Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 67

Salmo gratulatorio. O profeta pede a Deus uma vitória completa de seus inimigos, e que faça alarde do seu poder, empregando-o no extermínio dos ímpios, para consolação dos bons, como o havia feito quando livrou o seu povo da tirania dos egípcios, e o estabeleceu na terra da Promissão. Porém os Santos Padres aplicam êste salmo a Jesus Cristo, à sua Ascensão à pregação dos Apóstolos e conversão dos gentios. Ao regente do côro.

1Salmo e cântico de Davi.[1]De DaviDE DAVI — Êste salmo é o de mais difícil compreensão. Segundo as opiniões mais seguras foi composto por ocasião duma guerra de Davi, talvez a guerra contra os sírios e amonitas. 2 Rs 10, 12. 1 Par 19; 20, 3. Cfr. 2 Rs 8, 3-14 e 1 Sl 18, 3-13 e Cardinal Pie, Oeuvres, Homélie prononcée le jour de la Pentecôte, 8 de junho de 1862, t. IV, J. A. Van Steenkiste, Psalmi Pentecostes. Êste salmo tem nove estrofes, dividindo-se em duas partes: a primeira (2-19) é uma descrição do passado; a segunda (20-36) celebra o triunfo presente, e agradece a Deus o sucesso que o seu povo obteve.

2Levanta-te Deus, e sejam dispersos os teus inimigos, e fujam da sua presença os que o aborrecem.[2]Levanta-teLEVANTA-TE — Êste versículo é quase a reprodução das palavras de Moisés. Núm 10, 35, e parece indicar que a arca estava perto do exército, e que teve lugar na guerra contra os sírios e amonitas. 2 Rs 10, 11. DEUS — Segundo os comentadores está Deus pela arca, e então bem; quando a arca de Deus se levanta dissipam-se todos os seus inimigos como o fumo.

3Como se desvanece o fumo, assim se desvaneçam: Como se derrete a cêra diante do fogo, assim pereçam os pecadores diante de Deus.

4E os justos banqueteiem-se, e regozijem-se na presença de Deus: E gozem-se em alegria.

5Cantai a Deus, dizei salmo ao seu Nome: Preparai o caminho àquele que sobe sôbre o Ocidente: O Senhor é o seu Nome.
Regozijai-vos diante dêle, turbados ficarão seus inimigos pela presença daquele que é[3]Preparai o caminhoPREPARAI O CAMINHO — Aplanai o caminho por onde deve passar a arca sagrada daquele que se elevou sôbre os Céus, e que, sendo o soberano Senhor do universo, é digno de todos os vossos respeitos. Alguns aplicam isto à entrada do povo de Deus na terra prometida. Outros reconhecem aqui uma profecia da dilatação do reino de Cristo, que desde as partes do Oriente se estendeu até às do Ocidente. O SENHOR É O SEU NOME — O hebreu tem: "em Jáh o nome de Jah" é abreviatura do nome Jahvéh, que certo respeito religioso dos rabinos e dos mesmos hebreus não lhes permitia pronunciar: uma e outra coisa quer dizer: "O que tem ser de si mesmo."

6pai de órfãos, e juiz de viúva.
Deus está no seu lugar santo.[4]Pai de órfãosPAI DE ÓRFÃOS — O hebreu tem em vez disto. "É pai dos órfãos e juiz ou defensor das viúvas, Deus em seu santo habitáculo (a arca). Deus faz habitar os fracos na casa, conduz os cativos à prosperidade, e os rebeldes permanecem no deserto."

7Deus que faz morar os de uns costumes em casa:
Que tira os presos com fortaleza, como também àqueles que o irritam, os quais moram em sepulcros.

8Ó Deus, quando saías à vista do teu povo, quando passavas pelo deserto.[5]Ó DeusÓ DEUS — É uma descrição poética das aparições gloriosas de Deus quando conduzia o seu povo pelo deserto, e principalmente na publicação da lei. Êx 19, 16-18. Veja-se um lugar semelhante a êste no cântico de Débora. Jz 5, 4. 5. O que deve ter-se mui presente, para o que depois diremos; pois parece que Davi se propôs imitar aquêle cântico neste Salmo. — P. Scio.

9A terra foi comovida, e os céus distilaram águas ante a face do Deus de Sinai, ante a face do Deus de Israel.

