Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 149

Salmo gratulatório. O profeta convida o seu povo a cantar ao Senhor um cântico novo em ação de graças pela misericórdia que tem usado com Israel.

1Aleluia.
Cantai ao Senhor um novo cântico: Seja o seu louvor na Igreja dos Santos.[1]AleluiaALELUIA — A opinião mais provável é que êste salmo tem por autor a Davi, ainda que se ignora a ocasião da sua composição. Segundo Bossuet, foi por alguma grande vitória alcançada dos inimigos. Segundo Calmet, pela tornada do povo a Jerusalém depois do cativeiro. Mas pode-se também dizer, ajunta o padre de Carrières, que êste salmo convém perfeitamente ao fim do mundo, quando Cristo, Supremo Juiz, dará aos bons a vida eterna, e aos maus o castigo que merecem. — Pereira.

2Alegre-se Israel naquele que o fêz: E os filhos de Sião regozijem-se em seu rei.

3Louvem o seu nome em côro: Com tambor, e saltério louvem-no a êle.[2]Em côroEM CÔRO — O hebreu diz: mahhol, que significa um círculo de gente que se alegra e dança ao som de instrumentos: Êx 32, 19. — Pereira.

4Porque o Senhor se tem comprazido no seu povo: E exaltará aos mansos para os salvar.

5Regozijar-se-ão os santos na glória: Êles se alegrarão nas suas mansões.

6Altos louvores de Deus se acham na sua bôca: E espadas de dois fios nas suas mãos.

7Para fazer vingança nas nações: Castigos nos povos.

8Para meter os reis dêles em grilhões: E os seus nobres em algemas de ferro.

9Para exercer sôbre êles o juízo prescrito: Esta glória é reservada para todos os seus santos. Aleluia.[3]Para exercer sôbre êles / Para todos os seus santosPARA EXERCER SÔBRE ÊLES — E serão uns ministros e executores do juízo que tem pronunciado o Senhor contra as suas impiedades. Esta é a glória que tem reservado o Senhor para o seu povo, como tem manifestado nas suas Escrituras. — Santo Agostinho. PARA TODOS OS SEUS SANTOS — Tudo isto que à letra convém ao povo de Israel, em um sentido mais nobre se há de entender do reino de Jesus Cristo, e dos seus verdadeiros fiéis; e por isso os Padres têm considerado êste cântico novo como próprio da lei nova. — Pereira.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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