Capítulo 2
1Meu filho, se tu receberes os meus discursos, e tiveres os meus mandamentos escondidos dentro do teu coração,
2de sorte que o teu ouvido ouça atento o que a sabedoria lhe diz: Inclina o teu coração para conhecer a prudência.
3Porque se tu invocares a sabedoria, e inclinares o teu coração para a prudência:
4Se a buscares como o dinheiro, e cavares para a encontrar, como os que desenterram tesouros:[1]CAVARES — A imagem desta busca diligente é deduzida do trabalho das minas, descrito no livro de Jó 28, 1-11.
5Então compreenderás tu o temor do Senhor, e acharás a ciência de Deus.
6Porque o Senhor é o que dá a sabedoria, e da sua bôca sai a prudência, e a ciência.
7Êle reservará a salvação para os retos e protegerá os que caminham em simplicidade,[2]EM SIMPLICIDADE — Com singeleza, candura, e humildade de coração; aos de vida inculpável e irrepreensível, cujos desejos são todos de agradar a Deus.
8sendo êle mesmo o que guarda as veredas da justiça, e o que está de vigia sôbre os caminhos dos santos.
9Então conhecerás tu a justiça, e o juízo e a equidade, e tôdas as veredas que são boas.
10Se a sabedoria entrar no teu coração, e a ciência agradar à tua alma:
11O conselho te guardará, e a prudência te conservará,
12a fim de seres livre do caminho mau, e do homem que fala coisas perversas:
13Dos que deixam o caminho direito, andam por caminhos tenebrosos:
14Que se alegram depois de terem feito o mal, e triunfam de prazer nas piores coisas:
15Cujos caminhos são todos corrompidos, e cujos passos são infames.
16A fim de seres livre da mulher alheia e da estranha, que usa dos seus brandos discursos,[3]A FIM DE SERES LIVRE DA MULHER ALHEIA — Tudo quanto aqui se diz da mulher adúltera e mundana em sentido próprio e literal, se entende também no traslado da corrupção do século e das nações idólatras.
17e deixa o guia da sua puberdade,[4]E DEIXA O GUIA DA SUA PUBERDADE — Larga seu legítimo marido, que é cabeça da mulher, segundo S. Paulo 1 Cor 11, 3, com o qual se tinha desposado, quando era donzela. — Pereira.
18e se tem esquecido do pacto do seu Deus: Porquanto a sua casa pende para a morte, e as suas veredas para os infernos.[5]DO PACTO DO SEU DEUS — Da fé, ou lealdade que lhe prometera, quando com ele contraiu o matrimônio, tomando a Deus por testemunha, como se prova de Mal 2, 14; e mais que tudo da obrigação de manter a aliança que havia feito com o mesmo Senhor. — Pereira. A SUA CASA PENDE PARA A MORTE — O hebreu tem: "pende para os gigantes raphaim", isto é, para os infernos, que são a morada dos gigantes. Com o que concorda o que se diz adiante no c. 9, v. 18. — Pereira.
19Todos os que têm trato com ela não voltarão, nem tomarão as veredas da vida.[6]NÃO VOLTARÃO — Sem o auxílio da graça, a vida tranquila, feliz e pura.
20Para que andes pelo bom caminho: E não largues as veredas dos justos.
21Porque os que são retos, habitarão na terra, e nela permanecerão os símplices.
22Porém os ímpios serão arrancados de cima da terra: E os que obram iniquamente serão dela exterminados.