10Chuva voluntária porás à parte, ó Deus, para a tua herança: A que tem estado debilitada, mas tu a aperfeiçoaste.[6]Para a tua herançaPARA A TUA HERANÇA — Para a herança que tu escolheste para o teu povo, que é a terra da Promissão, fertilizada das chuvas da primavera e do outono, segundo aquêle texto do Dt 11, 14. Dabit Dominus pluviam terrae vestrae temporaneam, et serotinam. A chuva voluntária, como nota Santo Agostinho, significava a graça de Jesus Cristo, dada gratuitamente, sem precederem merecimentos alguns da nossa parte. Pluvia voluntaria intelligitur gratia, quae nullis praecedentibus operum meriti gratis datur. Enar. in Sl 67, 12. Ou também, segundo o mesmo Santo Agostinho, por "chuva voluntária" se pode entender a lei de Moisés.

11Nela morarão os da tua grei: Está, ó Deus, preparado o sustento para o pobre na tua doçura.[7]Os da tua greiOS DA TUA GREI — Isto é, o rebanho do teu povo, do qual se diz no Salmo 77, verso 52, Et abstulit sicut oves populum suum, et perduxit eos tanquam gregem in deserto. Êle tirou o seu povo à maneira de ovelhas, e êle o conduziu como um rebanho pelo deserto. — Pereira. O SUSTENTO — Alusão ao maná, de que Deus sustentou o seu povo no deserto, figura do pão eucarístico de que depois havia de sustentar os filhos da Igreja.

12O Senhor dará palavra aos que com grande virtude dão boas novas.[8]O Senhor dará palavraO SENHOR, ETC. — Esta quarta estrofe, que compreende os n.os 12 a 15, é traduzida por Vigouroux pela seguinte forma: Adonai donne le signal / Les messagères de la victoire sont une armée nombreuse / Les rois des armées s'enfuient, s'enfuient / Et la maîtresse de la maison ramasse le butin. / Puis, quand vous vous reposez (en paix) au milieu des abreuvoirs / Vous etes comme les ailes de la colombe aux reflets d'argent / Au plumage étincellant d'or / Quand le Tout Puissant dissipe les rois / La neige blanchit le Selmon. O sentido dos quatro primeiros versos é claro, outro tanto não sucede com os restantes, que são duma obscuridade impenetrável. A estrofe inteira descreve a conquista da Terra Prometida. Deus dá o sinal de combate, e a vitória é ganha: numerosas donzelas celebram o triunfo. Êx 15, 20; Jz 11, 34. Os reis que fogem são os inimigos do povo de Deus, que foram vencidos; seus despojos são repartidos pelas mulheres. Jz 5, 30. Então os israelitas podem viver em paz em meio de seus rebanhos; estão ricos, ornam-se com os ornatos conquistados, os inimigos fogem para o Selmon e o fazem brilhar como se estivesse coberto de neve.

13O rei dos exércitos será do amado, do amado: E a formosura da casa é o repartir os despojos.[9]O rei dos exércitosO REI DOS EXÉRCITOS — Esta, segundo Bossuet, é a palavra que o Senhor havia de pôr na bôca daquelas mulheres, em presságio das vitórias que o povo de Deus alcançaria dos filisteus, e dos reis de Moab, e Edom, conforme o que continha o seu cântico. Êx 15, 14-15. Calmet segue outra derrota desde que neste lugar se alude à destruição do formidável exército de Jabin, rei de Asot, capitaneando Débora o pequeno exército israelítico, que não constava senão de dez-mil homens. Com efeito o hebreu soa aqui uma coisa mui diferente do que nos representa a Vulgata. Porque em lugar do que está, diz: Rex virtutum, dilecti dilecti, et speciei domus dividere spolia, tem o hebreu de S. Jerônimo: Reges exercituum fœderabuntur fœderabuntur; et pulchritudo domus dividet spolia. Os reis dos exércitos aliar-se-ão, juntar-se-ão, e a que é a formosura da casa repartirá os despojos. O hebreu do padre Houbigant diz: Reges exercitum fugerunt, fugerunt et habitatrix domus dividet spolia. Os reis dos exércitos fugiram, fugiram; e a que habita na casa repartirá os despojos. Isto refere Calmet para a vitória de Débora, cujo cântico, descrito no Livro dos Juízes, tem na verdade muita cognação com alguns versos dêste salmo. Nesta vista, o rei dos exércitos, isto é, o rei de grande poder, será Jabin, rei de Canaã, residente em Asot, e de quem se diz que caiu debaixo do querido, e do amado: isto é, que foi vencido por Israel, povo querido, e amado de Deus. Mas no sentido profético êste rei dos exércitos são os reis da terra, que com todo o seu poder foram reduzidos à obediência de Cristo, Filho diletíssimo do Eterno Padre; e os despojos dêstes reis vencidos foram os com que o mesmo Senhor ornou e enriqueceu a sua Igreja. Nisto mesmo concorda Calmet. — Pereira. DO AMADO, DO AMADO, ETC. — Dilecti dilecti em frase hebréia é o mesmo que do mui amado. — Pereira.

