Capítulo 12
1Ao regente do côro, salmo de Davi. Até quando, Senhor, te esquecerás de mim para sempre? Até quando apartarás de mim a tua face?[1]Salmo de Davi — Êste Salmo exprime a situação de uma alma atribulada que, cheia de confiança no Senhor, lhe expõe o seu mal e O invoca num grande perigo. Tem três estrofes de três versos. 1.ª (1-3) Queixa-se Davi de se ver abandonado por Deus. 2.ª (4-5) Oração ao Senhor rogando o divino socorro. 3.ª (6) Esperança no Auxílio Celeste. É incerta a ocasião em que foi composto êste Salmo; alguns crêem que êle se refere à perseguição de Saul; outros à rebelião de Absalão; e outros, que o seu objeto é expor os sentimentos dos justos que existiam cativos em Babilónia. — ATÉ QUANDO — Em latim usque quo, é uma interrogação de queixa, interrogatio lamentatio (Caetano) mas que tem também fôrça impetratória, equivalente a uma súplica.
2Até quando encherei a minha alma de desígnios, cada dia com dor no meu coração?[2]Até quando encherei a minha alma de desígnios, etc. — Ponere consilia in anima, explica o estado de perplexidade em que se acha aquêle que não está certo em alguma coisa. — P. Scio.
3Até quando será o meu inimigo exaltado sôbre mim?
4Olha para mim, e ouve-me, Senhor Deus meu. Alumia os meus olhos para que eu não durma jamais na morte:[3]Não durma jamais na morte — Hebraísmo, que significa "dormir na morte" e morrer eternamente. — S. Jerônimo.
5Para que nunca o meu inimigo diga: Eu prevaleci contra êle. Os que me atribulam, exultarão se eu fôr abalado:
6Porém eu esperei na tua misericórdia. O meu coração exultará na salvação que me virá de ti: Cantarei ao Senhor que me deu bens: E entoarei salmos ao nome do Senhor altíssimo.[4]Que me deu bens, etc. — O hebraico tem: "porque me retribuiu" premiou a minha inocência nesta causa; me deu a recompensa do meu trabalho, paciência e esperança; e não se lê aqui: Et psallam nomini tuo altissime, como se lê no salmo 9, 2. — P. Scio.