Capítulo 10
1Ao regente do côro, salmo de Davi.[1]Salmo de Davi — O objeto dêste Salmo é — recusar-se a fugir ao perigo que ameaça a sua vida, porque tem tôda a confiança em Deus. Compreende duas estrofes de oito e nove versos. A 1.ª (2-4) mostra-nos os amigos de Davi aconselhando-o a que fuja na hora do perigo; na 2.ª (5-8) responde-lhes que a sua consciência está tranquila, que confia em Deus e na sua justiça.
2No Senhor confio: Por que dizeis à minha alma: Foge para o monte como pássaro?
3Porque eis-aí os pecadores estenderam o seu arco, prepararam as suas setas na aljava, para as dispararem na obscuridade contra os que são de coração reto.
4Por que destruíram o que tu tinhas acabado: E que fêz o justo?[2]Por que destruíram — A versão de S. Jerônimo diz com mais individuação: Quia leges dissipatæ sunt: Porque as leis foram dissipadas. E pelo que a Vulgata acrescenta no pretérito, justus autem quid fecit; verte Le Gros com Bossuet no futuro: Que fará, ou que poderá fazer o justo? a saber, onde não há leis nenhumas. — Pereira.
5O Senhor habita no seu templo, o trono do Senhor é no Céu. Os seus olhos olham para o pobre: As suas pálpebras fazem perguntas aos filhos dos homens.
6O Senhor faz perguntas ao justo e ao ímpio: Aquêle porém que ama a iniqüidade, aborrece a sua alma.
7Fará chover laços sôbre os pecadores: O fogo, e o enxofre, e as tempestades são a parte que lhes toca.[3]São a parte que lhes toca — Traduzindo à letra, pars calicis eorum, diríamos: São a parte do seu cálice. E a metáfora foi tirada ou do cálice de onde se extraíam as sortes, ou do cálice que nos banquetes servia de medida do que cada um havia de beber. — Pereira.
8Porque o Senhor é justo, e êle amou a justiça: O seu rosto olha para a eqüidade.