Pe. Figueiredo (1950)

Capítulo 99

Salmo gratulatório. Exorta o profeta neste salmo a tôda a terra a celebrar, e louvar ao Senhor. Profecia da vocação dos gentios.

1Salmo de louvor.[1]Salmo de louvorDevia ter sido composto por algum piedoso levita, depois do cativeiro, na época da dedicação do segundo templo. Tem duas estrofes, 1-3, 4-5. A primeira é um convite para louvar a Deus com alegria em seu templo, porque é o nosso criador, e nós somos o seu rebanho; na segunda nota-se que é necessário entrar no santo templo para que aí seja Deus louvado.

2Celebrai com júbilo ao Senhor povos de tôda a terra: Servi ao Senhor em alegria.
Entrai diante dêle com alvorôço.

3Sabei que o Senhor é Deus: Êle nos fêz, e não nós outros a nós.
Povo seu e ovelhas do seu pasto:

4Entrai as suas portas com louvor: Nos átrios dêle com hinos: Glorificai-o.
Louvai o seu nome.[2]As portasAS PORTAS — Está às portas do tabernáculo, do seu templo.

5Porque suave é o Senhor: É eterna a sua misericórdia: E a sua verdade se dilata de geração em geração.[3]De geração em geraçãoDE GERAÇÃO EM GERAÇÃO — Bendizei o seu Santo Nome, publicai que é um Senhor cheio de doçura e de bondade; que antes faltará o sol que a sua misericórdia, e que a verdade e a fidelidade das suas promessas resplandecerão eternamente pelos séculos dos séculos. — Pereira.

Todos os Livros Santos têm sido objeto de profundos estudos; acerca de cada um tem-se escrito muito, mas nenhum tem sido estudado tão profundamente, e dado ocasião a maior número de importantes trabalhos, como o Livro dos Salmos. Sobem a mil e duzentos os comentários ao Saltério; e fàcilmente se percebe pela sua grande importância, e pelo lugar proeminente que ocupam estes cânticos na Sagrada Liturgia. O sacerdote repete-os quotidianamente; os fiéis recitam-nos frequentes vezes, sendo por isto a parte mais vulgarizada e mais conhecida da Sagrada Escritura. Ignora-se o nome com que os hebreus designavam a coleção dos Salmos. Modernamente na Bíblia hebraica aparecem sob a designação de Thehillim, que significa os louvores. Os Setenta é que deram a denominação de Salmos. Segundo o testemunho constante dos autores antigos, o número dos Salmos é de cento e cinquenta. A versão grega, reproduzida pela Vulgata, reúne os Salmos 9 e 10, 114 e 115 do hebreu; divide o Salmo 116 em dois. A tradição judaica divide os Salmos em cinco livros. Davi é, sem dúvida alguma, o principal autor desta coleção, em que se revela como o maior poeta lírico de Israel. São composição sua quase dois terços dos Salmos. Doze Salmos têm o nome de Asaf, mestre de música; outros onze são atribuídos aos filhos de Core. O assunto dos Salmos resume-se em duas palavras: Deus e o homem. Deus na sua Infinita Grandeza, Onipotência, Onisciência, Bondade e Justiça; e o homem na sua fraqueza, abatimento, misérias, infelicidades e carência absoluta de socorro do Criador. A versão da Vulgata participa das imperfeições dos Setenta, mas estas diferenças não afetam a doutrina neles contida, nem alteram o sentido moral que nos Salmos se encerra. Pelos Salmos aprendemos a rogar o socorro do céu em nossas aflições, alentando-nos a esperança na proteção do céu. Ensinam-nos a amar a Deus, e a amar o próximo pelo amor de Deus.
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