Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 12

MARIA E AARÃO MURMURAM CONTRA MOISÉS. CASTIGO DE MARIA.

1Então falaram Maria e Aarão contra Moisés por causa de sua mulher Etiopisa,[1]A ETIOPISASegundo vários comentadores esta Etio pisa era Séfora. Mas, diz Vigouroux, ob. cit. ó possível que Moisés tivesse esposado uma mulher da Etiópia. Josefo conta, embora a sua narração não mereça grandes créditos, que Moisés tinha ido numa expedição do. Egito ã Etiópia, e quo aí casara com uma princesa dessa região. - 5$ -v

2e disseram: Porventura falou o Senhor só por Moisés? Não nos falou êle também a nós? O' que tendo o Senhor ouvido, lavra hebraica chonner que vale dez efis, e por conseqtiência mais de 383 litros.

3(porque Moisés era o niais manso clc todos os ho mens que havia na terra),[2]PORQUE MOISÉS ERA O MAIS MANSOEstas pa lavras estão aqui colocadas para que sc saiba que nunca. Moisés pensou em punir seus irmãos. Vigouroux, ob. eit., diz que por aqui se vé que há ocasiões em-que os homens, ainda os mais modestos, têm de aludir às más qualidades, seja por amor da justiça, seja para a edificação pública, citando a propósito S. Paulo, 2 Cor 11, 10-23, e o procedimento de Jesus Cristo narrado no Evangelho de Jo 10, 36.

4disse logo a Moisés., a Aarão e a M aria: Saí todos três somente ao tabernáculo do concerto, E tanto que lá chegaram,

5desceu o Senhor na coluna de nuvem, e pôs-se à entrada do tabernáculo, chamando a Aarão e a Maria. Os quais acudindo,

6lhes disse: Ouvi as minhas palavras: Se entre vós se achar algum profeta do Senhor, eu lhe aparece rei em visão, ou lhe falarei em sonhos.

7Mas não é assim a respeito de meu servo Moi sés, que é o mais fiel em tôda a minha casa:

8Porque eu lhe falo cara a c a ra : e êle vê o Senhor claramente, e não debaixo de enigmas ou de figuras. Por que não temestes vós logo detrair de meu servo Moisés?

9E irado contra êles, foi-se.

10Retirou-se também a nuvem, que estava sôbre o tabernáculo: e no mesmo ponto apareceu Maria tôda coberta de lepra branca como neve. E como Aarão olhasse para ela, e a visse coberta de lepra,[3]RETIROU-SE TAMBÉM A NUVEMEm sinal do descontentamento do Senhor. to que é arrojado do ventre de sua mãe: Vê que a le pra lhe tem já carcomido a metade da sua carne.

11disse a Moisés: Rogo-te, meu Senhor, que não ponhas sôbre nós êste pecado que ncsciamente cometemos,

12e que esta não fique como morta, e como um abôr

13Então clamou Moisés ao Senhor, dizendo: Ó Deus, rogo-te que a sares.

14Ao qual o Senhor respondeu: Se seu pai lhe ti vesse cuspido na cara, não deveria ela estar coberta de vergonha ao menos por sete dias? Esteja apartada se te dias do campo, e depois será outra vez chamada.

15Foi Maria pois deitada fora do campo por sete dias: e o povo não se moveu daquele lugar, enquanto Maria não foi tornada a chamar.

16E depois partiram de Haserot, e acamparam-se no deserto de Faran.

O quarto livro do Pentateuco Mosaico é chamado em grego arithmoi, e em hebreu vayedabber, segundo S. Jerônimo, ou bamidbar, por ser esta a palavra inicial do texto hebraico. O nome de Números convém-lhe por indicar o número dos guerreiros de Israel, dos primogénitos e dos levitas. (Glaire, Introduction à l'Écriture Sainte.) Liga-se êste livro estreitamente ao Levítico, do qual é a continuação, da mesma maneira que o Levítico é o seguimento do Êxodo. No presente livro narra-se a história do povo hebreu desde a saída do Sinai, e contam-se os acontecimentos mais notáveis, que então se deram; as revoltas sucessivas dos israelitas e os castigos que ocasionaram, as leis promulgadas neste intervalo, e a conquista de parte da Palestina, situada a este do Jordão. Podemos, pois, considerar três partes: PRIMEIRA PARTE Preparativos para a partida do Sinai, 1-10. 1.° Recenseamento do povo; ordem do acampamento, 1; 2. — 2.° Recenseamento dos levitas, 3; 4. — 3.° Leis particulares, 5; 6. — 4.° Ofertas dos príncipes de Israel ao Tabernáculo, 7. — 5.° Consagração dos levitas, 8. — 6.° Celebração da Páscoa no Sinai, 9, 1-14. — 7.° A coluna do fogo e da nuvem; as trombetas para a marcha, 9,15; 10,10. — 8.° Partida do Sinai, 10,11-36. SEGUNDA PARTE Quedas e revoltas do povo no deserto, 11-19. 1.° Murmuração dos israelitas castigada pelo fogo mandado por Deus, 11. — 2.° Murmuração de Maria e de Aarão contra Moisés; castigo de Maria, 12. — 3.° Missão de exploradores à terra de Canaã, sedição na volta, 13; 14. — 4.° Leis diversas, 15. — 5.° Revolta de Datan, Coré e Abiron, 16; 17. — 6.° Prescrições diversas, 18; 19. TERCEIRA PARTE Acontecimentos dados e leis promulgadas durante os dez primeiros meses do quadragésimo ano do Êxodo, 20-25: 1.° Chegada ao deserto de Sin; morte de Maria em Cades, e de Aarão, no monte Hor, 20. — 2.° Vitória alcançada sôbre o rei cananeu Arad; as serpentes; guerra contra Seon, e contra Og, 21. — 3.° Balaam e suas profecias, 22-24. — 4.° Idolatria dos israelitas e seu castigo, 25. — 5.° Novo recenseamento do povo para a divisão da Terra Prometida, 26. — 6.° Filhas de Salfaad, 27, 1-11. — 7.° Josué indicado como sucessor de Moisés, 27, 12-23. — 8.° Festas e votos, 28-30. — 9.° Vitória sôbre os madianitas, 31. — 10.° Estabelecimento de Rúben, de Gad e da tribo de Manasses, 32. — 11.° Acampamento dos israelitas; limites da Terra Prometida, 33-34. — 12.° Cidades levíticas e cidades de refúgio, 35. — 13.° Prescrições para o casamento das herdeiras, 36.
📄 PDF
📄 Original