Capítulo 20
1Ao regente do côro, salmo de Davi.[1]Salmo de Davi — É um hino de ação de graças depois da vitória. Tem sete estrofes. 1.ª (2-3) O rei regozija-se com a sua vitória; 2.ª (4-5) Deus coroou-o de glória e lhe concedeu larga vida; 3.ª (6-7) A vitória que Deus lhe proporcionou engrandeceu-o e o encheu de alegria; 4.ª (8-9) Porque pôs a sua confiança em Deus, o Senhor o livrará dos seus inimigos; 5.ª (10) Deus queimará e aniquilará os que lhe querem mal; 6.ª (11-12) Perderá a sua raça, se ela tramar contra êle; 7.ª (13-14) Afugentará e perseguirá os seus inimigos. — Que Deus seja louvado. Seu povo o louvará sempre. O sentido místico dêste Salmo, segundo alguns comentadores, é Jesus Cristo triunfando da morte e do pecado, suplicando a vitória sôbre os seus inimigos.
2Senhor, o rei se alegrará na tua fortaleza: E na tua salvação se regozijará em grande maneira.
3Tu lhe cumpriste o desejo de seu coração: E não o defraudaste da vontade de seus lábios.
4Porque tu o preveniste de bênçãos de doçuras: E puseste sôbre a sua cabeça uma coroa de pedras preciosas.
5Vida te pediu a ti: E lhe concedeste diuturnidade de dias pelo século, e pelos séculos dos séculos.
6Grande é a sua glória na tua salvação: Glória e grande formosura porás sôbre êle.
7Porque tu o darás para bênção pelos séculos dos séculos: Enche-lo-ás de alegria com o teu rosto.[2]Porque tu o darás para bênção — Em Cristo que nascerá do seu sangue, e em quem serão benditas tôdas as nações. — Pereira. Enche-lo-ás de alegria — Nos seus perigos, e trabalhos achará a maior consolação, e o gôsto mais completo, vendo que estais sempre a seu lado, e que não o perdeis jamais de vista. Pode também expor-se em êste outro sentido: E depois dos trabalhos desta vida, e de haver triunfado de todos os seus inimigos o encherá de glória em vossa presença. O que convém muito bem ao Divino Redentor, exaltado por seu eterno Padre, depois de haver triunfado do inferno, e da morte. — P. Scio.
8Porquanto o rei espera no Senhor: E na misericórdia do Altíssimo não será comovido.
9Caia a tua mão sôbre todos os teus inimigos: Caia a tua destra sôbre todos os que te aborrecem.
10Tu os porás como um forno aceso ao mostrar-lhes teu rosto: O Senhor na sua ira os conturbará, e o fogo os devorará.[3]Ao mostrar-lhes teu rosto — Sejam devorados vossos inimigos pelo fogo do vosso semblante irado. O que se pode entender, ou da ruína de Jerusalém pelas chamas abrasadoras, ou do fogo do inferno, que abrasará eternamente aos perseguidores de Cristo e da sua Igreja. E assim o entendeu e expôs também Bossuet; advertindo que na frase da Escritura se toma algumas vêzes o rosto de Deus, que isso quer dizer vultus, pelo aspecto irado, como no salmo 33, 17. — Pereira.
11Seu fruto exterminarás da terra: E a sua descendência de entre os filhos dos homens.
12Porque urdiram contra mim males: Maquinaram conselhos que não puderam estabelecer.
13Porquanto os porás em fugida: Nos teus resíduos prepararás o rosto dêles.[4]Porquanto os porás em fugida — O hebreu diz: "Porquanto os porás aparte". Outros têm: "Por alvo da tua ira". Outros: "Os obrigarás a voltar as costas". O que pode explicar-se dêste modo: os obrigarás a voltar as costas, mas nem por isso escaparão, porque, ainda fugindo, lhes sairás ao encontro com o teu arco, e dêste modo tanto pela frente como pelas costas terão fim com as tuas setas. — P. Scio.
14Exalta-te, Senhor, no teu poder: Cantaremos e louvaremos as tuas maravilhas.