Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 52

Salmo didático. Descreve Davi a impiedade, e geral corrupção dos mundanos, e a perseguição que êles têm declarado contra os fiéis: ameaça-os com o juízo de Deus, desejando que seja prontamente executado para verdadeiro alívio e consolação da sua Igreja.

Ao regente do côro.

1Sôbre Maelet Panreiteia inteligência de Davi. Disse o néscio no seu coração: Não há Deus.[1]MaeletEsta palavra significa doença, e provàvelmente aplica-se a um salmo composto por ocasião duma enfermidade. De resto êste salmo é o mesmo que o Salmo 13, à exceção de algumas palavras que o autor alterou, talvez para melhor o acomodar à música em que devia ser cantado.

2Perverteram-se, e se têm feito abomináveis em iniqüidades: Não há quem faça bem.

3Deus desde o céu olhou sôbre os filhos dos homens: Para ver se há quem tenha inteligência, ou busque a Deus.

4Todos se desviaram, juntamente se fizeram inúteis: Não há quem faça bem, não há sequer um só.

5Porventura não virão em conhecimento todos os que obram iniqüidade, os que devoram o meu povo como quem come pão?

6Não invocaram a Deus: Ali tremeram de mêdo, onde não havia que temer. Porque Deus dissipou os ossos daqueles que contentam aos homens: Foram confundidos, porque Deus os desprezou.

7Quem dará de Sião a salvação a Israel? Quando Deus puser fim ao cativeiro do seu povo, regozijar-se-á Jacó, e alegrar-se-á Israel.[2]e alegrar-se-á IsraelQuando sairá de Sião o Salvador de Israel, aquêle que há-de pôr fim à opressão que padece Israel livrando ao seu povo da escravidão do pecado, e do demônio? O que alegrará em grande maneira a Jacó, e celebrará o novo povo de Israel com cânticos e festas. — P. Scio.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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