Capítulo 10
1O filho sábio a seu pai dá alegria: Porém o filho insensato é a tristeza de sua mãe.[1]O FILHO SÁBIO — Até aqui fomos exortados a lançar mão do estudo da sabedoria, em geral, que consiste no conhecimento da verdade, e em acertar a cumprir com a vontade do Senhor; daqui por diante, por meio de uma quase continuada antítese entre o bem e o mal, se nos intimam preceitos e regras especiais para abraçar todo o género de virtudes e fugir dos vícios. — Pereira.
2Os tesouros da impiedade de nada servirão: Mas a justiça livrará da morte.
3O Senhor não afligirá com fome a alma do justo, e desfará as traições dos ímpios.
4A mão remissa tem produzido indigência: Mas a mão dos fortes adquire riqueza. O que se estriba em mentiras, êste se sustenta de ventos: E êle mesmo corre atrás dos pássaros que voam.[2]O QUE SE ESTRIBA EM MENTIRAS — Este versículo não vem no hebreu, nem no grego, nem na nova edição de S. Jerônimo, nem num grande número de manuscritos latinos. — Calmet.
5Aquêle que ajunta no tempo da messe é filho sábio: Mas o que dorme tranquilo no estio é filho da confusão.
6A bênção do Senhor é sôbre a cabeça do justo: Mas a iniquidade dos ímpios cobre-lhes o rosto.
7A memória do justo será acompanhada de louvores: E o nome dos ímpios apodrecerá.
8O que é sábio de coração recebe os avisos: O insensato é ferido pelos lábios.
9Aquêle que anda em simplicidade, anda afoutamente: Aquêle porém que perverte os seus caminhos, será descoberto.
10O que faz sinais causará dor: E o insensato será estimulado pelos lábios.[3]O QUE FAZ SINAIS — O homem inconstante e cobarde, que se serve de gestos para dissimular e enganar.
11A bôca do justo é veia da vida: E a bôca dos ímpios esconde a iniquidade.
12O ódio excita rixas: E a caridade cobre todos os delitos.
13Nos lábios do sábio se acha a sabedoria: E a vara sôbre as costas daquele que não tem senso.
14Os sábios escondem a ciência: Mas a bôca do insensato está próxima à confusão.
15O cabedal do rico é a cidade da sua fortaleza: A indigência dos pobres os enche de pavor.[4]O CABEDAL DO RICO — Aos ricos, que põem toda a sua confiança nas riquezas, avisa S. Paulo, 1 ad Tim 6, 17, de que sendo estas incertas e inconstantes, devem só colocar aquela em Deus vivo; e aos pobres, que desconfiam de socorro divino, promete o mesmo Cristo que por sua conta corre a acudir-lhes e remediá-los, como atesta S. Mateus 6, 26 e se repete noutros lugares da Escritura. — Pereira.
16A obra do justo conduz à vida: Mas o fruto do ímpio tende ao pecado.
17O que guarda a disciplina está no caminho da vida: O que porém não faz caso das repreensões, anda errado.
18Os lábios mentirosos escondem o ódio: Aquêle que abertamente ultraja, é um insensato.
19No muito falar não faltará pecado: Mas o que modera os seus lábios é prudentíssimo.
20A língua do justo é uma prata depurada: Mas o coração dos ímpios é de nenhum preço.
21Os lábios do justo ensinam a muitíssimos: Mas os que são ignorantes morrerão na indigência de coração.
22A bênção do Senhor faz os ricos, e não se achará com êles a aflição.
23O insensato comete o crime como por galhofa: Mas a sabedoria é para o homem prudência.[5]MAS A SABEDORIA É PARA O HOMEM PRUDÊNCIA — Porque a sabedoria que vem de Deus infunde no homem inteligência e fá-lo prudente para saber evitar o mal e abraçar o bem.
24O que o ímpio teme, isso virá sôbre êle: Aos justos se lhes concederá o seu desejo.
25O ímpio desaparecerá como uma tempestade que passa: Mas o justo será como um fundamento eterno.
26Qual o vinagre para os dentes, e o fumo para os olhos, tal é o preguiçoso para aquêles que o mandaram.
27O temor do Senhor prolongará os dias: E os anos dos ímpios serão abreviados.
28A expectação dos justos é alegria: Mas a esperança dos ímpios perecerá.
29O caminho do Senhor é a fortaleza do inocente: E pavor para os que obram mal.
30O justo não será nunca abalado: Porém os ímpios não habitarão sôbre a terra.
31A bôca do justo frutificará sabedoria: A língua dos depravados perecerá.
32Os lábios do justo consideram o que pode agradar: E a bôca dos ímpios coisas perversas.[6]AGRADAR — Isto é, a Deus e aos homens de virtude. — Pereira.