinart. culo, e levem sôbre si os pecados do povo: Lei que será sempre observada nas vossas gerações. Nenhuma outra coisa possuirão,

20Disse mais o Senhor a Aarão: Vós não possui reis nada na sua terra, nein tereis parte entre êles: Eu é que sou a tua parte e a tua herança no meio dos filhos de Israel.

21Mas aos filhos de Levi eu dei em possessão todos os dízimos de Israel pelo ministério, em que êles me ser vem no tabernáculo do concêrto:

22Para que os filhos de Israel para o futuro se não cheguem mais ao tabernáculo, nem cometam pecado que lhes cause a morte;

23mas só os filhos de Levi me sirvam no taberná

24contentando-se com as oblações dos dízimos, que separei para seu uso e para o que lhes fôr necessário.

25Falou também o Senhor a Moisés, dizendo:

26Ordena e manda aos levitas isto: Quando re ceberdes dos filhos de Israel os dízimos, que eu vos dei, oferecei ao Senhor as primícias deles, isto é, o dízimo, do dízimo,

27para isto se vos reputar como oblação das pri mícias, tanto das eiras como dos lagares:[3]DOS LAGARESHavia no Egito maneiras muito di versas de fazer vinho. Na Palestina serviam-se para pisar as .uvas de cubas cavadas na rocha, do que se encontram ainda hoje ves tígios. Pisavam a uva numa cuba superior, e o sumo cala na in ferior.

28e de tôdas as coisas de que recebeis primícias, oferecei ao Senhor, e dai-as ao sacerdote Aarão.

29Tudo o que oferecerdes dos dízimos, e que sepa rardes para donativo do Senhor, será o melhor e o mais escolhido.

30Dir-lhes-ás outrossim: Se vós oferecerdes o que nos dízimos há de mais precioso e de mais excelente, servos-á isto reputado como se désseis as primícias da eira e do lagar:

31e comereis desses dízimos, vós, e as vossas famí lias, em todos os vossos lugares: Porque êste é o preço do serviço, que fazeis no tabernáculo do testemunho.

32E não pecareis acerca disto, reservando para vós o melhor e o mais pingue; não suceda que profaneis as oferendas dos filhos de Israel, e morrais.

O quarto livro do Pentateuco Mosaico é chamado em grego arithmoi, e em hebreu vayedabber, segundo S. Jerônimo, ou bamidbar, por ser esta a palavra inicial do texto hebraico. O nome de Números convém-lhe por indicar o número dos guerreiros de Israel, dos primogénitos e dos levitas. (Glaire, Introduction à l'Écriture Sainte.) Liga-se êste livro estreitamente ao Levítico, do qual é a continuação, da mesma maneira que o Levítico é o seguimento do Êxodo. No presente livro narra-se a história do povo hebreu desde a saída do Sinai, e contam-se os acontecimentos mais notáveis, que então se deram; as revoltas sucessivas dos israelitas e os castigos que ocasionaram, as leis promulgadas neste intervalo, e a conquista de parte da Palestina, situada a este do Jordão. Podemos, pois, considerar três partes: PRIMEIRA PARTE Preparativos para a partida do Sinai, 1-10. 1.° Recenseamento do povo; ordem do acampamento, 1; 2. — 2.° Recenseamento dos levitas, 3; 4. — 3.° Leis particulares, 5; 6. — 4.° Ofertas dos príncipes de Israel ao Tabernáculo, 7. — 5.° Consagração dos levitas, 8. — 6.° Celebração da Páscoa no Sinai, 9, 1-14. — 7.° A coluna do fogo e da nuvem; as trombetas para a marcha, 9,15; 10,10. — 8.° Partida do Sinai, 10,11-36. SEGUNDA PARTE Quedas e revoltas do povo no deserto, 11-19. 1.° Murmuração dos israelitas castigada pelo fogo mandado por Deus, 11. — 2.° Murmuração de Maria e de Aarão contra Moisés; castigo de Maria, 12. — 3.° Missão de exploradores à terra de Canaã, sedição na volta, 13; 14. — 4.° Leis diversas, 15. — 5.° Revolta de Datan, Coré e Abiron, 16; 17. — 6.° Prescrições diversas, 18; 19. TERCEIRA PARTE Acontecimentos dados e leis promulgadas durante os dez primeiros meses do quadragésimo ano do Êxodo, 20-25: 1.° Chegada ao deserto de Sin; morte de Maria em Cades, e de Aarão, no monte Hor, 20. — 2.° Vitória alcançada sôbre o rei cananeu Arad; as serpentes; guerra contra Seon, e contra Og, 21. — 3.° Balaam e suas profecias, 22-24. — 4.° Idolatria dos israelitas e seu castigo, 25. — 5.° Novo recenseamento do povo para a divisão da Terra Prometida, 26. — 6.° Filhas de Salfaad, 27, 1-11. — 7.° Josué indicado como sucessor de Moisés, 27, 12-23. — 8.° Festas e votos, 28-30. — 9.° Vitória sôbre os madianitas, 31. — 10.° Estabelecimento de Rúben, de Gad e da tribo de Manasses, 32. — 11.° Acampamento dos israelitas; limites da Terra Prometida, 33-34. — 12.° Cidades levíticas e cidades de refúgio, 35. — 13.° Prescrições para o casamento das herdeiras, 36.
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