14Se dormirdes entre o meio das sortes, sereis como as penas da pomba argentadas, e os remates do lombo dela em amarelidão de ouro.[10]Se dormirdesSE DORMIRDES — Quando vos virdes como já mortos, e cheios de trabalhos nos maiores perigos, sereis como pombas de asas argentadas, em cujo lombo se representa a formosa amarelidão do ouro. Pode expor-se em tempo pretérito assim: quando vos vistes nos últimos apertos fôstes felizes debaixo da proteção onipotente do nosso Deus, e recobrastes prontamente o vosso primeiro esplendor, o qual se denota pelo da pomba, cujas asas, e lombo com o reflexo do sol, representam as côres mais formosas, como são as do ouro e da prata. O hebreu diz: "se fôreis" ou ainda "que "sejais lançados entre as fornalhas". Êste versículo pode também pertencer ao argumento das mesmas canções. Quer dizer depois de vós, o povo de Deus, houvereis estado largo tempo em vilíssima escravidão, como os que andam denegridos pelo fumo, o Senhor vos tirará desta desonra mais vistosos que as pombas, vos restituirá à vossa antiga glória e esplendor. Porém, porquanto a palavra hebraica, variando-se a pontuação pode significar "sortes" ou "têrmos," como trasladam os Setenta, "no meio das sortes," ou como a Vulgata conservando a palavra grega inter medios cleros, parece que de nenhum modo deve abandonar-se esta exposição, e que se nada entender "da herança" ou "porção" de campo que tocou em sorte a cada um dos hebreus na terra prometida, que êles olhavam como uma herança que lhes era devida. Por isso o P. Calmet fazendo que o cântico de Débora, e o que passou na guerra de Jabin seja fiel comento dêste salmo, explica todo êste lugar, como nêle se aludisse aos mesmos fatos. Não quiseram naquele tempo tôdas as tribos ter parte naquela expedição, nem ajudar a seus irmãos à exceção dos de Neftali, Issacar, e Zabulon porque as demais, umas estavam mui distantes, outras pôsto que convidadas, se negaram por não perderem o seu descanso; e outras se achavam mui perturbadas com discórdias domésticas. Por isso Débora no seu cântico dizia: Quare habitas inter duos terminos, aqui no hebreu se lê a mesma palavra, ut audias sibitos gregum? Diviso contra se Ruben, magnanimorum reperta est contentio: O salmista faz aqui uso do mesmo pensamento, chamando pombas às tribos, que antes quiseram ficar em sossêgo, que sair à campanha. É bem notória a timidez das pombas, e os outros profetas frequentemente dão às tribos êste nome: Os 7, 11. Todos os demais epítetos são uma perífrase poética: Columbae plumis alisque aureis, et argenteis, é o mesmo que Columbae diversi coloris: e assim todo êste lugar se expõe dêste modo: ainda que vós outros, ó pombas, dormistes no vosso ninho, e não saístes a socorrer a vossos irmãos: isto não obstante, Deus sem o vosso socorro, pôs em fuga e desbaratou os principais inimigos, e confederados, e foram desfeitos em um momento, como a neve sôbre o monte Selmon. Estava na tribo de Efraim junto ao Jordão, e pelo calor não podia durar nêle a neve muito tempo. Entre os Padres há alguns que explicam o inter medios cleros, inter duo testamenta: isto é: que a Igreja cristã no meio do Velho e do Novo Testamento será sempre pura, e formosa como a pomba. Santo Agostinho o explica das duas heranças, a que propunha a lei antiga aos israelitas, e a que a lei nova oferece aos cristãos, e assim diz, que se não mostrando ardor pela primeira, que consiste em uma felicidade temporal, e se vivermos em esperança da outra, que é uma imortal bem-aventurança, morrendo neste estado, teremos como a pomba asas formosas para nos elevar, e para chegar com confiança diante de Jesus Cristo. — P. Scio.

15Enquanto o rei do céu faz juízo dos reis sôbre a nossa terra, os seus habitantes tornar-se-ão brancos como a neve no Selmon:[11]Os seus habitantes tornar-se-ão brancosOS SEUS HABITANTES TORNAR-SE-ÃO BRANCOS — Pela neve de Selmon, sob a qual serão sepultados. Também se pode dizer que os lugares ficariam brancos pela densa camada de ossaduras que os cobrem. Encontra-se uma expressão semelhante na Eneida.

