Capítulo 104
Aleluia. (1 Par 16, 18.)[1]Aleluia — ALELUIA — Êste têrmo, que daqui em diante se encontra na Vulgata à testa de outros muitos salmos, vale o mesmo que "Louvai ao Senhor." Quanto aos primeiros quinze versículos, é êste salmo indubitàvelmente de Davi, e composto na trasladação da arca para Sião, porque assim consta do livro 1 Par 16, 8 ss, onde se referem os ditos primeiros quinze versículos dêle. Quanto aos mais que se seguem, é Calmet de parecer que êles foram acrescentados depois, quando o povo judaico voltou do cativeiro de Babilónia para Jerusalém. De Carrières o dá todo por obra de Davi. Resume a história de Israel e por isso se citam entre parênteses os lugares que narram os fatos a que o salmo alude, e tem nove estrofes.
1Louvai ao Senhor, e invocai o seu nome: Anunciai entre as gentes as suas obras.
2Cantai-lhe, e dizei-lhe salmos: Narrai tôdas as suas maravilhas.
3Gloriai-vos em seu santo Nome: Alegre-se o coração dos que buscam ao Senhor.
4Buscai ao Senhor, e fortificai-vos: Buscai sempre a sua face.
5Lembrai-vos das suas maravilhas, que fêz: De seus prodígios, e dos juízos que pronunciou com a sua bôca.[2]Que pronunciou — QUE PRONUNCIOU — As leis que o Senhor deu ao seu povo, ou também as ameaças que pronunciaram os seus lábios contra os prevaricadores da sua lei. — Pereira.
6Vós, ó descendentes de Abraão, que sois seus servos: Vós, ó filhos de Jacó, seus escolhidos.
7Êle é o Senhor nosso Deus: Os seus juízos se executarão em tôda a terra.
8Êle se lembrou para sempre da sua aliança: E da palavra, que enviou para mil gerações:[3]Para mil gerações — PARA MIL GERAÇÕES — Êle mesmo é o que não se esquece, nem jamais se esquecerá do tratado que concertou, e da promessa que fêz para todos os séculos vindouros. — P. Seio.
9Daquela que deu a Abraão: E do juramento que fêz a Isaac: (Gên 22, 16).
10E o confirmou a Jacó por estatuto: E a Israel para que fôsse uma aliança eterna:
11Dizendo: A ti te darei a terra de Canaã, repartimento da vossa herança.
12Quando eram em curto número, mui poucos e estrangeiros nesta terra:[4]E estrangeiros nesta terra — E ESTRANGEIROS NESTA TERRA — São chamados estrangeiros, porque eram oriundos da Caldéia e da Mesopotâmia.
13E passaram de gente em gente, e de um reino a outro povo.
14Não permitiu que alguém os ofendesse: E castigou por causa dêles aos reis.
15Não toqueis os meus ungidos: E não maltrateis aos meus profetas. (2 Rs 1, 14).[5]Não toqueis os meus ungidos — NÃO TOQUEIS OS MEUS UNGIDOS — Fala Deus aqui dos três patriarcas Abraão, Isaac e Jacó, aos quais chama Ungidos seus, na qualidade de sacerdotes e profetas, que eram do mesmo Senhor. Os nossos padres godos do quarto concílio de Toledo o entenderam dos Reis, os quais noutras Escrituras também se acham chamados Ungidos e Cristos. Gregório XVI aplicou êste versículo na Alocução pronunciada no consistório de 8 de outubro de 1883.
16E chamou a fome sôbre a terra: E quebrantou tôda a fôrça do pão.
17Enviou diante dêles um varão: A José que foi vendido por escravo. (Gên 37, 36.)
18Apertaram com grilhões seus pés, o êrro traspassou a sua alma (Gên 39, 20)
19até que foi cumprida a profecia dêle.
A palavra do Senhor o havia inflamado:
20Enviou o rei, e o soltou; o príncipe dos povos, e lhe deu a liberdade. (Gên 41, 14).
21Constituiu-o senhor da sua casa: E por príncipe de tudo o que possuía.
22Para que desse luz aos grandes como a si mesmo: E ensinasse a prudência aos seus Anciãos.
23E entrou Israel no Egito: E foi Israel estrangeiro em a terra de Cam. (Gên 46, 6).[6]A terra de Cam — A TERRA DE CAM — É o Egito assim chamado, porque Cam, filho de Noé, habitou nessa região povoada depois pelo seu segundo filho Mesraim. Os egípcios chamam também ao seu país Chemi.
24E aumentou o seu povo em grande maneira: E o fêz forte sôbre os seus inimigos. (Êx 1, 7; At 7, 17).
25Transtornou o coração dos egípcios para que aborrecessem o seu povo: E usassem de enganos com os seus servos.
26Enviou a Moisés seu servo: A Aarão, o mesmo que êle escolheu. (Êx 3, 10; 4, 29).
27Pôs nêles as palavras de seus sinais, e prodígios na terra de Cam. (Êx 7, 10).
28Enviou trevas, e difundiu escuridade: E não tornou vãs as suas palavras. (Êx 10, 21).
29Converteu-lhes as águas em sangue: E matou os seus peixes. (Êx 7, 20).
30A sua terra produziu rãs até nas câmaras dos mesmos reis. (Êx 8, 8).
31Disse, e vieram moscas de tôdas as castas: E mosquitos em todos os seus limites. (Êx 8, 16-24).
32Mudou as suas chuvas em granizo: Lançou um fogo abrasador na terra dêles.
33E feriu as suas vinhas, e os seus figueirais: E quebrou as árvores que havia nos seus limites.
34Disse, e vieram gafanhotos, e alfôrra, em tanta cópia que não tinha número: (Êx 10, 12).
35E comeu tôda a erva na terra dêles. E comeu todo o fruto na terra dêles.
36E feriu a todos os primogénitos na terra dêles: As primícias de todo o seu trabalho. (Êx 12, 29).
37E conduziu-os com prata e com ouro: E não havia enfêrmo nas tribos dêles. (Êx 12, 35).
38Alegrou-se o Egito na partida dêles: Porque estava preocupado do temor que lhes tinha.
39Estendeu uma nuvem que os cobrisse, e fogo que os alumiasse de noite. (Êx 13, 21).
40Pediram, e vieram codornízes: E do pão do Céu os saciou. (Êx 16, 13).
41Fendeu a pedra, e manaram águas: Correram rios em lugar sêco: (Núm 20, 11).
42Porque teve em memória a sua santa palavra, a qual êle havia dado a Abraão seu servo. (Gên 17, 7).
43E tirou o seu povo com regozijo, e aos seus escolhidos com alegria.
44E deu-lhes as terras das nações: E desfrutaram o trabalho de outros povos:
45Para que guardassem os seus mandamentos, e buscassem a sua lei.