Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 135

Exorta o profeta neste salmo a dar louvor a Deus pela misericórdia que havia usado com o seu povo, enumerando pela sua ordem os antigos benefícios.

Aleluia.[1]AleluiaALELUIA — Pelo livro 1 dos Par 16, 34, e pelo livro 2, 7, 6, parece que Davi compôs êste salmo para que se cantasse diante da Arca a glória do Senhor, e isto ainda muito tempo antes de estar edificado o templo. — Pereira.

1Glorificai ao Senhor, porque é bom: Porque a sua misericórdia é para sempre.[2]Porque a sua misericórdia é para semprePORQUE A SUA MISERICÓRDIA É PARA SEMPRE — Pelo livro 1 dos Par 16, 41, se vê que estas palavras eram uma antífona, ou verso intercalar nas sagradas canções, que se costumavam cantar no templo: e assim êste salmo se pode considerar como uma ladainha dos hebreus, em que o povo repetia o hemistíquio alternando com o sacerdote, ou com o levita que levava o côro. Está 26 vêzes repetida esta frase.

2Glorificai ao Deus dos deuses: Porque a sua misericórdia é para sempre.[3]Deus dos deusesPor esta expressão e pela seguinte quer o salmista demonstrar a Onipotência de Deus, superior a tudo quanto pode ser poderoso na terra.

3Glorificai ao Senhor dos senhores: Porque a sua misericórdia é para sempre.

4O que faz grandes maravilhas só: Porque a sua misericórdia é para sempre.[4]O que faz grandes maravilhas sóÊle só é quem pode obrar tôdas as grandes maravilhas, que se admiram no Universo. Nunca faltará a sua misericórdia. Em todos os versículos se entende a palavra confitemini, como já observou Santo Agostinho. — Pereira.

5O que fêz os céus com inteligência: Porque a sua misericórdia é para sempre.

6O que firmou a terra sôbre as águas: Porque a sua misericórdia é para sempre.

7O que fêz os grandes luminares: Porque a sua misericórdia é para sempre.

8O sol para presidir ao dia: Porque a sua misericórdia é para sempre.

9A lua, e as estrêlas para presidirem à noite: Porque a sua misericórdia é para sempre.

10O que feriu ao Egito com os seus primogénitos: Porque a sua misericórdia é para sempre.

11O que tirou a Israel do meio dêles: Porque a sua misericórdia é para sempre.

12Com mão poderosa, e braço excelso: Porque a sua misericórdia é para sempre.

13O que dividiu em duas partes o mar Vermelho: Porque a sua misericórdia é para sempre.

14E tirou a Israel por meio dêle: Porque a sua misericórdia é para sempre.

15E precipitou a Faraó, e ao seu exército no mar Vermelho: Porque a sua misericórdia é para sempre.

16O que conduziu ao seu povo pelo deserto: Porque a sua misericórdia é para sempre.

17O que feriu aos grandes reis: Porque a sua misericórdia é para sempre.

18E matou os reis fortes: Porque a sua misericórdia é para sempre.

19A Seon rei dos amorreus: Porque a sua misericórdia é para sempre.

20E a Og rei de Basan: Porque a sua misericórdia é para sempre.

21E deu a terra dêles em herança: Porque a sua misericórdia é para sempre.

22Em herança a Israel seu servo: Porque a sua misericórdia é para sempre.

23Porque no nosso abatimento se lembrou de nós: Porque a sua misericórdia é para sempre.

24E nos redimiu de nossos inimigos: Porque a sua misericórdia é para sempre.

25O que dá alimento a tôda a carne: Porque a sua misericórdia é para sempre.

26Dai glória a Deus do céu: Porque a sua misericórdia é para sempre.
Dai glória ao Senhor dos senhores: Porque a sua misericórdia é para sempre.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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