16O monte de Deus, monte pingue.
Monte coagulado, monte pingue:[12]Monte de Deus, monte pingueMONTE DE DEUS, MONTE PINGUE — Quer dizer o monte elevado e fértil.

17Mas por que pensais em montes coagulados?
Monte é êste, em que se agradou Deus de morar: Porque o Senhor morará nêle até ao fim.

18O carro de Deus vai rodeado com muitas dezenas de milhares, milhares são os que se alegram: O Senhor está entre êles no seu santuário, como estivera no Sinai.

19Subiste ao alto, fizeste escrava a escravidão: Tomaste dons para distribuíres aos homens:
Ainda aos que não criam, que habitava o Senhor Deus entre êles.[13]Subiste ao altoSUBISTE AO ALTO — Expressão vulgar para designar o modo como o Senhor ostenta a sua glória e manifesta o seu poder levantando-se sôbre a terra. Veja Sl 46, 6; 56, 6. 12, e 7, 6 e 12, 4. A ESCRAVIDÃO — Um grande número de cativos. AINDA AOS QUE NÃO CRIAM — Esta expressão continua a precedente. S. Paulo, na sua Epístola aos Efésios (4, 8) aplica êste versículo à Ascensão de Jesus Cristo.

20Bendito o Senhor em tôda a série dos dias: Próspero nos fará o caminho o Deus de nossas vitórias.[14]Bendito o SenhorBENDITO O SENHOR — Começa a segunda parte. NOSSAS VITÓRIAS — Na Vulgata está salutarium nostrum, seguimos porém a autorizada versão de Glaire La Sainte Bible selon la Vulgate. Esta palavra toma-se no original como os triunfos alcançados por um socorro especial de Deus.

21O nosso Deus é o Deus que tem a virtude de nos fazer salvos: E do Senhor que é o Senhor é a saída da morte.

22Mas Deus quebrará as cabeças de seus inimigos: A moleira cabeluda dos que passeiam nos seus pecados.

23O Senhor disse: De Basan os farei voltar, eu os arrojarei ao profundo do mar:

24Para que o teu pé seja tinto no sangue de teus inimigos: E também a língua dos teus cães.

25Êles viram as tuas entradas, ó Deus, as entradas do meu Deus: Do meu rei que está no Santuário.

26Foram diante os príncipes justamente com os que cantavam salmos, no meio das donzelas que iam com pandeiros.

27Bendirei nas igrejas ao Senhor Deus, os das estirpes de Israel.

28Ali estava o pequeno Benjamim no alto do seu espírito.
Os príncipes de Judá, seus comandantes: Os príncipes de Zabulon, os príncipes de Neftali.

29Envia, ó Deus, a tua virtude: Confirma, ó Deus, isto que tens obrado em nós.

30Desde o teu templo em Jerusalém, te ofereceram a ti dons os reis.

31Reprime as feras do canavial, os povos congregados como touros entre vacas: Para lançar fora aos que estão provados como a prata,
Dissipa as gentes, que querem guerras:[15]As feras do canavialAS FERAS DO CANAVIAL — Os animais selvagens. Êstes diversos animais indicados neste versículo designam os inimigos de Israel: Os filisteus, os cananeus e os egípcios; êstes são os indicados sob a primeira designação por serem aí abundantes os canaviais.

32Virão legados do Egito: A Etiópia se adiantará para levantar as suas mãos a Deus.

33Reinos da terra cantai a Deus: Dizei salmos ao Senhor: Dizei salmos a Deus,

34que subiu sôbre o Céu do Céu para a parte do Oriente.
Eis-aqui dará a sua voz do poder,[16]O Céu do CéuO CÉU DO CÉU — Hebraísmo que significa todos os céus. PARA A PARTE DO ORIENTE — Notam os intérpretes que Jesus Cristo subiu ao Céu no monte das Oliveiras que está ao Oriente de Jerusalém. VOZ DO PODER — Hebraísmo que significa uma voz muito potente.

35Dai glória a Deus sôbre o que obrou em Israel, a sua magnificência e o seu poder se manifesta nas nuvens.

36Deus é admirável nos seus Santos, ó Deus de Israel, êle dará virtude e fortaleza ao seu povo, bendito seja Deus.[17]Nos seus SantosNOS SEUS SANTOS — O texto original deve traduzir-se em seus santuários, nos lugares santificados pela presença da arca, o Sinai, Silo, o monte Sião.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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