Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 146

Salmo gratulatório. Deve louvar-se o Senhor, porque só êle é admirável.

1Aleluia.
Louvai ao Senhor, porque bom é o salmo: Agradável seja ao nosso Deus, e digno dêle o louvor.[1]Aleluia / LouvaiÊste salmo e os seguintes até ao salmo 150, são de Neemias ou ao menos da sua época, e tem por assunto agradecer a Deus o restabelecimento do povo judaico em Jerusalém. Não há no original divisão de estrofes. — LOUVAI — O hebreu diz: "Louvai ao Senhor porque boa coisa é cantar salmos ao nosso Deus; porquanto um festivo hino lhe corresponde." E o sentido é: Louvai, ó israelitas, ao Senhor, porque muito útil vos será o cantar-lhe salmos, porém salmos que lhe sejam agradáveis, e que nasçam de corações abrasados no seu amor. Santo Agostinho diz: "ouve como será agradável o nosso louvor ao Senhor, se se louva vivendo bem." — Pereira.

2O Senhor que edifica a Jerusalém: Congregará as dispersões de Israel.[2]Edifica a JerusalémEDIFICA A JERUSALÉM — O Senhor reedificou Jerusalém revogando a proibição da sua restauração. AS DISPERSÕES DE ISRAEL — Hebraísmo por Israel disperso.

3O que sara aos atribulados de coração: E liga as suas fraturas.[3]E liga as suas fraturasE LIGA AS SUAS FRATURAS — O hebreu diz: "O que ata as dores dêles," as suas feridas dolorosas. O efeito pela causa. — Pereira.

4O que conta a multidão das estrêlas: E as chama a tôdas elas pelos seus nomes:

5Grande é nosso Senhor, e grande o seu poder: E a sua sabedoria não tem têrmo.

6O Senhor é quem ampara aos humildes: E o que abate aos pecadores até à terra.

7Entoai cânticos ao Senhor no seu louvor: Dizei salmos ao nosso Deus com harpa.

8O que cobre ao céu de nuvens: E à terra prepara chuva.
O que produz nos montes feno: E erva para o serviço dos homens.

9O que dá aos animais o alimento conveniente: E aos filhinhos dos corvos que clamam a êle.

10Não se agradará da fôrça do cavalo: Nem se comprazerá nos pés robustos do varão.

11O Senhor se agradou sempre dos que o temem: E daqueles que esperam na sua misericórdia.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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